UFOeUAPARQUIVO EM PORTUGUÊS

Data: 22/12/1962, por volta das 3hLocal: Aeroporto Internacional de Ezeiza, Buenos Aires, Argentina

Ezeiza, 1962: pilotos perguntam pelo rádio o que é a luz no fim da pista, e controladores veem objeto redondo subir e partir

Segundo o relatório The UFO Evidence, da NICAP, guardado pela CIA, os controladores Horacio Alora e Mario Pezzutto viram em Ezeiza, na madrugada de 22 de dezembro de 1962, um grande objeto redondo e incandescente na cabeceira de uma pista, depois que o comandante de um DC-8 e um piloto argentino perguntaram pelo rádio o que era aquilo. O objeto subiu uns dez metros, pairou e partiu para nordeste.

Arquivo da CIA
Data do evento
22/12/1962, por volta das 3h
Local
Aeroporto Internacional de Ezeiza, Buenos Aires, Argentina
Tema
Arquivo da CIA
Órgãos das fontes
CIA
Documentos
1 documento · 186 páginas
Leitura
8 min
Coluna de texto impresso em inglês que começa com a menção a pesquisadores argentinos e descreve o caso do aeroporto de Ezeiza em 22 de dezembro de 1962.Página do relatório NICAPPágina física 123
Página do relatório NICAP · NICAP (texto do relatório) · Página física 123 do arquivo divulgado. Trecho da página com o relato de Ezeiza: os controladores Alora e Pezzutto, a pergunta do comandante do DC-8 pelo rádio e o objeto redondo e incandescente que subiu da cabeceira da pista e partiu para nordeste. Página física 123 do exemplar da CIA do relatório NICAP de 1964. É texto da entidade civil, sem documento oficial argentino; não há foto do objeto. Fonte documental ↗ · Ampliar imagem ↗

FONTES DOCUMENTAIS · CIA

O que os registros contam

O caso está na parte sobre a Argentina do relatório The UFO Evidence, publicado em 1964 pela NICAP, entidade civil americana. A CIA guardou um exemplar do livro, liberado em 2001; isso não indica que a agência tenha investigado o episódio. A NICAP diz ter recebido detalhes de casos argentinos da embaixada do país em Washington e de pesquisadores locais, entre eles Thomas Williams, de Buenos Aires, Christian Vogt, da comissão CODOVNI, e o engenheiro William Kalocai, do centro CIFE, de Bahía Blanca. O texto não diz de qual deles veio o relato de Ezeiza.

Segundo a NICAP, por volta das 3h de 22 de dezembro de 1962, os controladores de torre Horacio Alora e Mario Pezzutto acompanhavam um avião da Aerolíneas Argentinas prestes a decolar e um jato DC-8 da Panagra, empresa ligada à Pan American, que se aproximava para pousar. Um dos controladores passava instruções de pouso quando o comandante do jato interrompeu pelo rádio perguntando o que era aquilo no fim da pista. Logo depois, um dos pilotos do avião argentino fez a mesma pergunta.

Alora se virou e viu, na cabeceira da pista que o texto chama de “1-0-2-8”, um grande objeto redondo com brilho intenso, como de fogo. Pelo que a NICAP descreve, o objeto tinha descido enquanto os dois controladores olhavam para os aviões. Por causa do brilho, Alora não conseguiu dizer se ele tocara o chão ou se pairava logo acima da pista. No momento em que se virou, o objeto subiu cerca de dez metros, ficou parado por um instante e depois acelerou depressa em direção nordeste. Antes de sumir, também foi visto por Pezzutto.

O relato tem pontos fortes para a verificação: data, hora, nomes dos controladores, empresas dos dois aviões e a chamada pelo rádio de duas tripulações diferentes. Mas tudo chega pela redação da NICAP, sem nota de fonte específica, sem gravação das comunicações, sem relatório das autoridades aeronáuticas argentinas e sem os nomes dos pilotos. A designação “1-0-2-8” não corresponde à forma usual de numerar pistas e pode juntar as duas cabeceiras de uma mesma pista; o livro não explica. As distâncias e a altura de dez metros são estimativas de quem estava na torre, à noite e diante de uma luz forte.

A NICAP usa o episódio para contrastar a Argentina com os Estados Unidos: diz que, na onda de 1962, casos importantes eram noticiados livremente na televisão argentina e que militares do país divulgavam conclusões, como a da Marinha sobre a existência de fenômenos luminosos anormais relatados por pilotos navais em maio daquele ano. Essa avaliação é da entidade, que fazia campanha contra o sigilo da Força Aérea americana.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

The UFO Evidence é publicação privada da NICAP (1964). A página não foi transcrita nem traduzida na íntegra: o bloco traz uma síntese fiel da página inteira em português, com no máximo uma citação curta, cobrindo também os outros assuntos (México, América Central, Argentina, Brasil) para que toda a página fique coberta.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 123

Página física 123 (impressa 119), página inteira: Alasca (nota), México, América Central, América do Sul (Argentina, com Córdoba, Espora, Floresta e Ezeiza) e início do Brasil (comissão CBPCOANI, Porto Alegre e o avião perto do Rio)

