Data: 09/07/1957 a 14/02/1960 (casos reunidos); declarações oficiais de 1952 a 1963Local: Hamilton (Ontário), lago Erie e Windsor, Montreal, Nome e Unalakleet (Alasca)
Canadá e Alasca, 1957-1960: torre de St. Hubert, piloto da Trans-Canada e um tubo de fogo sobre Nome no levantamento da NICAP
A seção de relatos estrangeiros do relatório The UFO Evidence, da NICAP, guardado pela CIA, abre com o Canadá e o Alasca: quatro casos de 1957 a 1960, entre eles uma luz vermelha que pairou sobre a base de St. Hubert e um tubo prateado que soltava chama sobre Nome, e uma série de declarações da Força Aérea canadense e do governo. É um conjunto de resumos curtos, com fontes de imprensa e cartas.
- Data do evento
- 09/07/1957 a 14/02/1960 (casos reunidos); declarações oficiais de 1952 a 1963
- Local
- Hamilton (Ontário), lago Erie e Windsor, Montreal, Nome e Unalakleet (Alasca)
- Tema
- Arquivo da CIA
- Órgãos das fontes
- CIA
- Documentos
- 1 documento · 186 páginas
- Leitura
- 9 min
Página do relatório NICAPPágina física 122FONTES DOCUMENTAIS · CIA
O que os registros contam
O relatório The UFO Evidence foi publicado em 1964 pela NICAP, entidade civil americana, e uma cópia ficou nos arquivos da CIA, liberada em 2001. A seção X, sobre relatos estrangeiros, começa pelo Canadá, que, segundo a NICAP, teve uma história de avistamentos paralela à dos Estados Unidos. Em 1952 a inteligência da Real Força Aérea Canadense teria dito que os discos não podiam ser descartados como ilusões de óptica, e em 1953 o Departamento de Transportes montou um laboratório, o Projeto Magnet, chefiado pelo engenheiro W. B. Smith. Depois do fim do projeto, em 1954, Smith declarou que a análise estatística indicava 91% de chance de que alguns casos fossem objetos reais de origem desconhecida.
Os casos canadenses escolhidos pela NICAP são curtos. Em 9 de julho de 1957, um advogado de Hamilton, Ontário, e outra pessoa viram às 21h05 um objeto elíptico branco passar rápido de sudoeste para nordeste. Em 12 de dezembro de 1957, por volta das 19h, o comandante J. A. Miller, da Trans-Canada Air Lines, entre Toronto e Windsor, viu um objeto oval laranja girando a cerca de 2.000 pés, que cruzou o lago Erie, voltou e sumiu; funcionários do aeroporto de Windsor e policiais do sul do condado de Essex também o teriam visto. A fonte desse caso é o jornal Windsor Daily Star.
Em 12 de abril de 1959, por volta das 20h, operadores da torre da base aérea de St. Hubert, em Montreal, e muitas outras pessoas viram um objeto avermelhado pairar sobre a base por vários minutos e partir para o norte. Um porta-voz da Força Aérea canadense teria dito que, para ela, era um objeto genuinamente não identificado. Na mesma época, moradores do norte de Montreal viram um objeto vermelho pairar baixo sobre um campo e subir soltando faíscas. A fonte é um despacho da United Press International de 13 de abril de 1959.
No Alasca, já então um estado americano, a NICAP destaca o 14 de fevereiro de 1960. Por volta das 16h40, funcionários de companhias aéreas e outros moradores de Nome viram um objeto prateado em forma de tubo, com chama laranja na cauda, que foi para lés-nordeste e subiu em curva. Outro parecido foi visto em Unalakleet, rumo noroeste, deixando rastros. Cinco dias depois, a Força Aérea americana disse que eram meteoros. As fontes são três jornais do Alasca. A página lembra ainda a perseguição de um alvo de radar por três F-94 no norte do Alasca em 22 de janeiro de 1952.
