Data: 24/10/1954 (domingo), entre 13h e 18h, segundo o despachoLocal: Base aérea de Porto Alegre e céu da cidade, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre, 1954: base aérea diz que objetos circulares prateados de movimento mecânico passaram sobre a cidade e pede investigação
O relatório privado The UFO Evidence, da NICAP, guardado pela CIA, cita uma formação de objetos circulares prateados vista sobre a base aérea de Porto Alegre em 24 de outubro de 1954 e reproduz um despacho de agência sobre o comunicado da base. Segundo o despacho, o comando disse que os objetos não eram astros nem balões e pediu investigação ao Ministério da Aeronáutica.
- Data do evento
- 24/10/1954 (domingo), entre 13h e 18h, segundo o despacho
- Local
- Base aérea de Porto Alegre e céu da cidade, Rio Grande do Sul, Brasil
- Tema
- Arquivo da CIA
- Órgãos das fontes
- CIA
- Documentos
- 1 documento · 186 páginas
- Leitura
- 9 min
Recorte de jornalPágina física 123FONTES DOCUMENTAIS · CIA
O que os registros contam
O caso aparece na seção de relatos estrangeiros do relatório The UFO Evidence, publicado em 1964 pela NICAP, entidade civil americana que estudava os discos voadores. Uma cópia do livro ficou nos arquivos da CIA e foi liberada em 2001; isso mostra que a agência guardou o volume, não que tenha investigado o caso. Na parte sobre o Brasil, a NICAP diz que uma formação de objetos circulares prateados, aparentemente mecânicos, foi vista por oficiais e praças da Força Aérea Brasileira, por pessoal de companhia aérea e por civis quando passou sobre a base aérea de Porto Alegre, em 24 de outubro de 1954. A fonte indicada é o livro The Flying Saucer Conspiracy, de Donald Keyhoe (1955), página 212.
Logo abaixo, a NICAP reproduz o recorte de um despacho de agência de notícias, datado de Porto Alegre e com marca de transmissão de 27 de outubro. A agência não é identificada na página. O texto diz que a base aérea informou ter avistado, no domingo anterior, objetos circulares e prateados em velocidades tremendas. Um comunicado distribuído pelo comando acrescentava que o fenômeno fora relatado de imediato ao Ministério da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, com pedido de investigação, e que os objetos não eram corpos celestes porque seus movimentos pareciam mecânicos e intermitentes. Não havia balões no ar naquela hora, segundo a base.
Ainda segundo o despacho, foi impossível calcular a altitude ou a velocidade, mas a velocidade superava a de qualquer aparelho que a base conhecia. A forma geral era circular, prateada e cintilante. Os objetos teriam sido vistos por oficiais e praças da base, por funcionários da Varig e por vários civis da cidade, entre 13h e 18h daquele domingo. O despacho não dá nomes, número de objetos, direção nem duração de cada passagem. A frase sobre a velocidade é uma avaliação da base, não uma medição: o próprio comunicado admite que não havia como calcular.
O que o livro oferece é uma cadeia de fontes secundárias. O comunicado da base chega por um despacho de agência, e o resumo da NICAP se apoia num livro de Keyhoe. Não há na página o texto integral do comunicado, relatório da FAB, resposta do Ministério da Aeronáutica, registro de radar ou fotografia. O episódio documenta que, em outubro de 1954, uma base aérea brasileira divulgou publicamente um avistamento e pediu investigação. A NICAP o usa para sustentar que o Brasil tratava o tema com mais abertura que os Estados Unidos.
Na mesma página, a NICAP descreve a criação, em 1958, de uma comissão brasileira de pesquisa sobre objetos aéreos não identificados, com civis e representantes das Forças Armadas, e menciona outro caso de 1954: em 21 de novembro, um avião de passageiros perto do Rio de Janeiro teria encontrado à noite 19 objetos brilhantes em forma de disco, que passaram a cerca de 300 pés e causaram pânico a bordo. Para esse segundo episódio, as fontes citadas são o mesmo livro de Keyhoe e o jornal londrino Daily Sketch de 22 de novembro de 1954. A ligação entre os dois casos é apenas de época.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
The UFO Evidence é publicação privada da NICAP (1964), e o despacho reproduzido na página é material de agência de notícias. Nenhum dos dois foi transcrito ou traduzido na íntegra: cada bloco traz uma síntese fiel da página em português, com no máximo uma citação curta. A página física 123 foi resumida inteira, inclusive os assuntos que não tratam de Porto Alegre, para que toda a página fique coberta; a página física 130 entra só pela nota 15, que indica a fonte.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 123
Página física 123 (impressa 119), página inteira: Alasca (nota), México, América Central, América do Sul (Argentina, com Córdoba, Espora, Floresta e Ezeiza) e início do Brasil (comissão CBPCOANI, Porto Alegre e o avião perto do Rio)
Nota: o Alasca já é um dos Estados Unidos, mas entra nesta seção pela posição geográfica. México: na onda de 1949-1950 houve muitas notícias de OVNIs sobre o país; por exemplo, o Los Angeles News de 14 e 15/03/1950 publicou despacho da United Press da Cidade do México segundo o qual centenas de pessoas viram quatro discos sobre a capital e um sobre Monterrey, com observadores de aeronaves treinados e meteorologistas entre as testemunhas (seção V); houve muitos outros nos 12 anos seguintes. Em 1958, Rafael Aveleyra, ministro da embaixada do México em Washington, escreveu à NICAP que, segundo informação do governo, não fora recebido nenhum relato no México e por isso não houvera investigação oficial [nota 10].