Nota: o Alasca já é um dos Estados Unidos, mas entra nesta seção pela posição geográfica. México: na onda de 1949-1950 houve muitas notícias de OVNIs sobre o país; por exemplo, o Los Angeles News de 14 e 15/03/1950 publicou despacho da United Press da Cidade do México segundo o qual centenas de pessoas viram quatro discos sobre a capital e um sobre Monterrey, com observadores de aeronaves treinados e meteorologistas entre as testemunhas (seção V); houve muitos outros nos 12 anos seguintes. Em 1958, Rafael Aveleyra, ministro da embaixada do México em Washington, escreveu à NICAP que, segundo informação do governo, não fora recebido nenhum relato no México e por isso não houvera investigação oficial [nota 10]. América Central: OVNIs vistos com regularidade sobre o golfo do México, o Caribe e a América Central (caso do golfo do México de 06/12/1952; caso do guarda-costas Sebago, 05/11/1957, seção VIII). Em 23/01/1959, o New York Times noticiou que um objeto prateado brilhante, que cruzou em arco o céu do canal do Panamá, fora rastreado por radar americano. Uma associada da NICAP em El Salvador, que visitou o escritório em 1961, disse que os avistamentos eram muito comuns em seu país e assunto corrente, inclusive nas escolas. América do Sul: o mesmo vale para a maioria dos países; pelo menos cinco têm organizações ativas, e Argentina e Brasil trataram o assunto com mais franqueza que qualquer outra nação. Argentina: carta da embaixada argentina de 10/10/1958 pediu à NICAP dados sobre sua estrutura, alcance e objetivos, porque oficiais da Força Aérea argentina estudavam criar um órgão semelhante [nota 11]. No aeroporto de Córdoba, em 25/11/1954, dois objetos luminosos pairaram quase uma hora e foram relatados pelo Dr. Marcos Guerci, chefe do serviço meteorológico, pelo controlador de torre Carlos Bassoli e muitos outros; um era quase semicircular, como um disco de perfil, o outro circular; segundo relatório oficial divulgado pela embaixada, Guerci disse acreditar ter visto “algo alheio ao nosso conhecimento” [nota 12]. A série mais recente começou em maio de 1962 e seguiu o ano todo, com pousos relatados que deixaram marcas e manchas no chão, fenômenos luminosos muito manobráveis e efeitos eletromagnéticos (seção XII, cronologia argentina). Em 22/05/1962, uma formação de pilotos da Marinha viu OVNIs quatro vezes em cerca de 35 minutos perto da base aeronaval Espora; numa delas, por volta das 19h20, o aluno piloto Roberto Wilkinson relatou que um objeto luminoso atrás do avião iluminou sua cabine e que a transmissão de rádio falhou quando ele passou por baixo [nota 13]. Os avistamentos continuaram, muitos em torno de aviões e aeroportos; sobre o distrito de Floresta, em 08/09/1962, o tenente Juan José Vico viu um OVNI lenticular de aspecto de metal polido, com manobras suaves e aparentemente controladas. Das investigações militares saíram duas declarações: o capitão Luis Sánchez Moreno, pela Marinha, disse à imprensa que a Marinha se preocupava constantemente com OVNIs desde a grande onda mundial de 1952; e o relatório divulgado pela embaixada após os casos de maio concluiu que os testemunhos dos pilotos oficiais e do pessoal do curso de voo indicavam a existência de fenômenos luminosos anormais. Além da embaixada, a NICAP agradece a Thomas Williams (Fundación Williams, Buenos Aires), a Christian Vogt, secretário da Comisión Observadora de Objetos Voladores No Identificados (CODOVNI), e ao engenheiro William Kalocai, diretor do Centro Investigador de Fenómenos Espaciales (CIFE), de Bahía Blanca [nota 14]. No aeroporto internacional de Ezeiza, Buenos Aires, em 22/12/1962, por volta das 3h, os controladores Horacio Alora e Mario Pezzutto observavam um avião da Aerolíneas Argentinas prestes a decolar e um DC-8 da Panagra em aproximação; quando um deles passava instruções de pouso, o comandante do jato perguntou o que era aquilo no fim da pista, e logo um piloto argentino fez a mesma pergunta; Alora viu um grande objeto redondo com brilho intenso de fogo na cabeceira da pista 1-0-2-8; pelo brilho, não soube dizer se tocara o chão; o objeto subiu uns dez metros, pairou, acelerou e partiu para nordeste, visto também por Pezzutto. Na onda de 1962, casos importantes foram noticiados livremente na televisão, em contraste, diz a NICAP, com a política sigilosa dos EUA. Brasil: atividade quase constante nos últimos 10 a 15 anos, em número e qualidade ao menos iguais aos dos EUA, e desde 1952 relatada muito mais abertamente. Em 1958, a maioria dos investigadores experientes formou a Comissão Brasileira de Pesquisa Confidencial sobre Objetos Aéreos Não Identificados (CBPCOANI), para promover investigação científica internacional; entre os membros, o Dr. J. Escobar Faria (advogado e autor, conselheiro da NICAP), o Dr. Olavo Fontes (médico, conselheiro da APRO, de Tucson), o Prof. Flávio Pereira (presidente, também do Conselho Científico da Sociedade Interplanetária Brasileira) e o comandante A. B. Simões (funcionário de companhia aérea e escritor); a comissão inclui representantes das Forças Armadas, e, como na Argentina, o tema é visto como problema que justifica órgãos civis e militares. Quase toda grande cidade costeira, base militar e aeroporto do Brasil teria sido visitado, com testemunhas de alta patente, autoridades e cientistas. Uma formação de objetos circulares prateados, aparentemente mecânicos, foi vista por oficiais e praças da FAB, pessoal de companhia aérea e civis sobre a base aérea de Porto Alegre em 24/10/1954 [nota 15]; a página reproduz um despacho de agência de notícias sobre o caso (resumido no dossiê de Porto Alegre). Em 21/11/1954, um incidente saiu na primeira página de jornais da América do Sul, da América Central e da Inglaterra, mas aparentemente não nos EUA: um avião de passageiros brasileiro, à noite, perto do Rio de Janeiro, encontrou 19 objetos brilhantes em forma de disco, que passaram em alta velocidade a cerca de 300 pés do avião, causando pânico entre os passageiros (continua na página seguinte).

