Data: Verão de 1948, segundo relato de 1961 (dia não informado)Local: Base aérea de Goose Bay, Labrador (então Terra Nova)
Goose Bay, verão de 1948: diante de uma comitiva de inspeção, radares americano e canadense captam alvo a 9.000 milhas por hora, segundo major reformado
No relatório privado da NICAP de 1964, guardado pela CIA, o major reformado Edwin A. Jerome conta que, no verão de 1948, os radares de aproximação americano e canadense de Goose Bay captaram um alvo a cerca de 9.000 milhas por hora durante a visita de uma comitiva de inspeção, e que no dia seguinte mostraram um objeto quase parado a 45.000 pés. A explicação oficial, segundo ele, foi meteoro e depois "gaivotas de grande altitude".
- Data do evento
- Verão de 1948, segundo relato de 1961 (dia não informado)
- Local
- Base aérea de Goose Bay, Labrador (então Terra Nova)
- Tema
- Arquivo da CIA
- Órgãos das fontes
- CIA
- Documentos
- 1 documento · 186 páginas
- Leitura
- 6 min
Página do relatório NICAPPágina física 88FONTES DOCUMENTAIS · CIA
O que os registros contam
A fonte deste dossiê é o relatório "The UFO Evidence", publicado em 1964 pela NICAP (National Investigations Committee on Aerial Phenomena), entidade civil americana de pesquisa de óvnis. Uma cópia ficou no arquivo CREST da CIA e foi liberada em 2001, o que prova que a agência guardou o livro, não que o escreveu ou o validou. Nas páginas físicas 88 e 89, a NICAP publica um relato enviado em 1961 pelo major reformado Edwin A. Jerome, da Força Aérea. Segundo o livro, Jerome era piloto de comando, foi chefe da polícia aérea por cerca de oito anos e serviu como oficial de inteligência e investigador criminal. Em 1948 ele estava em Goose Bay, no Labrador, e diz que fazia parte da "modesta" estrutura de relatórios de inteligência da base.
Jerome conta que uma comitiva de inspeção de alto nível, com oficiais da Força Aérea Real Canadense e da Força Aérea americana, até a patente de general pelo que lembrava, visitava as instalações de radar da base, então um ponto de reabastecimento para aviões militares e civis das rotas do Atlântico Norte. No barracão do radar americano de aproximação controlada do solo, o operador viu na tela um alvo rápido indo de nordeste para sudoeste, a cerca de 9.000 milhas por hora pelo cálculo. O técnico foi repreendido pelo suposto erro, mas o alvo voltou e foi mostrado aos inspetores.
A reação, segundo Jerome, foi concluir que o equipamento americano estava descalibrado. A comitiva seguiu para o radar canadense, e o oficial responsável contou ter acabado de ver o mesmo alvo "inacreditável". Jerome diz que foi chamado para fazer um relatório de inteligência urgente. A teoria corrente era de um meteoro, que ele descartou porque os operadores dos dois lados disseram que o alvo manteve 60.000 pés e cerca de 9.000 milhas por hora. No dia seguinte, os dois radares mostraram um objeto pairando sobre a base a uns 10 milhas por hora, a 45.000 pés.
A versão oficial para esse segundo caso, diz ele, foi a de que seriam "gaivotas de grande altitude". Jerome lembra que tudo ocorreu antes dos jatos rápidos, dos mísseis e dos helicópteros de altitude recorde. Ele acrescenta uma lembrança de outro período: numa missão no Alasca, por volta de 1960, os sistemas de alerta antecipado registraram muitas vezes objetos rápidos não identificados, moradores da costa do mar de Bering relataram aparelhos parecidos com mísseis voando muito baixo, e a Força Aérea negou a presença de aviões russos.
O relato foi escrito cerca de treze anos depois, de memória, sem data exata e sem o relatório de inteligência que Jerome diz ter feito. As velocidades e altitudes são as que ele atribui aos operadores; não há registro de radar reproduzido. O site tem dois dossiês de Goose Bay de 1948, de 29 e 31 de outubro, baseados em fichas do Projeto Sign, com alvos lentos de 25 a 30 milhas por hora. Pela estação do ano e pelas velocidades, o relato de Jerome não parece tratar desses mesmos episódios, mas a identidade não pode ser descartada sem a data.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Publicação privada (relatório The UFO Evidence, da NICAP, 1964): o texto em inglês não é reproduzido nem traduzido na íntegra. Cada bloco de translations traz, em português, uma síntese fiel do trecho ou da página indicada (prosa da NICAP) ou a tradução linha a linha (tabelas, listas e mensagens oficiais reproduzidas), com no máximo uma citação curta. As imagens são recortes das páginas do relatório. Para este caso foram sintetizados o fim da coluna da direita da página 88 e o alto da coluna da esquerda da página 89. As páginas inteiras estão cobertas no dossiê documental do relatório (p. 88) e em dossiês da primeira rodada (p. 89).