A segunda metade do texto trata da atitude oficial. Em 1960 e 1961, cartas da Força Aérea canadense a membros da NICAP diziam que os relatos eram avaliados com os americanos pelo procedimento JANAP 146, que os resultados não eram públicos e que não havia ameaça conhecida. O ministro da Defesa, Douglas Harkness, escreveu em 1961 que nada fora achado que não pudesse ser natural ou engano. A NICAP vê nessas respostas a mesma ênfase tranquilizadora da Força Aérea americana. Os casos não têm documento oficial nas páginas: são resumos da entidade baseados em jornais, relatórios de membros e cartas que ela diz guardar.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
The UFO Evidence é publicação privada da NICAP (1964). As páginas não foram transcritas nem traduzidas na íntegra: o bloco da página física 122 traz síntese fiel da página inteira, e o da página física 130 traz as notas 1 a 9, que indicam as fontes dos casos canadenses e do Alasca. Mantida no máximo uma citação curta por página.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 122
Página física 122 (impressa 118), página inteira: abertura da seção X, “Foreign Reports”; panorama geral; Hemisfério Ocidental: Canadá e Alasca
Seção X, Relatos estrangeiros. Epígrafe atribuída ao Dr. J. Allen Hynek, consultor científico da Força Aérea para OVNIs (revista Yale Scientific, abril de 1963): os discos voadores não são uma peculiaridade americana; a Inglaterra teve mais relatos por milha quadrada que os Estados Unidos, a França teve uma grande onda no outono de 1954, e Brasil, Espanha, Itália, Austrália, Canadá e até países da Cortina de Ferro também deram origem a relatos.
Panorama da atividade de OVNIs no exterior, do interesse público e das atitudes oficiais: segundo a NICAP, a imprensa americana às vezes dá a impressão de que o fenômeno é sobretudo nacional, o que as provas a seguir desmentiriam; quase todos os países tiveram relatos de testemunhas idôneas, a maioria teve investigações oficiais, em geral militares e não científicas, e há organizações privadas em todos os continentes. Navios no mar relataram objetos estranhos (caso do U.S.S. Supply, seção II); há poucos relatos polares por falta de população, mas o aumento de gente nas bases científicas da Antártida trouxe alguns, e até nativos de ilhas remotas do Pacífico Sul relataram OVNIs. O levantamento é uma pequena amostra de milhares de relatos, declarações oficiais e opiniões, dividido em A. Hemisfério Ocidental, B. Hemisfério Oriental e C. Oceania e Antártida.
A. Hemisfério Ocidental. América do Norte. Canadá: história de avistamentos paralela à dos EUA; os primeiros relatos levaram a aceitar os OVNIs como realidade e a criar um laboratório do governo em 1952-53. Em 16/04/1952, a inteligência da Real Força Aérea Canadense (RCAF) declarou publicamente que os discos voadores não podiam ser descartados como ilusões de óptica e os chamou de fenômeno genuíno; o astrofísico Dr. Peter Millman disse que não se podia rir dessas observações [nota 1]. No outono de 1953, o Departamento de Transportes anunciou um laboratório para provar ou refutar os relatos, com equipamento para detectar raios gama, flutuações magnéticas e ruídos de rádio, chefiado pelo engenheiro W. B. Smith, depois membro do painel de conselheiros da NICAP. Encerrado o projeto oficial em 1954 por causa de publicidade considerada embaraçosa, Smith declarou que as conclusões do Projeto Magnet, baseadas em análise estatística rigorosa, eram: 91% de probabilidade de que ao menos alguns avistamentos fossem de objetos reais de origem desconhecida e cerca de 60% de probabilidade de que fossem veículos alienígenas [nota 2].
Avistamentos canadenses típicos: 09/07/1957, um advogado de Hamilton, Ontário, com outra testemunha, viu um objeto elíptico branco brilhante passar em alta velocidade de sudoeste para nordeste, por volta das 21h05 [nota 3]. 12/12/1957, o comandante J. A. Miller, piloto da Trans-Canada Air Lines, entre Toronto e Windsor por volta das 19h, viu um objeto oval laranja girando a cerca de 2.000 pés, em velocidade enorme; cruzou o lago Erie, foi visto numa área ampla, voltou sobre o lago e sumiu; entre as testemunhas, funcionários do aeroporto de Windsor e policiais de todos os destacamentos do sul do condado de Essex [nota 4]. 12/04/1959, operadores da torre da base aérea de St. Hubert, em Montreal, e muitos outros, por volta das 20h, viram um OVNI avermelhado pairar sobre a base por vários minutos e sair para o norte; um porta-voz da RCAF declarou: “Foi um OVNI genuíno, no que nos diz respeito” [nota 5]; na mesma época, moradores do norte de Montreal viram um OVNI vermelho, descrito ora como redondo, ora como charuto, pairar baixo sobre um campo e subir depressa soltando faíscas por baixo.
