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Maio e junho de 1973 (missão Skylab 2); debriefing de 30/06/1973 / Estação espacial Skylab, em órbita da Terra

Skylab 2, 1973: os clarões que Conrad, Kerwin e Weitz viam de olhos fechados, "não são alucinação"

No debriefing técnico da primeira tripulação do Skylab, o médico-astronauta Joseph Kerwin abre o item "fenômeno visual incomum ou inesperado" dizendo que todos viram clarões de luz, às vezes dois ou três por minuto, sobretudo de olhos fechados. Weitz e Conrad descrevem riscos de "entrada e saída" que atribuíram a partículas cósmicas.

Relatos de astronautas
Data do evento
Maio e junho de 1973 (missão Skylab 2); debriefing de 30/06/1973
Local
Estação espacial Skylab, em órbita da Terra
Tema
Relatos de astronautas
Órgãos das fontes
NASA
Documentos
1 documento · 11 páginas
Leitura
5 min

FONTES DOCUMENTAIS · NASA

O que os registros contam

A primeira tripulação a morar no Skylab, Pete Conrad, Joseph Kerwin e Paul Weitz, ficou 28 dias em órbita, entre maio e junho de 1973. O debriefing técnico, datado de 30 de junho e preparado pelo setor de treinamento do Centro Espacial Johnson, traz na capa o aviso de que o documento poderia ser isento de divulgação pública. O arquivo publicado reúne só duas páginas desse debriefing, as de número 23-20 e 23-21, com o item que Kerwin, médico da tripulação, chama de "fenômeno visual incomum ou inesperado".

"Vimos clarões de luz. Acho que todos nós vimos", diz Kerwin. Ele os via mais quando estava no saco de dormir, à noite, de olhos fechados e acordado. A frequência aumentava e diminuía; em certos momentos eram dois ou três por minuto. Alguém lhe perguntou se isso coincidia com a Anomalia do Atlântico Sul, região onde o cinturão de radiação da Terra chega mais perto da superfície. "Pode ter sido", respondeu, mas ele não tinha as anotações naquela hora e não sabia.

Conrad descreve alguns como um ponto ou uma explosão de luz, e outros como riscos, menos frequentes. Quase todos apareciam na visão periférica, e ele não sabia por quê. Perguntados se dava para saber em que olho surgiam, Kerwin diz que não conseguiu, Weitz diz que os seus eram sobretudo no olho esquerdo, e Conrad afirma que, com concentração, dá para saber. Kerwin admite que foi tolice não ter tentado e diz ter certeza de que surgem num olho só.

Conrad conta que, às vezes, deitado de olhos semicerrados, via piscar um sensor de incêndio da estação. Kerwin alerta que era preciso cuidado para não confundir as duas coisas e conclui: "Não são alucinação". Weitz diz que viu alguns que achou serem partículas cósmicas, com "um risco de entrada e um risco de saída", como se atravessassem de um lado do olho para o outro, e Conrad concorda. Kerwin acrescenta que a tripulação não achou necessário, do ponto de vista operacional, que alguém soubesse disso naquele momento.

O relato é da tripulação, sem medição nem conclusão institucional no trecho. A explicação aceita hoje, descrita pela NASA nas fichas dos áudios dos debriefings da Apollo 14 e da Apollo 17, é que raios cósmicos de alta energia atravessam o olho e atingem a retina, produzindo a percepção de clarões e riscos. As descrições de Weitz e Conrad, com trajetos de entrada e saída, já apontavam nessa direção. O mesmo fenômeno aparece nos relatos de Aldrin, na Apollo 11, e de Cernan, na Apollo 17.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Tradução integral da capa (p. 1) e das duas páginas do debriefing do Skylab 2 (p. 2 e 3), conferidas no fac-símile. As páginas 4 a 11 do mesmo PDF são dos debriefings do Skylab 3 e 4 e já estão traduzidas nos dossiês skylab-3-ponto-vermelho-em-orbita-1973 e skylab-4-luzes-piscando-fora-da-estacao-1973-1974 (p. 5, 6, 8 e 10); as p. 4, 7, 9 e 11 ficam para ampliação desses dossiês.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 1

