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19 e 20/07/1952 e 26/07/1952, segundo a reportagem / Washington, D.C., e arredores, EUA

Washington, julho de 1952: ecos no radar e caças no ar, contados pela New Yorker que o FBI arquivou

A reportagem da New Yorker de 6 de setembro de 1952 guardada pelo FBI descreve as duas noites de julho em que radares de Washington mostraram alvos não identificados e caças foram enviados. Barnes, que acompanhava o radar, escreveu que não sabia o que eram; a Força Aérea atribuiu parte dos ecos a fenômenos do tempo.

Arquivo do FBI
Data do evento
19 e 20/07/1952 e 26/07/1952, segundo a reportagem
Local
Washington, D.C., e arredores, EUA
Tema
Arquivo do FBI
Órgãos das fontes
FBI
Documentos
2 documentos · 329 páginas
Leitura
6 min
Página de revista com o título Something in the Sky em colunas de textoRecorte de revistaPágina física 75
Recorte de revista · The New Yorker, 06/09/1952, reportagem de Daniel Lang; exemplar arquivado pelo FBI · Página física 75 do arquivo divulgado. Primeira página da reportagem "Something in the Sky", de Daniel Lang, na seção "A Reporter at Large" da New Yorker. O texto abre com a onda de relatos de 1947 e o início das investigações da Força Aérea. Página física 75 da Section 7. Recorte da revista arquivado pelo FBI; mostra o texto publicado, não é documento oficial nem prova de nenhum avistamento. Fonte documental ↗ · Ampliar imagem ↗

FONTES DOCUMENTAIS · FBI

O que os registros contam

O arquivo de discos voadores do FBI guarda páginas recortadas da reportagem "Something in the Sky" ("Algo no céu"), de Daniel Lang, publicada na New Yorker em 6 de setembro de 1952. O exemplar chegou ao Bureau anexado a um memorando da Força Aérea, porque o FBI queria contestar um trecho sobre si mesmo. A reportagem conta a história dos discos desde 1947 e dedica parte do texto às noites de julho de 1952 em que os radares da capital americana registraram alvos que ninguém soube identificar.

A parte do recorte que narra o começo da primeira noite não está no arquivo: a página física 82 termina antes e a 83 já começa no meio do relato. O que se lê é que um piloto de linha, Pierman, viu luzes brilhantes, parecidas com estrelas cadentes, mas três delas se moviam na horizontal; outro piloto viu uma luz perto da asa e Barnes, que acompanhava a tela, achou um eco correspondente no radar. Outros pilotos na área não viram nada. Perto do amanhecer, Barnes contou dez ecos estranhos ao mesmo tempo na tela.

A revista cita o texto escrito por Barnes: ele não via outra conclusão senão a de que, por seis horas, na madrugada de 20 de julho, houve ao menos dez objetos não identificáveis se movendo sobre Washington. Não eram, na sua opinião, aviões comuns, e nem estrelas cadentes, interferências elétricas ou nuvens explicariam os pontos no radar. "Exatamente o que são, eu não sei", escreveu. É a avaliação de quem operava o radar, reproduzida por uma revista, e não uma conclusão oficial.

Uma semana depois, às 21h08 de 26 de julho, o radar do Centro de Controle de Tráfego Aéreo e o da base aérea de Andrews voltaram a mostrar alvos. Dois caças a jato vieram de uma base perto de New Castle, em Delaware. Um dos pilotos viu quatro luzes a cerca de dez milhas à frente, um pouco acima, que sumiram enquanto ele tentava alcançá-las; vinte minutos depois viu "uma luz branca fixa", que também desapareceu. Um porta-voz da Força Aérea disse que não havia prova de que fossem discos voadores, nem de que não fossem.

Segundo a revista, a repercussão levou o general John Samford, diretor de Inteligência da Força Aérea, a dar uma entrevista coletiva. Ele disse que as testemunhas mais espetaculares eram muitas vezes confiáveis, mas nenhuma trouxera dados úteis a um cientista, resumiu o problema como "relatos de observadores dignos de crédito sobre coisas incríveis" e negou experiências secretas. O informativo que o Pentágono dava à imprensa naquele ano atribuía parte dos ecos de radar a camadas de ar quente que refletem objetos do solo, as inversões térmicas.

Outras páginas do mesmo recorte trazem o major Boggs, antigo elo entre Wright Field e o comando em Washington, dizendo que é impossível provar que ninguém viu um disco, e o capitão Ruppelt estimando em cerca de 20% os casos que acabavam "não identificados". Tudo isso é jornalismo: vozes de militares e civis filtradas pelo repórter. Para as noites de Washington, os papéis do FBI não trazem relatórios de radar, registros de voo dos caças nem o relatório de Barnes; só a versão publicada.

O arquivo do FBI guarda também, no volume SUB A, dois recortes de jornal sobre a segunda noite, escritos dias depois dos fatos. O Washington Post de 27 de julho de 1952 diz que o primeiro eco apareceu às 21h08 e que pelo menos uma dúzia de objetos foi vista brilhando num raio de 30 milhas da cidade. Às 23h25, dois caças F-94 do Comando de Defesa Aérea subiram; os pilotos viram as luzes, difíceis de acompanhar, mas não chegaram a menos de 7 milhas delas. Às 23h33, um deles viu quatro luzes perto da base de Andrews, que estavam “realmente se movendo”, e às 23h49 uma luz branca fixa a leste de Mount Vernon, que se apagou em um minuto.

