Data: 06/09/1952 (edição da revista)Local: Nova York (revista); Washington e Dayton, Ohio (assuntos da reportagem)
Nova York, 1952: a reportagem “Something in the Sky”, da New Yorker, conta a história do Projeto Saucer e foi guardada pelo FBI
O arquivo do FBI guarda páginas recortadas da reportagem “Something in the Sky”, publicada pela The New Yorker em 6 de setembro de 1952, que resume a investigação da Força Aérea sobre os discos voadores e cita militares e cientistas. Este dossiê traz só uma síntese e a imagem do recorte, por se tratar de texto de revista.
- Data do evento
- 06/09/1952 (edição da revista)
- Local
- Nova York (revista); Washington e Dayton, Ohio (assuntos da reportagem)
- Tema
- Arquivo do FBI
- Órgãos das fontes
- FBI
- Documentos
- 1 documento · 205 páginas
- Leitura
- 5 min
Recorte de revistaPágina física 75FONTES DOCUMENTAIS · FBI
O que os registros contam
A seção 7 do arquivo do FBI guarda páginas do recorte da reportagem “Something in the Sky” (“Algo no céu”), da seção “A Reporter at Large”, da revista The New Yorker de 6 de setembro de 1952, páginas 64 a 82. A primeira folha traz a anotação do FBI “Clipped from The New Yorker, September 6, 1952, pages 64 through 82”, o número 62-83894-320 e a marca de anexo. Segundo o memorando da Força Aérea de 30 de setembro de 1952, o autor é Daniel Lang. Este dossiê traz síntese e imagem do recorte, sem tradução, por ser texto de revista. O debate sobre o trecho que cita o FBI está no dossiê sobre o informativo do Pentágono, e os casos de Washington, no dossiê sobre os ecos de radar.
A reportagem começa na Força Aérea de meados de 1947, diante dos primeiros relatos de “discos”, e resume a reação do país: editoriais cautelosos, cartas ao Presidente e ao Congresso e três linhas de suspeita entre os leitores, a de manobra russa, a de visita de outro planeta e a de teste secreto da própria Força Aérea. Conta que a investigação aberta em 22 de janeiro de 1948 ficou conhecida como Projeto Saucer. Foi chefiada a princípio pelo tenente-general Benjamin Chidlaw, tinha base em Wright Field, Dayton, e recebeu astrônomos, psicólogos, físicos, meteorologistas, médicos e representantes do FBI. Em dezembro de 1949, depois de checar 375 relatos em dois anos, a Força Aérea deu o assunto por encerrado em público, mas sem desfazer o projeto.
O autor diz ter conversado em Washington com o brigadeiro-general Ernest Moore, então chefe da Inteligência da Força Aérea, e com o major Boggs, elo entre Wright Field e o alto comando. Boggs, na versão da revista, argumenta que é impossível provar com lógica e em definitivo que não há discos e que ninguém os viu, e explica a onda de relatos: o céu está cheio de aviões e de balões, mais gente olha para cima do que antes, e o público não esqueceu que a bomba atômica ficou três anos em segredo. A matéria também lembra que mais de quinhentas organizações soltam balões.
Vários casos são revistos. O de Chiles e Whitted, de 1948, aparece com as hipóteses levantadas pelo projeto, entre elas a de um meteoro brilhante, e com a observação de um psicólogo de que até pessoas de alta capacidade se enganam sobre o que veem. No do piloto Gorman, em Fargo, o projeto suspeitou de um balão meteorológico iluminado, solto dez minutos antes. A revista cita ainda um resto de balão incendiário japonês achado por um fazendeiro, uma foto de Phoenix que o físico Irving Langmuir teria julgado tirada de um pedaço de papel levado pelo vento e relatos tratados como trote, como o de um “disco” em chamas num telhado de Seattle, que seria um tambor de compensado pintado com “USSR”. Tudo isso é a versão da revista; os casos têm dossiês próprios.
Os cientistas consultados, segundo a matéria, procuraram explicações físicas e consideraram e rejeitaram naves espaciais, aeronaves hostis, discos que viajassem em feixes e antigravidade. Um deles nota que a pequena área coberta pelos relatos sugere origem terrestre, “física ou psicológica”. O capitão Ruppelt, descrito como oficial responsável pelos estudos, diz que, depois de afastar balões, aviões e meteoros, resta um resíduo de cerca de 20% de casos “não identificados”, entre eles relatos de um inspetor da aviação civil em Terre Haute, de um piloto perto de Battle Creek e de um oficial naval em Lakehurst. Ele afirma que 25% dos observadores entrevistados em dois anos e meio eram pilotos militares e 8%, pilotos comerciais.
As páginas finais tratam de 1952. A revista narra as noites de julho em Washington, com ecos no radar e dois caças enviados em 26 de julho, e a entrevista do general John Samford, que disse ter muitos relatos de observadores confiáveis sobre coisas incríveis, mas nenhum dado útil a um cientista, e negou que a Força Aérea encobrisse experimentos secretos. Registra a foto da Guarda Costeira em Salem, em 1º de agosto, e o experimento de um físico do Exército em Fort Belvoir, em 6 de agosto, que reproduzia em laboratório luzes semelhantes.
Como fonte, a reportagem é jornalismo de 1952: vozes de militares e cientistas filtradas por um repórter, sem relatórios anexados. Ela documenta a posição pública da Força Aérea naquele momento: a maioria dos relatos tem explicação, um resíduo de cerca de um quinto continua sem ela e não há prova de origem extraterrestre nem de arma secreta. As afirmações sobre o que o FBI fazia, sobre cada caso e sobre os números vêm da revista e das fontes que ela cita, e nenhum documento do arquivo as confirma.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Publicação privada de revista: este dossiê traz só a síntese e a imagem da primeira folha do recorte, sem tradução das páginas (75 e 77 a 84). A página 76 do mesmo recorte está no dossiê de Kenneth Arnold, e as páginas 69 a 74 e 85, com o memorando da Força Aérea, o informativo do Pentágono e a lista de remessa do FBI, no dossiê sobre o informativo do Pentágono.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- Não estabelecida — Não se aplica: a reportagem reúne episódios de 1947 a 1952.
- Documento
- Não estabelecida — O recorte entrou no arquivo do FBI no fim de setembro de 1952, junto de um memorando da Força Aérea de 30/09/1952.
- Publicação
- 06/09/1952 — The New Yorker, edição de 6 de setembro de 1952.
Origem e divulgação
Federal Bureau of Investigation (arquivo 62-HQ-83894) · 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_7.pdf
Páginas físicas 75 e 77 a 84 da Seção 7 do arquivo 62-HQ-83894 (recorte da revista).
Relatos relacionados e suas diferenças
- Pentágono, 1952: o informativo sobre discos voadores e a New Yorker
- Washington, julho de 1952: ecos no radar e caças no ar
- Avistamento atribuído a Kenneth Arnold
- Dois encontros aéreos em 1948
- Salem, 1952: a Força Aérea devolve à Guarda Costeira o negativo
Perguntas para continuar a investigação
- Que fontes militares deram a Daniel Lang as informações citadas na reportagem?
GEOGRAFIA DO CASO
Nova York (revista) e Washington (assuntos)
A reportagem reúne vários episódios, sem um local único.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_7.pdf
Páginas físicas 75 e 77 a 84: recorte da reportagem “Something in the Sky”, de The New Yorker, 06/09/1952, páginas 64 a 82 da revista; a p. 76 está no dossiê de Kenneth Arnold
FBI · 205 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


