03/10/1962 (voo MA-8); debriefing em 12/03/1963 / Órbita terrestre, voo Mercury-Atlas 8
Sigma 7, 1962: Walter Schirra vê “flocos de geada” e liga os vaga-lumes ao ambiente da própria nave
No debriefing científico de março de 1963, Walter Schirra descreveu partículas brancas e outras amarelo-esverdeadas em volta da Sigma 7 e uma película na janela deixada pelo foguete de escape. Ele próprio atribuiu os “vaga-lumes” a gases e vapor liberados pela nave.
- Data do evento
- 03/10/1962 (voo MA-8); debriefing em 12/03/1963
- Local
- Órbita terrestre, voo Mercury-Atlas 8
- Tema
- Relatos de astronautas
- Órgãos das fontes
- NASA
- Documentos
- 1 documento · 216 páginas
- Leitura
- 3 min
FONTES DOCUMENTAIS · NASA
O que os registros contam
Walter Schirra voou na Sigma 7 em 3 de outubro de 1962. Cinco meses depois, em 12 de março de 1963, sentou-se com cientistas da NASA e do Centro Goddard para um debriefing científico presidido por Eugene Shoemaker. Um memorando de novembro de 1963 informa que o documento é a transcrição literal da gravação, distribuída primeiro só aos participantes, que podiam comentar ou pedir cortes antes de uma versão editada.
Schirra começou pela janela. Disse que a queima do foguete de escape deixou marcas e uma película no vidro, visível quando o Sol batia de lado, como a fumaça que se deposita por dentro do vidro de um carro. Estimou que isso reduziu em cerca de uma magnitude as estrelas que conseguia ver. Esperava que a película evaporasse no vácuo, mas não notou redução ao longo do voo. Um participante contou que uma câmera do satélite meteorológico TIROS ficou embaçada por centenas de órbitas pelo mesmo tipo de problema.
Daí ele passou às partículas. Para Schirra, a nave vive cercada por um ambiente próprio, porque sistemas como os resfriadores de água e o peróxido de hidrogênio continuam liberando gases, como acontece nos testes em câmara de vácuo. É dali, disse, que vinham “os nossos vaga-lumes, as partículas de geada”. Lembrou que as viu quase logo depois de entrar em órbita, quando anunciou “vejo flocos de geada”, e que eram o único vestígio de alguma coisa em volta da nave. Só as enxergava quando o Sol entrava pela janela em ângulo baixo.
Schirra separou dois aspectos. As partículas brancas tinham bordas visíveis e lembravam geada, o que o levava a dizer que só podiam ser água. As amarelo-esverdeadas, cor que chamou de chartreuse, pareciam manchas sem contorno, como a luz de um vaga-lume. Para ele, essa cor vinha da luz do Sol atravessando muita atmosfera ao nascer do dia: as partículas não teriam luz própria, apenas refletiriam como se tivessem. John O'Keefe objetou que luz filtrada pela atmosfera seria vermelha, mas admitiu que a soma de luz direta e luz espalhada poderia dar o tom descrito.
O debriefing mostra o astronauta participando da interpretação, e não só relatando. A explicação por gases e vapor da própria nave é dele e coincide com a que a NASA vinha formulando para o “efeito Glenn”. A NASA publicou também um áudio do voo em que Schirra descreve “pequenos objetos brancos” saindo da cápsula e um clarão na janela que não soube identificar (NASA-UAP-D012). Esse clarão não é discutido nas páginas consultadas do debriefing.
MÍDIA OFICIAL
Vídeo oficial deste caso
Arquivos publicados pelo Governo dos Estados Unidos na DVIDS. O título de cada um é o da publicação oficial, traduzido; a descrição do que se vê está no texto do dossiê.

Áudio de missão da NASA · 3 min 31 s · o vídeo só é carregado quando você inicia a reprodução, direto do servidor oficial.
Ficha oficial ↗LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Transcrição da NASA, obra do governo dos EUA: falas de Schirra traduzidas após conferência no fac-símile; o restante do debriefing (planeta Mercúrio, cores do horizonte) não foi traduzido.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 122
Origem das partículas segundo Schirra, página física 122
Acho que foi isso que fizemos na nave Mercury, com o gás de peróxido de hidrogênio que sobra e os resfriadores de água, e é daí que, na minha opinião, vêm os nossos vaga-lumes, as partículas de geada. Aliás, já que entramos nisso, vocês notaram que as partículas foram vistas quase imediatamente depois que entrei em órbita? Eu disse: “Vejo flocos de geada.”Nota editorial: Conferido no fac-símile.
Conferir original em inglês
I think this is what we have done in the Mercury spacecraft with the by-product hydrogen peroxide gas and the water coolers and this is where I feel our firefly, frost particles come from. Did you notice by the way - getting into that, - that the particles were observed almost immediately after I was in orbit? - I said, "I see frost flakes."Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 122, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 125
Cor amarelo-esverdeada, página física 125
o verde, na minha opinião, é só o caso da luz do Sol atravessando essa quantidade enorme de atmosfera ao nascer do sol. O que sobra do espectro é esse verde-amarelo nas partículas. [...] Acho que, de certo modo, elas não têm luz própria, mas refletem como se tivessem.Nota editorial: Conferido no fac-símile.
Conferir original em inglês
the green I feel is strictly the case of the sunlight going through this tremendous amount of atmosphere at sunrise. What is left as a light spectrum is this green-yellow on these particles. [...] I think that in a sense they are not self-illuminated but they reflect as if they were self-illuminated.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 125, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 03/10/1962 — Data do voo citada no título do relatório mencionado por Schirra na p. 117 (“Results of Third U. S. Manned Orbital Space Flight, October 3, 1962”).
- Documento
- 12/03/1963 — Data do debriefing na folha de título (p. 114); memorando de distribuição de 15/11/1963 (p. 115).
- Publicação
- Não estabelecida — Publicado pela NASA no lote UAP (release 3).
Origem e divulgação
NASA, sede em Washington; transcrição distribuída por Jocelyn R. Gill · NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf
Páginas 122 e 125 conferidas no fac-símile; 114 a 121, 123 e 124 lidas pelo texto extraído.
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Relatos relacionados e suas diferenças
- Sigma 7, 1962: a “faixa de smog” marrom que Schirra viu no horizonte depois de cruzar a África
- Aurora 7, 1962: Scott Carpenter bate na parede da cápsula e solta uma nuvem de partículas
- Friendship 7, 1962: John Glenn descreve “vaga-lumes” em volta da cápsula a cada nascer do sol
Perguntas para continuar a investigação
- O clarão na janela descrito no áudio NASA-UAP-D012 aparece em outra parte deste debriefing ou em outro relatório do voo?
GEOGRAFIA DO CASO
Órbita terrestre (Sigma 7)
As partículas foram vistas em vários momentos do voo; não há posição geográfica associada.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf
Páginas físicas 114 a 125: debriefing científico de Walter Schirra na sede da NASA, 12/03/1963
NASA · 216 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.