América Central: OVNIs vistos com regularidade sobre o golfo do México, o Caribe e a América Central (caso do golfo do México de 06/12/1952; caso do guarda-costas Sebago, 05/11/1957, seção VIII). Em 23/01/1959, o New York Times noticiou que um objeto prateado brilhante, que cruzou em arco o céu do canal do Panamá, fora rastreado por radar americano. Uma associada da NICAP em El Salvador, que visitou o escritório em 1961, disse que os avistamentos eram muito comuns em seu país e assunto corrente, inclusive nas escolas.
América do Sul: o mesmo vale para a maioria dos países; pelo menos cinco têm organizações ativas, e Argentina e Brasil trataram o assunto com mais franqueza que qualquer outra nação. Argentina: carta da embaixada argentina de 10/10/1958 pediu à NICAP dados sobre sua estrutura, alcance e objetivos, porque oficiais da Força Aérea argentina estudavam criar um órgão semelhante [nota 11]. No aeroporto de Córdoba, em 25/11/1954, dois objetos luminosos pairaram quase uma hora e foram relatados pelo Dr. Marcos Guerci, chefe do serviço meteorológico, pelo controlador de torre Carlos Bassoli e muitos outros; um era quase semicircular, como um disco de perfil, o outro circular; segundo relatório oficial divulgado pela embaixada, Guerci disse acreditar ter visto “algo alheio ao nosso conhecimento” [nota 12]. A série mais recente começou em maio de 1962 e seguiu o ano todo, com pousos relatados que deixaram marcas e manchas no chão, fenômenos luminosos muito manobráveis e efeitos eletromagnéticos (seção XII, cronologia argentina). Em 22/05/1962, uma formação de pilotos da Marinha viu OVNIs quatro vezes em cerca de 35 minutos perto da base aeronaval Espora; numa delas, por volta das 19h20, o aluno piloto Roberto Wilkinson relatou que um objeto luminoso atrás do avião iluminou sua cabine e que a transmissão de rádio falhou quando ele passou por baixo [nota 13]. Os avistamentos continuaram, muitos em torno de aviões e aeroportos; sobre o distrito de Floresta, em 08/09/1962, o tenente Juan José Vico viu um OVNI lenticular de aspecto de metal polido, com manobras suaves e aparentemente controladas. Das investigações militares saíram duas declarações: o capitão Luis Sánchez Moreno, pela Marinha, disse à imprensa que a Marinha se preocupava constantemente com OVNIs desde a grande onda mundial de 1952; e o relatório divulgado pela embaixada após os casos de maio concluiu que os testemunhos dos pilotos oficiais e do pessoal do curso de voo indicavam a existência de fenômenos luminosos anormais.
Além da embaixada, a NICAP agradece a Thomas Williams (Fundación Williams, Buenos Aires), a Christian Vogt, secretário da Comisión Observadora de Objetos Voladores No Identificados (CODOVNI), e ao engenheiro William Kalocai, diretor do Centro Investigador de Fenómenos Espaciales (CIFE), de Bahía Blanca [nota 14]. No aeroporto internacional de Ezeiza, Buenos Aires, em 22/12/1962, por volta das 3h, os controladores Horacio Alora e Mario Pezzutto observavam um avião da Aerolíneas Argentinas prestes a decolar e um DC-8 da Panagra em aproximação; quando um deles passava instruções de pouso, o comandante do jato perguntou o que era aquilo no fim da pista, e logo um piloto argentino fez a mesma pergunta; Alora viu um grande objeto redondo com brilho intenso de fogo na cabeceira da pista 1-0-2-8; pelo brilho, não soube dizer se tocara o chão; o objeto subiu uns dez metros, pairou, acelerou e partiu para nordeste, visto também por Pezzutto. Na onda de 1962, casos importantes foram noticiados livremente na televisão, em contraste, diz a NICAP, com a política sigilosa dos EUA.
