Data: 16/01/1958, por volta do meio-diaLocal: Ilha da Trindade, Brasil, a bordo do navio Almirante Saldanha
Ilha da Trindade, 1958: as quatro fotos feitas do navio Almirante Saldanha na avaliação da NICAP
O relatório privado da NICAP, cuja cópia está no arquivo da CIA, resume o caso das quatro fotos de um objeto em forma de Saturno feitas por Almiro Baraúna do convés do Almirante Saldanha, em 16 de janeiro de 1958. A organização rebate a acusação de fraude feita por Donald Menzel, conclui que as fotos parecem autênticas e pede que Brasil e Estados Unidos abram os laudos.
- Data do evento
- 16/01/1958, por volta do meio-dia
- Local
- Ilha da Trindade, Brasil, a bordo do navio Almirante Saldanha
- Tema
- Arquivo da CIA
- Órgãos das fontes
- CIA
- Documentos
- 1 documento · 186 páginas
- Leitura
- 7 min
Desenho a partir de fotografia (relatório NICAP)Página física 98FONTES DOCUMENTAIS · CIA
O que os registros contam
A fonte deste dossiê não é um documento de governo. É o relatório "The UFO Evidence", compilação publicada em 1964 pela NICAP (National Investigations Committee on Aerial Phenomena), organização civil americana que reunia relatos de óvnis. Uma cópia foi guardada pela CIA e liberada em 2001 no arquivo CREST. Isso mostra que a agência guardou o texto, não que o escreveu ou concordou com ele. Nas páginas físicas 95 e 96, a NICAP trata das fotos da Ilha da Trindade como o caso 39 da sua lista de evidências fotográficas e, na tabela da página 92, lhe dá a nota de evidência potencialmente forte, digna de análise prioritária.
Segundo o resumo, o objeto foi visto por volta do meio-dia de 16 de janeiro de 1958, do convés do Almirante Saldanha, navio brasileiro ligado ao Ano Geofísico Internacional. Os primeiros a vê-lo teriam sido o capitão José Teobaldo Viegas, oficial reformado da Força Aérea Brasileira, e Amilar Vieira Filho, chefe de um grupo de exploradores submarinos que estava a bordo. Eles chamaram Almiro Baraúna, fotógrafo submarino experiente, que conseguiu quatro fotos aproveitáveis. Outros oficiais e marinheiros, atraídos pela agitação, teriam visto o objeto, entre eles o capitão-tenente Homero Ribeiro, dentista do navio.
O relatório cita a descrição atribuída a Viegas. No início, ele teria visto um disco com brilho fosforescente que, mesmo de dia, parecia mais brilhante que a Lua e tinha mais ou menos o tamanho aparente da Lua cheia. Ao seguir seu caminho e se inclinar, o objeto teria mostrado a forma de uma esfera achatada cercada, no equador, por um grande anel ou plataforma, daí a comparação com Saturno. Os dados da câmera vêm no fim do texto: Rolleiflex 2.8 modelo E, 1/125 de segundo, abertura f/8, com ligeira superexposição. A NICAP diz ter estudado cópias em papel das quatro fotos, mas não os negativos.
O relatório registra a acusação contrária. No livro The World of Flying Saucers, de 1963, o astrônomo Donald H. Menzel chamou as fotos de fraude. Pelo resumo da NICAP, o argumento dele era que Baraúna, fotógrafo habilidoso, já teria produzido uma foto falsa de disco voador para ilustrar um artigo, e que várias testemunhas, inclusive o fotógrafo, eram do mesmo grupo de exploradores submarinos. A NICAP responde que outras testemunhas não pertenciam ao grupo e que não há prova de montagem. As duas posições são opiniões de terceiros sobre o caso; o relatório não traz perícia própria dos negativos.
A conclusão da NICAP se apoia em fontes brasileiras citadas de segunda mão. Segundo o texto, em 25 de fevereiro de 1958, quatro dias depois de a imprensa brasileira divulgar as fotos, a United Press informou do Rio de Janeiro que o Ministério da Marinha garantia as imagens, e que o ministro, almirante Antônio Alves Câmara, respondia pessoalmente pela autenticidade depois de um encontro com o presidente Juscelino Kubitschek em Petrópolis. O relatório diz ainda que o laboratório de fotografia da Marinha e o Serviço Aerofotogramétrico Cruzeiro do Sul examinaram fotos e negativos e não acharam truque. Os laudos não estão no relatório.
A NICAP conclui que as fotos parecem autênticas e estão entre as mais significativas já registradas. Pede que Estados Unidos e Brasil levantem o sigilo, que os laudos brasileiros sejam abertos a cientistas e que a Força Aérea americana divulgue o que apurou por meio da embaixada no Rio. A imagem da página física 98, reproduzida aqui, não é uma das fotos de Baraúna: é um desenho feito a partir da fotografia e assinado por Eric Aldwinckle. As fotos originais e os laudos não fazem parte deste arquivo.
Mais imagens do documento

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Publicação privada (relatório da NICAP): o texto em inglês não é reproduzido nem traduzido na íntegra. Cada bloco de translations traz uma síntese fiel, em português, do trecho do caso na página física indicada, com no máximo uma citação curta. As imagens são recortes das páginas do relatório. Foram sintetizados o caso 39 nas páginas 95 e 96, a linha 39 da tabela da página 92 e a legenda do desenho da página 98. Os demais casos fotográficos dessas páginas ficaram de fora por não pertencerem a este episódio.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 92
Página física 92, linha 39 da tabela de casos fotográficos
Na tabela de evidências fotográficas, a linha 39 registra "16 de janeiro de 1958, Ilha da Trindade, Brasil, sequência". A nota dada pela NICAP é "(*)", isto é, evidência potencialmente forte, que merece análise prioritária. O código de filme indica fotografia em preto e branco cuja cópia foi vista pela NICAP, sem análise completa possível.Nota editorial: A legenda dos códigos está no alto da mesma página.