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 88
Página física 88, coluna da direita: "Summer 1948; Goose Bay, Labrador" (trecho)
O major Edwin A. Jerome, da Força Aérea (reformado), passou as informações seguintes à NICAP em 1961. Ele foi piloto de comando, chefe da polícia aérea por cerca de 8 anos e também serviu como oficial de inteligência e investigador do CID. Relato: seu único contato real com o problema dos óvnis foi no verão de 1948, em Goose Bay, Labrador. Uma comitiva de inspeção de alto nível visitava as instalações de radar da base, cuja missão era servir de base principal de reabastecimento e manutenção para todos os aviões militares e civis das rotas do Atlântico Norte; o GCA (radar de aproximação controlada do solo) era parte crítica desse quadro, daí a presença de oficiais da RCAF e da USAF até a patente de general, pelo que lembrava. Durante a inspeção do barracão de radar da USAF, o operador notou na tela um alvo rápido indo de nordeste para sudoeste; calculada, a velocidade deu cerca de 9.000 milhas por hora. O incidente causou grande consternação, pois não era hora para brincadeira ou erro de cálculo diante dos inspetores, e o técnico foi repreendido pelo aparente erro. O alvo apareceu de novo, e dessa vez os inspetores o viram na tela; a única reação foi dizer que o equipamento americano estava muito descalibrado. A comitiva foi então inspecionar o GCA canadense, e na chegada o oficial responsável relatou...Conferir original em inglês
[p. 88: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 88, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 89
Página física 89, alto da coluna da esquerda: fim do relato do major Jerome (trecho)
...o alvo mais inacreditável que tinham acabado de ver. Os inspetores ficaram estarrecidos com a coincidência. Jerome, parte da "modesta" estrutura de relatórios de inteligência da base, foi chamado para fazer um relatório de inteligência imediato e urgente. A teoria predominante era a de um meteoro; ele a descartou porque, entrevistados, os operadores de radar dos dois lados da base disseram que o alvo manteve altitude de 60.000 pés e velocidade de aproximadamente 9.000 milhas por hora. No dia seguinte, os dois radares relataram um objeto pairando sobre a base a cerca de 10 milhas por hora, a 45.000 pés; a história "oficial" foi a de que seriam provavelmente "gaivotas de grande altitude". Ele lembra que tudo isso foi antes dos jatos rápidos de grande altitude, dos mísseis e dos helicópteros que hoje batem recordes de altitude. Acréscimo de Jerome: na sua recente missão no Alasca (por volta de 1960), conheceu bem os sistemas de alerta antecipado e de defesa aérea da linha DEW e dos setores de defesa do Alasca; muitas vezes foram percebidos objetos não identificados de alta velocidade que não podiam ser explicados como veículos normais penetrando os setores; muitos moradores da costa do mar de Bering relataram aparelhos parecidos com mísseis voando muito baixo e muito rápido; a Força Aérea negou com veemência a presença de aviões russos e, quando se sugeriu que pudessem ser extraterrestres, todos se calaram.Nota editorial: A parte da coluna da esquerda sobre o Japão (15/10/1948) e Fürstenfeldbruck já está em dossiês da primeira rodada.
Conferir original em inglês
[p. 89: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 89, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- Não estabelecida — O relato dá apenas "verão de 1948"; foi enviado à NICAP em 1961.
- Documento
- 02/04/2001 — Data do carimbo de liberação CREST impresso nas páginas (Approved For Release 2001/04/02).
- Publicação
- 1964 — Ano de publicação do relatório "The UFO Evidence" pela NICAP (maio de 1964).
Origem e divulgação
National Investigations Committee on Aerial Phenomena (NICAP), organização civil americana; relatório privado "The UFO Evidence" (1964), editado por Richard H. Hall. Cópia guardada no arquivo CREST da CIA (CIA-RDP81R00560R000100010001-0, liberada em 02/04/2001); a CIA guardou, não produziu nem validou o texto · CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
CIA CREST, CIA-RDP81R00560R000100010001-0, liberação de 02/04/2001 ↗ — undefined
Relatos relacionados e suas diferenças
Perguntas para continuar a investigação
- O relatório de inteligência urgente que Jerome diz ter feito em 1948 está nos arquivos do Projeto Sign?
- O episódio do verão de 1948 tem alguma relação com os ecos de radar de Goose Bay de 29 e 31 de outubro de 1948?
GEOGRAFIA DO CASO
Goose Bay, Labrador
Referência aproximada à base de Goose Bay, posicionada pela redação. Não indica a trajetória do alvo.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Página física 88: início de "Summer 1948; Goose Bay, Labrador", relato do major Edwin A. Jerome · Página física 89: fim do relato do major Jerome
CIA · 186 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