Capa, página física 1, íntegra

JSC-08053. SKYLAB 1/2: DEBRIEFING TÉCNICO DA TRIPULAÇÃO. 30 DE JUNHO DE 1973. PREPARADO PELO SETOR DE TREINAMENTO, DIVISÃO DE TREINAMENTO E SIMULAÇÃO DA TRIPULAÇÃO. AVISO: Este documento pode ser isento de divulgação pública nos termos da Lei de Liberdade de Informação (5 U.S.C. 552). Pedidos de liberação a pessoas de fora do governo dos EUA devem ser tratados conforme a Diretriz de Política da NASA 1382.2. Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, CENTRO ESPACIAL LYNDON B. JOHNSON, Houston, Texas.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. "Skylab 1/2" designa a primeira tripulação (Skylab 2) na estação lançada como Skylab 1.

Conferir original em inglês
JSC-08053. SKYLAB 1/2 TECHNICAL CREW DEBRIEFING. JUNE 30, 1973. PREPARED BY TRAINING OFFICE, CREW TRAINING AND SIMULATION DIVISION. NOTICE: This document may be exempt from public disclosure under the Freedom of Information Act (5 U.S.C. 552). Requests for its release to persons outside the U.S. Government should be handled under the provisions of NASA Policy Directive 1382.2. National Aeronautics and Space Administration, LYNDON B. JOHNSON SPACE CENTER, Houston, Texas.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 1, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 2

Página física 2 (23-20), íntegra

KERWIN (CONTINUAÇÃO): Fenômeno visual incomum ou inesperado. Vimos clarões de luz. Acho que todos nós vimos. Eu os via mais quando estava no saco de dormir, à noite, de olhos fechados, mas acordado, naturalmente. A frequência tendia a aumentar e diminuir. Alguém me perguntou se isso coincidia com a Anomalia do Atlântico Sul. Pode ter sido. Eu não estava com o bloco de anotações naquela hora e não sei. Às vezes eram numerosos: dois ou três por minuto. CONRAD: Para mim, alguns eram um ponto ou explosões de luz. Alguns eram riscos. Os riscos, no meu caso, eram menos frequentes que as explosões. A maioria ficava no meu campo visual periférico. Muito poucos no campo visual central. Não sei por quê. PERGUNTA: Vocês conseguiam isolá-los num só olho, não conseguiam? KERWIN: Não, eu não conseguia. WEITZ: Eu diria que os meus eram principalmente no olho esquerdo, por algum motivo. CONRAD: É preciso se concentrar, mas dá para determinar que estão num olho só. KERWIN: Eu não fiz isso. Foi tolice minha, mas não tentei. Tenho certeza de que estão num olho só. 23-20

Nota editorial: Conferido no fac-símile. O texto automático trocou os nomes dos interlocutores na margem ("Q,UERY", ":::oNRAD", ":IBRWIN"); corrigidos pela imagem, em que a primeira fala depois da de Kerwin é de Conrad.

Conferir original em inglês
KERWIN (CONT'D): Unusual or Unexpected Visual Phenomenon. We saw light flashes. I think all of us saw them. I saw them most often when I was in the sack at night with my eyes closed but awake naturally. They tended to wax and wane in frequency. Someone asked me if that was in conjunction with the South Atlantic anomaly. It may have been. I didn't have the pad with me at that time and I don't know. They were numerous at times - two or three per minute. CONRAD: Some of them to me were a spot or sunbursts. Some were streaks. The streaks, in my case, were less frequent than the bursts. Most of them were in my peripheral visual field. Very few in the central visual field. I don't know why. QUERY: You could isolate them to one eye, couldn't you? KERWIN: No, I couldn't. WEITZ: I would say mine were primarily in the left eye for some reason. CONRAD: You have to concentrate but you can determine they are in one eye. KERWIN: I did not. That was foolish of me but I didn't try. I'm sure they are in one eye. 23-20