Conferir original em inglês
[p. 92: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 92, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 95
Página física 95, coluna da direita: caso 39 (Ilha da Trindade), início, e acusação de fraude
A NICAP diz ter estudado cópias, mas não os negativos, das quatro exposições bem-sucedidas de um óvni em forma de Saturno, além dos relatos verbais. O objeto foi visto por volta do meio-dia de 16/01/1958 do convés do navio brasileiro do Ano Geofísico Internacional Almirante Saldanha pelo capitão José Teobaldo Viegas, oficial reformado da Força Aérea Brasileira, e por Amilar Vieira Filho, chefe de um grupo de exploradores submarinos. Eles alertaram Almiro Baraúna, fotógrafo submarino, que fez quatro fotos. Outros oficiais e marinheiros viram o objeto, entre eles o capitão-tenente Homero Ribeiro, dentista do navio. Viegas descreveu um disco com brilho fosforescente, mais brilhante que a Lua mesmo de dia, do tamanho aparente da Lua cheia, que ao se inclinar mostrou a forma de "uma esfera achatada" com um grande anel no equador. Em seguida, o texto resume a posição de Donald H. Menzel, que no livro de 1963 chamou as fotos de fraude porque Baraúna seria capaz de forjá-las e já teria feito um disco falso para um artigo, e porque várias testemunhas eram do mesmo grupo. A NICAP responde que outras testemunhas não eram do grupo e que não há prova de fraude. Diz ainda que, em 25/02/1958, a United Press informou do Rio que o Ministério da Marinha garantia as fotos e que o ministro, almirante Antônio Alves Câmara, após encontro com o presidente Kubitschek em Petrópolis, respondia pessoalmente pela autenticidade; e que o laboratório de reconhecimento fotográfico da Marinha e o Serviço Aerofotogramétrico Cruzeiro do Sul concluíram que não havia truque e que os negativos eram normais. Na mesma coluna, a página reproduz um fotograma de outro caso, legendado "21 de dezembro de 1962; Venezuela (caso 64)".Nota editorial: O relatório grafa "Barauna", "Jose Teobaldo Viegas" e "Antonio Alves Camara" sem acentos; o texto público usa a grafia brasileira.
Conferir original em inglês
[p. 95: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 95, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 96
Página física 96, coluna da esquerda: caso 39, conclusão
A correspondência entre grupos americanos e investigadores brasileiros trouxe informações sobre outros avistamentos semelhantes na Ilha da Trindade, que segundo a NICAP reforçam o de 16 de janeiro. Nenhuma suspeita de fraude teria sido levantada por J. Escobar Faria, advogado de São Paulo e consultor da NICAP, pelo médico Olavo Fontes, no Rio, representante da APRO, ou por outros correspondentes. Pesados os fatos, a NICAP conclui que as fotos parecem autênticas e estão entre as séries potencialmente mais significativas já registradas. Pede que Estados Unidos e Brasil levantem o sigilo, que os laudos dos laboratórios brasileiros sejam abertos a cientistas e que a Força Aérea americana divulgue o que apurou por meio da embaixada no Rio. Dados da foto: Rolleiflex 2.8 modelo E, 1/125, f/8, causando ligeira superexposição. O restante da página trata de outros casos (40 a 42) e reproduz a foto de Salem de 1952.Conferir original em inglês
[p. 96: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 96, contando a capa.
TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 98
Página física 98, legenda do desenho
A ilustração traz a legenda "16 de janeiro de 1958; Ilha da Trindade, Brasil. Desenho a partir de fotografia, por Eric Aldwinckle". Mostra um objeto achatado com um anel em volta, sobre o perfil escuro de picos da ilha.Conferir original em inglês
[p. 98: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 98, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 16/01/1958 — Data e hora aproximada (meio-dia) segundo o resumo da NICAP; a imprensa brasileira divulgou as fotos em fevereiro de 1958, segundo o mesmo texto.
- Documento
- 02/04/2001 — Data do carimbo de liberação CREST impresso em todas as páginas (Approved For Release 2001/04/02).
- Publicação
- 1964 — Ano de publicação do relatório "The UFO Evidence" pela NICAP.
Origem e divulgação
National Investigations Committee on Aerial Phenomena (NICAP), organização civil americana; relatório privado "The UFO Evidence" (1964). Cópia guardada no arquivo CREST da CIA (CIA-RDP81R00560R000100010001-0, liberada em 02/04/2001); a CIA guardou, não produziu nem validou o texto · CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
CIA CREST, CIA-RDP81R00560R000100010001-0, liberação de 02/04/2001 ↗ — undefined
Perguntas para continuar a investigação
- Os laudos do laboratório da Marinha e do Serviço Aerofotogramétrico Cruzeiro do Sul citados pela NICAP existem em arquivos brasileiros abertos?
- Que registro a Força Aérea americana guardou da apuração feita por meio da embaixada no Rio de Janeiro?
GEOGRAFIA DO CASO
Ilha da Trindade, Atlântico Sul, Brasil
Referência aproximada à ilha citada no relatório, posicionada pela redação. Não indica a posição exata do navio nem do objeto.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Página física 92: tabela dos casos fotográficos da NICAP (caso 39, nota e código do filme) · Páginas físicas 95 e 96: caso fotográfico 39, Ilha da Trindade, 16/01/1958 · Página física 98: desenho de Eric Aldwinckle feito a partir de uma das fotografias
CIA · 186 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


