Data: 28/07/1959, entre 14h10 e 14h20Local: Corpus Christi, Texas, EUA
Corpus Christi, 1959: dois filmes de Ray Stanford mostram uma luz parada, e a NICAP diz que não confirmam o relato de quatro objetos
O relatório privado da NICAP de 1964, guardado pela CIA, examina dois filmes coloridos feitos por Ray Stanford e um amigo em Corpus Christi, em 28 de julho de 1959. A NICAP concluiu que os filmes são registros autênticos de algum objeto no céu, mas que não confirmam o relato verbal de quatro objetos em forma de charuto e de um disco lançado por um deles.
- Data do evento
- 28/07/1959, entre 14h10 e 14h20
- Local
- Corpus Christi, Texas, EUA
- Tema
- Arquivo da CIA
- Órgãos das fontes
- CIA
- Documentos
- 1 documento · 186 páginas
- Leitura
- 8 min
Página do relatório NICAPPágina física 96FONTES DOCUMENTAIS · CIA
O que os registros contam
A fonte deste dossiê é o relatório "The UFO Evidence", publicado em 1964 pela NICAP (National Investigations Committee on Aerial Phenomena), entidade civil americana de pesquisa de óvnis. Uma cópia ficou no arquivo CREST da CIA e foi liberada em 2001, o que prova que a agência guardou o livro, não que o escreveu ou o validou. O caso fotográfico 42, nas páginas físicas 96 e 97, trata de dois filmes coloridos, um de 16 mm e outro de 8 mm, feitos por Ray Stanford e um amigo. Na lista da página 92, o caso recebe a classificação (X), duvidoso ou avaliação negativa, com o código de filme colorido analisado pela NICAP. A mesma lista traz um filme anterior de Stanford, de 18 de setembro de 1956, classificado como incompleto.
Segundo o relato de Stanford, a filmagem foi em Corpus Christi, no Texas, em 28 de julho de 1959, entre 14h10 e 14h20. Havia muitos avistamentos na região e os dois estavam com câmeras prontas. Stanford usou uma Keystone de 16 mm num tripé, com teleobjetiva de 75 mm; o amigo, uma Keystone de 8 mm na mão. Stanford disse ter visto três objetos em forma de charuto ao mesmo tempo, e um quarto logo depois. Um deles teria soltado um pequeno disco, que subiu a 45 graus e sumiu. Os objetos seriam nítidos e branco-azulados.
Os filmes mostram outra coisa. Só um objeto foi filmado, como uma luz brilhante, levemente oblonga, que não manobra; nos dois filmes também aparece o rastro de um avião que se curva perto do objeto. A NICAP não viu detalhe nem movimento apreciável. Vênus, então em destaque no céu, foi considerado e descartado porque a imagem crescia muito com a teleobjetiva maior. As manobras, os vários objetos e o lançamento do disco não foram confirmados pelos filmes, e os relatos das cerca de doze outras testemunhas prometidos por Stanford nunca chegaram.
O histórico da análise é longo. Max B. Miller, depois consultor da NICAP, viu os filmes revelados em Los Angeles antes do próprio Stanford. Os filmes chegaram à NICAP em março de 1960; Jack Brotzman, consultor científico, examinou o de 16 mm quadro a quadro num laboratório do governo. A pedido da Força Aérea, por meio de um intermediário, os filmes foram enviados a um representante militar na costa oeste e voltaram a Stanford mais de um ano depois, sem resultado de análise. Miller escreveu que as cenas idênticas nos dois filmes tornavam a simulação "extremamente improvável".
A NICAP diz ter levado em conta o histórico de Stanford: ele e o irmão publicaram por conta própria o livro "Look Up", com supostos contatos com naves espaciais, percepção extrassensorial e um capítulo sobre como as naves seriam construídas. Segundo o relatório, isso gerou uma suspeita natural, mas representantes da NICAP se impressionaram com a sinceridade dele e não acharam sinal de fraude ou adulteração. A conclusão é que os filmes registram algum objeto no céu, mas não sustentam o relato verbal e não são prova significativa de óvnis. Miller lembrou que a primeira hipótese foi um balão de polietileno, embora não conhecesse um com aquela forma.