Declarações oficiais posteriores seguiram a política americana. Em carta de 1960 a um membro da NICAP, o capitão de grupo L. C. Dilworth, pelo chefe do Estado-Maior Aéreo da RCAF, disse que a RCAF adotara o procedimento JANAP 146 (D) para relatar avistamentos vitais de inteligência, inclusive OVNIs, que se interessava por todos esses relatos em conjunto com as forças americanas e os avaliava sistematicamente, que os resultados não eram divulgados e que qualquer ameaça ao Canadá ou aos EUA se refletiria nos planos militares [nota 6]. Em 1961, a estação Comox da RCAF, na Colúmbia Britânica, escreveu que a maioria dos relatos UFOB no quartel-general não era classificada, que não havia razão para suspeitar de retenção de informação, que os fenômenos não ameaçavam a América do Norte pelo que se sabia, e que Comox não recebia as diretrizes do AFR 200-2 americano, mas tinha um guia de relato [nota 7]. A NICAP comenta que, como nos EUA, a ênfase em garantir que não há ameaça sugere que quem pergunta teria medo, e não curiosidade. Em 1961, o ministro da Defesa, Douglas S. Harkness, escreveu a um membro que as investigações oficiais não revelaram prova positiva de nada que afetasse o bem-estar nacional e não pudesse ser atribuído a fenômenos naturais ou engano; em 1963, a investigação militar cabia ao comandante do Comando de Defesa Aérea, e a informação compilada pela RCAF não estava disponível ao público [nota 8].
Alasca: muitos avistamentos (seção XI). Caso típico, 14/02/1960: funcionários de companhias aéreas e outros, em Nome, por volta das 16h40, viram um objeto prateado em forma de tubo soltando chama laranja pela cauda; foi para lés-nordeste e depois subiu em curva, como se fosse tripulado e controlado. Outro semelhante foi visto em Unalakleet no mesmo dia, indo depressa para noroeste e deixando rastros [nota 9]; cinco dias depois, a Força Aérea dos EUA disse que eram meteoros. Três interceptadores F-94 da Força Aérea perseguiram em 22/01/1952 um OVNI rastreado por radar de terra e de bordo num posto de radar do norte do Alasca (seção VIII, radar).Conferir original em inglês
[p. 122: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 122, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 130
Página física 130 (impressa 126), notas 1 a 9 da seção X
1. Ottawa Journal. 2. Cópia de declaração nos arquivos da NICAP. 3. Relatório nos arquivos da NICAP. 4. Windsor Daily Star, 13/12/1957. 5. United Press International, 13/04/1959. 6. Carta nos arquivos da NICAP. 7. Carta nos arquivos da NICAP. 8. Declarações do comandante de ala William M. Lee, diretor de relações públicas da RCAF, nos arquivos da NICAP. 9. Fairbanks Daily News-Miner, 16/02/1960; Anchorage Daily News, 16/02/1960; Anchorage Daily Times, 15/02/1960.Conferir original em inglês
[p. 130: texto da publicação privada não reproduzido; ver o resumo]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 130, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- Não estabelecida — Conjunto de casos: 09/07/1957 (Hamilton), 12/12/1957 (Toronto-Windsor), 12/04/1959 (St. Hubert), 14/02/1960 (Nome e Unalakleet), além da menção a 22/01/1952 (norte do Alasca).
- Documento
- Não estabelecida — Cartas oficiais canadenses citadas de 1960, 1961 e 1963, sem dia e mês.
- Publicação
- 1964 — The UFO Evidence, NICAP, 1964; exemplar da CIA liberado em 02/04/2001.
Origem e divulgação
NICAP (autoria); CIA (guarda do exemplar, série CREST CIA-RDP81R00560R000100010001-0) · CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Páginas físicas 122, 130 examinadas no fac-símile.
undefined ↗ — undefined
Relatos relacionados e suas diferenças
- Labrador, 1954: comandante Howard e seis objetos
- The UFO Evidence, 1964: o relatório da NICAP no arquivo da CIA
Perguntas para continuar a investigação
- Os registros da torre de St. Hubert de 12/04/1959 e o relatório do comandante Miller foram preservados nos arquivos canadenses de OVNIs?
- A Força Aérea americana deixou relatório próprio sobre os objetos de Nome e Unalakleet que classificou como meteoros?
GEOGRAFIA DO CASO
Vários locais no Canadá (Ontário e Quebec) e no Alasca
Dossiê com casos em lugares diferentes; sem ponto único no mapa.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- CIA-RDP81R00560R000100010001-0_NICAP-The-UFO-Evidence_1964.pdf
Páginas físicas 122 (impressa 118: Canadá e Alasca) e 130 (impressa 126: notas 1 a 9, fontes) do relatório NICAP The UFO Evidence (1964), cópia CREST da CIA
CIA · 186 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