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 2, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 3

Página física 3 (23-21), íntegra

CONRAD: Às vezes eu estava deitado de olhos semicerrados e via um sensor de incêndio piscar. KERWIN: E era preciso tomar cuidado para não confundir isso com o clarão. Depois de ver alguns de cada, fica a dúvida sobre qual é qual. Não são alucinação. KERWIN: Não achamos que fosse operacionalmente necessário que alguém soubesse disso agora. WEITZ: Tive alguns que achei que eram partículas cósmicas. Vi um risco de entrada e um risco de saída. CONRAD: Sim, eu também. WEITZ: Tipo, bing-bing, parecia que era de um lado do globo ocular e depois do outro lado. CONRAD: Lembro que uma noite houve um disparo longo, depois nada, depois outro disparo longo, em rápida sucessão, claro, mas muito definidamente entrando e saindo, ou atravessando o olho. KERWIN: Kits médicos e IMSS. Quanto à quantidade adequada de medicamentos e suprimentos, eu diria que usamos cerca de 0,01% dos medicamentos disponíveis. Acho que isso é algo para eu sentar e conversar com os médicos. Há bastante remédio lá em cima para as missões Skylab. Há 23-21

Nota editorial: Conferido no fac-símile. "fire flash" traduzido como "o clarão" (o clarão visual, em oposição ao pisca do sensor de incêndio), leitura pelo contexto. "missons" está assim no original. IMSS é o sistema de suprimentos médicos a bordo. A página termina no meio da frase, já em outro assunto.

Conferir original em inglês
CONRAD: Sometimes I'd be lying there with my eyes half closed, and I'd see a fire sensor wink. KERWIN: And you'd have to be careful that you weren't confusing that with the fire flash. Once you've seen a few of each, there is question of which is which. They're not an hallucination. KERWIN: We didn't feel it was operationally necessary for anybody to know about it right now. WEITZ: I had a couple that I thought were cosmic particles. I saw an entrance streak and an exit streak. CONRAD: Yes, I did too. WEITZ: Where, bing-bing, it seemed like it was one side of the eyeball, and then the other side. CONRAD: One night I remember that there was a long shot then it was blank then there was a long shot in rapid succession, of course, but very definitely in and out - or across the eye. KERWIN: Medical Kits and IMSS. As far as adequate quantity of medication and supplies, I would guess we used about 0.01 percent of the available medication. I think this is something for me to sit down with the doctors and talk about. There is plenty of medicine up there for the Skylab missons. There is 23-21

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 3, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
05/1973 — A missão Skylab 2 foi de 25/05 a 22/06/1973; o trecho não dá datas das observações.
Documento
30/06/1973 — Capa do debriefing técnico JSC-08053.
Publicação
05/2026 — Release 1 da coleção de arquivos UAP, maio de 2026.

Origem e divulgação

NASA, Centro Espacial Johnson, setor de treinamento; falas de Conrad, Kerwin e Weitz · NASA-UAP-D7-Skylab-Technical-Crew-Debriefing-1973.pdf

Páginas físicas 1 a 3 conferidas no fac-símile.

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Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • Os clarões ficaram mais frequentes quando a estação cruzava a Anomalia do Atlântico Sul, como perguntaram a Kerwin?
  • Por que a tripulação achou que não era operacionalmente necessário informar o fenômeno durante a missão?

GEOGRAFIA DO CASO

Órbita da Terra, estação Skylab

Observações dentro da estação, em órbita; sem ponto geográfico.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. NASA-UAP-D7-Skylab-Technical-Crew-Debriefing-1973.pdf

    Página física 1: capa do debriefing técnico da tripulação Skylab 1/2, JSC-08053, de 30/06/1973; páginas 2 e 3 (numeração interna 23-20 e 23-21): clarões de luz

    NASA · 11 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

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