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LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Publicação privada (relatório The UFO Evidence, da NICAP, 1964): o texto em inglês não é reproduzido nem traduzido na íntegra. Cada bloco de translations traz, em português, uma síntese fiel do trecho ou da página indicada (prosa da NICAP) ou a tradução linha a linha (tabelas, listas e mensagens oficiais reproduzidas), com no máximo uma citação curta. As imagens são recortes das páginas do relatório. Para este caso foram sintetizados o caso 42 nas páginas 96 (fim da coluna da esquerda e coluna da direita) e 97 (alto da coluna da esquerda) e o caso 31 da página 94, e traduzidas as entradas 31 e 42 da lista da página 92. Os filmes não estão reproduzidos no relatório. As opiniões sobre a testemunha são da NICAP e aparecem atribuídas. As páginas 94 e 97 inteiras estão sintetizadas no dossiê documental do relatório.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 92
Página física 92, entradas 31 e 42 da lista de casos fotográficos (trecho)
Entrada 31: classificação (Inc), incompleto, sem classificação possível por falta de informação; 18 de setembro de 1956, Ray Stanford, Califórnia; código cM/NN (filme colorido; a NICAP não conseguiu obtê-lo). Entrada 42: classificação (X), duvidoso ou avaliação negativa; 28 de julho de 1959, Ray Stanford, dois filmes; código cM/AN (filme colorido; analisado pela NICAP).Conferir original em inglês
[p. 92: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 92, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 94
Página física 94, caso fotográfico 31 (trecho)
Ray Stanford, Califórnia. Com uma câmera Wollensak de 8 mm e teleobjetiva, Stanford fez cerca de 6 pés de filme de um objeto "minúsculo, tremeluzente, entrando e saindo do campo de visão" (descrição de Max B. Miller). A sequência saiu muito subexposta por acidente. Filme Kodachrome para luz do dia. Fotos e relato na revista SAUCERS, outono de 1958; descrito originalmente em "Look Up", livro publicado por conta própria por Ray Stanford.Conferir original em inglês
[p. 94: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 94, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 96
Página física 96, caso fotográfico 42 (fim da coluna da esquerda e coluna da direita, trecho)
A NICAP soube dos dois filmes coloridos de Ray Stanford e de um amigo (um de 8 mm, outro de 16 mm) pela revista SAUCERS (outono-inverno de 1959-60), de Max B. Miller, que depois foi consultor fotográfico da NICAP e examinou os filmes. Depois de correspondência, os filmes e um formulário preenchido chegaram em 11 de março de 1960; outros formulários foram enviados para cerca de 12 outras testemunhas, e Stanford prometeu tentar obter relatos assinados. Jack Brotzman, consultor científico da NICAP na região de Washington, projetou o filme de 8 mm na sede e examinou o de 16 mm quadro a quadro no laboratório do governo onde trabalha. Miller, consultado, achou os filmes pouco impressionantes isoladamente, mas talvez significativos juntos, por terem cenas sobrepostas. Em junho de 1960 Stanford perguntou pela análise e contou que a Força Aérea, por meio de um intermediário, pedira cópias; ele autorizou o envio. A NICAP respondeu com conclusões preliminares: os filmes pareciam autênticos e o problema passava a ser de interpretação; seriam necessários os relatos verbais prometidos. Filmes e formulário foram enviados ao intermediário numa cidade da costa oeste (nomes e lugar omitidos a pedido do intermediário e do representante da Força Aérea). Mais de um ano depois, os filmes voltaram a Stanford pelo representante da Força Aérea, sem comentário sobre a análise. A história: filmagem em 28 de julho de 1959, entre 14h10 e 14h20, em Corpus Christi, Texas, onde houvera muitos avistamentos; Stanford usou uma Keystone K51 de 16 mm no tripé, teleobjetiva Kern Yvar de 75 mm, Kodachrome para luz do dia, cerca de f/10, 16 quadros por segundo; o amigo, uma Keystone K27 de 8 mm na mão, lente de 