Setembro de 1973, cerca de uma semana antes do fim da missão; debriefing de 04/10/1973 / Órbita terrestre, visto da janela da estação Skylab
Skylab 3, 1973: o ponto vermelho que girava e acompanhou a estação por dez minutos
No debriefing da segunda tripulação do Skylab, Owen Garriott, Jack Lousma e Alan Bean descrevem um objeto avermelhado, mais brilhante que Júpiter, que variava de brilho a cada 10 segundos e seguiu a estação por cerca de dez minutos. Para eles era um satélite em órbita muito parecida, mas ninguém lhes disse qual, e Garriott pediu a identificação.
- Data do evento
- Setembro de 1973, cerca de uma semana antes do fim da missão; debriefing de 04/10/1973
- Local
- Órbita terrestre, visto da janela da estação Skylab
- Tema
- Relatos de astronautas
- Órgãos das fontes
- NASA
- Documentos
- 1 documento · 11 páginas
- Leitura
- 4 min
FONTES DOCUMENTAIS · NASA
O que os registros contam
A segunda tripulação do Skylab, com Alan Bean, Owen Garriott e Jack Lousma, passou de julho a setembro de 1973 na estação espacial americana. O debriefing técnico, datado de 4 de outubro de 1973, trata do objeto em dois lugares: numa conversa sobre o que viam pela janela e na seção formal de avistamentos visuais. Garriott o chama de “uma das coisas mais incomuns que vimos”. Foi Lousma quem o notou pela janela da sala de refeições, cerca de uma semana antes da amerissagem.
Garriott descreve um objeto avermelhado e brilhante, seguido por cinco a dez minutos. Na seção de avistamentos, detalha: parecia uma estrela vermelha bem grande, muito mais brilhante que Júpiter ou qualquer planeta, e avermelhada mesmo bem acima do horizonte, quando a luz do Sol não passava rente à borda da Terra. O brilho variava num período de quase exatamente 10 segundos, o que ele interpretou como rotação. Ficou mais vermelho perto do pôr do sol.
O dado que Garriott usa para estimar a distância é o momento em que a luz se apagou. A estação entrou na sombra da Terra e o objeto se apagou cerca de cinco segundos depois. Desse atraso de 5 a 10 segundos, a tripulação deduziu que ele estava a não mais de 30 a 50 milhas náuticas, uns 55 a 90 quilômetros. Nos dez minutos de observação, ele se deslocou só 10 a 20 graus na janela, o que indicava uma órbita muito próxima da deles.
Lousma acrescenta que o objeto nunca tomou forma; era sempre um ponto de luz, mais brilhante que qualquer estrela ou planeta. Bean diz que tentaram os monitores e “tudo mais”, sem conseguir transformá-lo em algo além de uma luz forte, e que nunca mais o viram. Lousma diz ter visto outros satélites durante um experimento, mas como pontos iguais a estrelas; aquele, segundo ele, “não era como um que você vê da Terra”.
A tripulação não duvidava de que fosse um satélite. A dúvida era qual: “que satélite era e como foi parar numa órbita tão parecida, ninguém nunca nos explicou”, diz Garriott, que pede a identificação e informa que horário e local estão nas gravações de bordo. O documento não traz resposta. Na mesma seção, Lousma lembra que um brilho de “milhares e milhares de estrelas” ao nascer do Sol os levou a descobrir um vazamento no sistema de controle da nave.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Transcrição da NASA, obra do governo dos EUA: as duas descrições de Garriott e os comentários de Bean e Lousma foram traduzidos após conferência no fac-símile; os trechos sobre alarmes foram omitidos.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 5
Primeira descrição, página física 5 (7-4)
Esse objeto avermelhado e brilhante estava lá fora e o acompanhamos por uns 5 ou 10 minutos. Era obviamente um satélite numa órbita muito parecida com a nossa. Estava girando, com um período de quase exatamente 10 segundos, porque dava para ver o brilho variar nesse período. [...] Que satélite era e como foi parar numa órbita tão parecida, ninguém nunca nos explicou. E eu gostaria de ouvir algumas palavras de alguém sobre esse satélite.Nota editorial: Conferido no fac-símile; fala de Garriott.