Nota editorial: O número da pista aparece como “1-0-2-8” no original. A tradução de “summer” no caso de Floresta foi omitida porque a NICAP fala de verão do hemisfério norte (setembro de 1962), o que seria inverno na Argentina.

Conferir original em inglês
[p. 123: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 123, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
22/12/1962 — Por volta das 3h, segundo a NICAP.
Documento
Não estabelecida — Sem documento datado; o relato é da redação da NICAP.
Publicação
1964 — The UFO Evidence, NICAP, 1964; exemplar da CIA liberado em 02/04/2001.

Origem e divulgação

NICAP (autoria); CIA (guarda do exemplar, série CREST CIA-RDP81R00560R000100010001-0) · CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf

Páginas físicas 123 examinadas no fac-símile.

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Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • Há registro da torre de Ezeiza ou das gravações das comunicações de 22/12/1962 em arquivo argentino?
  • Quem eram os pilotos do DC-8 da Panagra e do avião da Aerolíneas Argentinas, e eles deixaram relato próprio?

GEOGRAFIA DO CASO

Aeroporto Internacional de Ezeiza, Buenos Aires, Argentina

Referência aproximada do aeroporto de Ezeiza, posicionada pela redação. Não indica a cabeceira de pista citada no relato.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf

    Página física 123 (impressa 119): parte sobre a Argentina, relato do aeroporto de Ezeiza, no relatório NICAP The UFO Evidence (1964), cópia CREST da CIA

    CIA · 186 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

UMA HISTÓRIA LEVA A OUTRA

Continue explorando.

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Trecho datilografado com o título July 14, 1951; White Sands, N.M.Página do relatório NICAP

Arquivo da CIA1951Local: Estação de rastreamento de mísseis do campo de provas de White Sands, Novo México, EUA

White Sands, 1951: radar, binóculo e 200 pés de filme registram objeto perto de um B-29, segundo a NICAP

Segundo o relatório privado da NICAP de 1964, guardado pela CIA, dois operadores de radar de uma estação de rastreamento de mísseis em White Sands captaram um objeto rápido na manhã de 14 de julho de 1951, enquanto um rastreador via com binóculo um objeto grande perto de um B-29. Um terceiro observador teria feito 200 pés de filme de 35 mm, que nunca foi divulgado.

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Texto datilografado sobre os filmes de Ray Stanford, com o subtítulo The StoryPágina do relatório NICAP

Arquivo da CIA1959Local: Corpus Christi, Texas, EUA

Corpus Christi, 1959: dois filmes de Ray Stanford mostram uma luz parada, e a NICAP diz que não confirmam o relato de quatro objetos

O relatório privado da NICAP de 1964, guardado pela CIA, examina dois filmes coloridos feitos por Ray Stanford e um amigo em Corpus Christi, em 28 de julho de 1959. A NICAP concluiu que os filmes são registros autênticos de algum objeto no céu, mas que não confirmam o relato verbal de quatro objetos em forma de charuto e de um disco lançado por um deles.

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Fotograma escuro com ponto claro circulado e quadro ampliado de mancha luminosaFotograma de filme reproduzido no relatório NICAP

Arquivo da CIA1962Local: Salto Ángel (Angel Falls), Venezuela; filmagem feita de um avião DC-3 de turismo

Salto Ángel, Venezuela, 1962: turista filma de um DC-3 um objeto amarelado subindo diante da montanha

Segundo o relatório privado da NICAP guardado pela CIA, o turista Ali R. Diaz, de Caracas, filmou em cores um objeto amarelado em forma de gota subindo diante do Auyantepui durante um voo turístico ao Salto Ángel. Quando o relatório foi escrito, o filme estava com um cientista nos Estados Unidos para análise, e o adido da Força Aérea americana já o tinha visto.

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