Brasil: atividade quase constante nos últimos 10 a 15 anos, em número e qualidade ao menos iguais aos dos EUA, e desde 1952 relatada muito mais abertamente. Em 1958, a maioria dos investigadores experientes formou a Comissão Brasileira de Pesquisa Confidencial sobre Objetos Aéreos Não Identificados (CBPCOANI), para promover investigação científica internacional; entre os membros, o Dr. J. Escobar Faria (advogado e autor, conselheiro da NICAP), o Dr. Olavo Fontes (médico, conselheiro da APRO, de Tucson), o Prof. Flávio Pereira (presidente, também do Conselho Científico da Sociedade Interplanetária Brasileira) e o comandante A. B. Simões (funcionário de companhia aérea e escritor); a comissão inclui representantes das Forças Armadas, e, como na Argentina, o tema é visto como problema que justifica órgãos civis e militares. Quase toda grande cidade costeira, base militar e aeroporto do Brasil teria sido visitado, com testemunhas de alta patente, autoridades e cientistas. Uma formação de objetos circulares prateados, aparentemente mecânicos, foi vista por oficiais e praças da FAB, pessoal de companhia aérea e civis sobre a base aérea de Porto Alegre em 24/10/1954 [nota 15]; a página reproduz um despacho de agência de notícias sobre o caso (resumido no dossiê de Porto Alegre). Em 21/11/1954, um incidente saiu na primeira página de jornais da América do Sul, da América Central e da Inglaterra, mas aparentemente não nos EUA: um avião de passageiros brasileiro, à noite, perto do Rio de Janeiro, encontrou 19 objetos brilhantes em forma de disco, que passaram em alta velocidade a cerca de 300 pés do avião, causando pânico entre os passageiros (continua na página seguinte).Nota editorial: O número da pista aparece como “1-0-2-8” no original. A tradução de “summer” no caso de Floresta foi omitida porque a NICAP fala de verão do hemisfério norte (setembro de 1962), o que seria inverno na Argentina.
Conferir original em inglês
[p. 123: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 123, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 130
Página física 130 (impressa 126), notas 15 e 16 da seção X
Nota 15: Keyhoe, Donald E., Flying Saucer Conspiracy (Henry Holt, 1955), p. 212 (fonte do caso de Porto Alegre). Nota 16: idem, p. 26; London Daily Sketch, 22/11/1954 (fontes do caso do avião perto do Rio de Janeiro).Nota editorial: O resto da página trata dos casos Iberville e Labrador, que têm dossiês próprios.
Conferir original em inglês
[p. 130: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 130, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 24/10/1954 — O despacho fala do “domingo” anterior a 27/10/1954, que foi 24/10/1954, data que a NICAP também indica; observações entre 13h e 18h.
- Documento
- 27/10/1954 — Marca de transmissão “10/27” no pé do despacho reproduzido; o ano não aparece no recorte e decorre do contexto.
- Publicação
- 1964 — The UFO Evidence, NICAP, 1964; exemplar da CIA liberado em 02/04/2001.
Origem e divulgação
NICAP (autoria); CIA (guarda do exemplar, série CREST CIA-RDP81R00560R000100010001-0) · CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Páginas físicas 123, 130 examinadas no fac-símile.
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Relatos relacionados e suas diferenças
- Ilha da Trindade, 1958: as fotos do Almirante Saldanha
- Brasil, 1954-1961: pilotos de linha e da FAB no relatório NICAP
- The UFO Evidence, 1964: o relatório da NICAP no arquivo da CIA
Perguntas para continuar a investigação
- O pedido de investigação enviado ao Ministério da Aeronáutica em 1954 e o comunicado da base de Porto Alegre foram preservados em arquivo brasileiro?
- Que agência distribuiu o despacho reproduzido pela NICAP e que jornais gaúchos noticiaram o caso naquela semana?
GEOGRAFIA DO CASO
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Referência aproximada da cidade de Porto Alegre, posicionada pela redação. Não indica a trajetória dos objetos nem a posição exata da base aérea.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Páginas físicas 123 (impressa 119: parte sobre o Brasil, com o despacho de agência sobre Porto Alegre) e 130 (impressa 126: nota 15, fonte citada) do relatório NICAP The UFO Evidence (1964), cópia CREST da CIA
CIA · 186 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