Conferir original em inglês
This bright reddish object was out there and we tracked it for about 5 or 10 minutes. It was obviously a satellite in a very similar orbit to our own. It was rotating and had a period of almost exactly 10 seconds because you could see the brightness vary with that period. [...] What satellite it was and how it happened to end up in such a similar orbit, no one ever explained to us. And I would like to hear a few words from someone about that satellite.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 5, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 6
Bean e Lousma, página física 6 (7-5)
Vale observar que ele nunca tomou a forma de um objeto, mas era sempre mais brilhante que qualquer outra estrela ou planeta no céu noturno. Muito mais brilhante. / Tentamos os monitores e tudo mais nele, mas nunca conseguimos transformá-lo em algo além de uma luz forte.Nota editorial: Conferido no fac-símile; falas de Lousma e de Bean.
Conferir original em inglês
You might point out that it never did take the shape of an object but it was always brighter than any other star or planet in the night sky. It was much brighter. / We tried monitors and everything on it but we could never make it into anything other than a bright light.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 6, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 8
Estimativa de distância, página física 8 (20-2)
Nós o observamos por uns 10 minutos, até entrarmos na escuridão, e ele também nos seguiu para a escuridão cerca de 5 segundos depois. Pelo atraso de 5 a 10 segundos no seu desaparecimento, deduzimos que não estava a mais de 30 a 50 milhas náuticas de nós. [...] Nunca o vimos em órbitas anteriores ou seguintes, e teríamos bastante interesse em ver sua identificação estabelecida.Nota editorial: Conferido no fac-símile; fala de Garriott.
Conferir original em inglês
We observed it for about 10 minutes, until we went into darkness, and it also followed us into darkness about 5-seconds later. From the 5- to 10-second delay in it's disappearance we surmised that it was not more than 30 to 50 nautical miles from our location. [...] We never saw it on any - earlier or succeeding orbits and we'd be quite interested in having its identification established.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 8, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 09/1973 — Garriott situa o episódio “cerca de uma semana antes da amerissagem” (p. 5) e “uma semana ou 10 dias antes da recuperação” (p. 7). A missão terminou em 25/09/1973, segundo a cronologia pública.
- Documento
- 04/10/1973 — Data da capa do debriefing técnico Skylab 1/3 (p. 4).
- Publicação
- Não estabelecida — Publicado pela NASA no release 1 dos arquivos UAP.
Origem e divulgação
NASA, Lyndon B. Johnson Space Center; Training Office, Crew Training and Simulation Division · NASA-UAP-D7-Skylab-Technical-Crew-Debriefing-1973.pdf
Páginas 5 a 8 conferidas no fac-símile; capa (p. 4) lida pelo texto extraído. O PDF reúne trechos de três debriefings do Skylab.
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Relatos relacionados e suas diferenças
- Skylab 4, 1973-1974: luzes piscando do lado de fora
- Gemini IV, 1965: o “satélite” que McDivitt perdeu de vista perto do Havaí
- Apollo 17, 1972: o objeto piscante “lá longe”
Perguntas para continuar a investigação
- As gravações do canal A citadas por Garriott permitem saber o horário e a posição da observação?
- Algum órgão respondeu depois ao pedido de identificação do satélite?
GEOGRAFIA DO CASO
Órbita terrestre
Observação feita da estação em órbita; o documento não informa sobre que região da Terra a estação passava.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- NASA-UAP-D7-Skylab-Technical-Crew-Debriefing-1973.pdf
Página física 4: capa do debriefing técnico Skylab 1/3, de 04/10/1973; p. 5 a 8 (numeração interna 7-4, 7-5, 20-1 e 20-2): o objeto avermelhado
NASA · 11 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.