Segundo o jornal, os interceptadores não viram mais nada depois disso, embora o radar continuasse a registrar os alvos. Pilotos de linhas aéreas, particulares e militares descreveram luzes azuis, uma ponta de cigarro acesa ou um grupo de luzes laranja e vermelhas; os operadores calcularam velocidades de 38 a 90 milhas por hora, sem conseguir a altitude, e um porta-voz da CAA disse que os ecos pareciam os de aviões comuns. Horários e distâncias da notícia não coincidem inteiramente com os da New Yorker; as duas versões são jornalísticas.

Um recorte de 30 de julho, que a folha do FBI atribui ao New York Compass, traz a entrevista coletiva do general Samford no dia 29: especialistas estariam convencidos de que “causas naturais” explicavam os discos, e o radar começava a revelar coisas para as quais não fora construído, como auroras e efeitos atmosféricos depois de uma onda de calor. O mesmo texto registra doze novos pontos não identificados na tela da CAA na madrugada de 29 de julho, enquanto o radar da Força Aérea num campo vizinho nada registrou.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

A reportagem da New Yorker é texto de revista protegido por direitos autorais: o dossiê traz síntese e citações curtas, e as cinco páginas do recorte nesta seção (75, 77, 82, 83 e 84) entram como imagem. Não há documento do governo nestas páginas a traduzir; os memorandos do FBI e da Força Aérea sobre o artigo e o informativo do Pentágono estão traduzidos na íntegra no dossiê relacionado sobre o informativo. As páginas 76, 78 e 79 do mesmo recorte já estão nos dossiês de Kenneth Arnold e de Chiles-Whitted e Gorman.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 58

Ação dos caças F-94, Washington Post, 27/07/1952, página física 58

Os pilotos disseram ter visto as luzes, mas não conseguiram chegar a menos de cerca de 7 milhas delas.

Nota editorial: Citação breve conferida no fac-símile.

Conferir original em inglês
The pilots reported seeing the lights, but were not able to get any closer to them than about 7 miles.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 58, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 58

Luzes perto de Andrews, Washington Post, 27/07/1952, página física 58

O piloto disse que não conseguia se aproximar delas e que estavam “realmente se movendo”.

Nota editorial: Citação breve conferida no fac-símile.

Conferir original em inglês
The pilot said he wasn't able to close on them, and they were "really moving."

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 58, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 58

Elementos do FBI na folha, página física 58

Washington Post, página 1M. Data: 27 jul. 1952. 62-83894-A. NÃO REGISTRADO. 98. 31 jul. 1952. 70. 4 ago. 1952.

Nota editorial: Carimbos e anotações da folha de circulação conferidos no fac-símile; as iniciais e rubricas manuscritas não foram transcritas.

Conferir original em inglês
Wash. Post 1M. Date: JUL 27 1952. 62-83894-A NOT RECORDED 98 JUL 31 1952. 70 AUG 4 1952.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 58, contando a capa.

TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 55

Declaração do general Samford, recorte de 30/07/1952, página física 55

Acho que o radar está começando a nos dizer muitas coisas que ele não foi construído para descobrir

Nota editorial: Citação breve conferida no fac-símile; o restante da frase cita auroras e condições atmosféricas depois de uma onda de calor.

Conferir original em inglês
I think radar is beginning to tell us a great many things it was not built to discover

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 55, contando a capa.

TRECHO 5 · PÁGINA FÍSICA 55

Elementos do FBI na folha, página física 55

N.Y. Compass, pp. 3 e 16. Data: 30/07/1952. 62-83894-A. NÃO REGISTRADO. 98. 18 ago. 1952.

Nota editorial: Anotação manuscrita do jornal e da data conferida em ampliação do fac-símile. Um segundo carimbo de data, no canto inferior esquerdo, está cortado (“AU...”).

Conferir original em inglês
N.Y. Compass pp. 3 & 16. Date: 7-30-52. 62-83894-A NOT RECORDED 98 AUG 18 1952.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 55, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
20/07/1952 — Madrugada de 20/07/1952 segundo a citação de Barnes; segunda noite em 26/07/1952, às 21h08.
Documento
06/09/1952 — Edição da New Yorker.
Publicação
06/09/1952 — Data da revista; o FBI recebeu o exemplar anexado ao memorando da Força Aérea de 30/09/1952.

Origem e divulgação

FBI, custódia do recorte; autoria: Daniel Lang, The New Yorker · 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_7.pdf

Páginas físicas 75, 77 e 82 a 84, conferidas no fac-símile. As anotações 'page 79, 80' e 'page 81, 82' ao lado dos recortes são da montagem do arquivo.

Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • Onde estão, nos arquivos oficiais, os registros de radar e de voo das noites de 19-20 e 26 de julho de 1952?
  • O que dizia a parte da reportagem sobre o início da primeira noite, ausente do recorte?

GEOGRAFIA DO CASO

Washington, D.C., e arredores

Referência aproximada da capital, posicionada pela redação. Os alvos foram vistos em radares de Washington e de Andrews; o ponto não indica posição de nenhum objeto.

RASTRO DOCUMENTAL

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As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_7.pdf

    Páginas físicas 75, 77 e 82 a 84: páginas da reportagem 'Something in the Sky', de Daniel Lang, The New Yorker, 06/09/1952, arquivadas pelo FBI

    FBI · 205 páginas
  2. 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_SUB_A.pdf

    SUB A, página física 58: recorte do Washington Post, 27/07/1952 · SUB A, página física 55: recorte de 30/07/1952 atribuído pelo FBI ao N.Y. Compass, pp. 3 e 16

    FBI · 124 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

UMA HISTÓRIA LEVA A OUTRA

Continue explorando.

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