25 mm, Kodachrome tipo A, f/8, 16 quadros por segundo. Stanford avisou Miller por telefone em 1º de agosto; os filmes foram revelados em Los Angeles e vistos por Miller dias antes de chegarem a Stanford. Relato verbal: três óvnis em forma de charuto visíveis ao mesmo tempo e um quarto logo depois; um deles teria "soltado" um pequeno disco que subiu a cerca de 45 graus e sumiu; todos nítidos e branco-azulados. Só um objeto foi filmado, como fonte de luz brilhante e levemente oblonga, sem manobras; nos dois filmes aparece também o rastro de um avião curvando-se perto do óvni. Comentários da NICAP: sem detalhe e sem movimento apreciável; Vênus foi descartado porque a imagem crescia muito com a teleobjetiva maior; manobras, vários objetos e lançamento de disco não confirmados. Os relatos das outras testemunhas nunca chegaram. O histórico de Stanford foi considerado: com o irmão, escreveu o livro "Look Up", com supostos contatos com naves, percepção extrassensorial e um capítulo sobre construção e propulsão das naves; ele também fez em 18/09/1956 um filme de 8 mm que mostraria dois jatos perseguindo um óvni.Conferir original em inglês
[p. 96: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 96, contando a capa.
TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 97
Página física 97, alto da coluna da esquerda: conclusão do caso 42 (trecho)
Por esse histórico houve suspeita natural sobre o filme de 1959, mas representantes da NICAP que falaram com Stanford se impressionaram com sua sinceridade, e o exame da NICAP e de Max B. Miller não encontrou fraude nem adulteração. Conclusão: os filmes são registros autênticos de algum objeto no céu, mas não sustentam o relato verbal e não constituem prova significativa de óvnis. Comentários de Miller (SAUCERS, vol. VII, n. 3 e 4): o filme de 8 mm não tem resolução suficiente; o de 16 mm é excelente, mas a sequência é curtíssima, três ou quatro pés; uma ou duas cenas são idênticas nos dois filmes, o que torna a simulação "extremamente improvável"; na opinião dele, as câmeras filmaram um objeto visível, e superposição ou dupla exposição não explicam as imagens; o que era continua um enigma; a primeira possibilidade foi um balão de polietileno, mas ele não conhecia nenhum com aquela forma.Conferir original em inglês
[p. 97: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 97, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 28/07/1959 — Data e horário (14h10 a 14h20) do relato de Stanford reproduzido pela NICAP.
- Documento
- 02/04/2001 — Data do carimbo de liberação CREST impresso nas páginas (Approved For Release 2001/04/02).
- Publicação
- 1964 — Ano de publicação do relatório "The UFO Evidence" pela NICAP (maio de 1964).
Origem e divulgação
National Investigations Committee on Aerial Phenomena (NICAP), organização civil americana; relatório privado "The UFO Evidence" (1964), editado por Richard H. Hall. Cópia guardada no arquivo CREST da CIA (CIA-RDP81R00560R000100010001-0, liberada em 02/04/2001); a CIA guardou, não produziu nem validou o texto · CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
CIA CREST, CIA-RDP81R00560R000100010001-0, liberação de 02/04/2001 ↗ — undefined
Perguntas para continuar a investigação
- A Força Aérea chegou a analisar as cópias dos filmes enviadas pelo intermediário em 1960?
- Os relatos das cerca de doze outras testemunhas de Corpus Christi foram recolhidos por alguém?
GEOGRAFIA DO CASO
Corpus Christi, Texas
Referência aproximada à cidade, posicionada pela redação. O relato não dá o local exato da filmagem.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Página física 92: entradas 31 e 42 da lista de casos fotográficos (Ray Stanford), com classificação e código · Página física 94: caso fotográfico 31, filme de 8 mm de 1956 · Página física 96: caso fotográfico 42, histórico da análise e relato da filmagem de 28/07/1959 · Página física 97: conclusão da NICAP e comentários de Max B. Miller
CIA · 186 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


