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24/05/1962 / Órbita terrestre, voo Mercury-Atlas 7

Aurora 7, 1962: Scott Carpenter bate na parede da cápsula e solta uma nuvem de partículas

Um rascunho de nota da NASA registra que Scott Carpenter viu e fotografou partículas brancas parecidas com flocos de neve nas três órbitas e, pouco antes da reentrada, bateu com a mão na parede da cápsula, liberando muitas delas. O texto conclui que o mais provável eram flocos formados pelo vapor do sistema de suporte de vida.

Relatos de astronautas
Data do evento
24/05/1962
Local
Órbita terrestre, voo Mercury-Atlas 7
Tema
Relatos de astronautas
Órgãos das fontes
NASA
Documentos
1 documento · 216 páginas
Leitura
3 min

FONTES DOCUMENTAIS · NASA

O que os registros contam

No mesmo arquivo dos debriefings do programa Mercury há um “rascunho de nota sobre as observações científicas” do voo Mercury-Atlas 7, feito por Scott Carpenter na cápsula Aurora 7 em 24 de maio de 1962. O texto não tem assinatura e não é a transcrição das palavras do astronauta: é uma análise que resume o que ele relatou e fotografou. A primeira parte trata de uma faixa luminosa no horizonte que Carpenter observou com um filtro especial e que o texto identifica como o brilho noturno da alta atmosfera.

Segundo a nota, Carpenter também viu e fotografou o que a equipe já chamava de “efeito Glenn”: objetos brancos parecidos com flocos de neve, vistos no nascer do sol das três órbitas. Mas ele os viu também 7 e 43 minutos depois do primeiro nascer do sol e em seis momentos depois do segundo, até 45 minutos. Para o autor, isso mostra que as partículas não dependiam do nascer do sol, que seria apenas o momento em que ficavam mais visíveis. Carpenter as descreveu com tamanho entre 1 milímetro e 1 centímetro.

O ponto central é o que a nota chama de “experimento decisivo”. Pouco antes da reentrada, ao nascer do sol, Carpenter bateu com a mão nas paredes da cápsula, e as batidas liberaram de imediato grande quantidade de partículas. Pela direção em que elas atravessavam a janela, ele tinha certeza de que saíam de um ponto perto de onde bateu. O texto conclui que ao menos as partículas daquele voo vinham da própria cápsula.

A nota examina outras fontes possíveis. Um inspetor da NASA testou o corante marcador e o repelente de tubarão, ambos verdes e expostos ao vácuo, e nenhum escapava da embalagem. Fibras do isolamento seriam levadas logo embora. Uma peça em forma de saca-rolhas vista por Carpenter seria provavelmente uma apara ou um fio de isolamento. Restavam duas origens: neve formada pela condensação do vapor do sistema de suporte de vida e poeira, resíduos e pedaços de material soltos dentro da nave.

O autor favorece a neve para a maior parte do material: a água é o que a cápsula mais despeja, as partículas pareciam flocos para Glenn e para Carpenter, e a frequência dos avistamentos acompanhava a temperatura externa medida na cápsula, que caía a cerca de 35 graus negativos antes do nascer do sol. A hipótese final é que os flocos se formavam dentro da cápsula, entre a antepara da cabine e o escudo térmico, e eram empurrados para fora pelo vapor. A NASA publicou também um áudio do voo em que Carpenter descreve as partículas (NASA-UAP-D013).

MÍDIA OFICIAL

Vídeo oficial deste caso

Arquivos publicados pelo Governo dos Estados Unidos na DVIDS. O título de cada um é o da publicação oficial, traduzido; a descrição do que se vê está no texto do dossiê.

Quadro do vídeo: Mercury-Atlas 7, 24 de maio de 1962

Áudio de missão da NASA · 1 min 49 s · o vídeo só é carregado quando você inicia a reprodução, direto do servidor oficial.

Ficha oficial ↗
Mercury-Atlas 7, 24 de maio de 1962 · NASA-UAP-D013 · NASA

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Rascunho de nota da NASA, obra do governo dos EUA: trechos sobre as partículas traduzidos após conferência no fac-símile; a parte sobre a faixa de 5577 Å foi apenas resumida.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 60

Experimento de bater na parede, página física 60

Pouco antes da reentrada, bem no nascer do sol, Carpenter fez o experimento decisivo de bater com a mão nas paredes da cápsula. As batidas resultaram de imediato na liberação de grande quantidade de partículas. Fica claro, portanto, que ao menos as partículas observadas no voo MA-7 saíam da cápsula.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. O datilografado diz “MA-6”, corrigido à mão para “7”; a tradução segue a correção manuscrita.

Conferir original em inglês
Shortly before reentry, just at sunrise, Carpenter performed the decisive experiment of hitting the capsule walls with his hand. The blows promptly resulted in the liberation of large numbers of particles. It is thus clear that at least those particles observed in the MA-7 flight emanated from the capsule.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 60, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 62

Conclusão sobre a origem, página física 62

Considera-se mais provável que as partículas do efeito Glenn sejam flocos de neve formados na cápsula, entre a antepara da cabine e o escudo térmico, pelo vapor expelido pelo sistema de suporte de vida. Sugere-se que escapem para o espaço pelas aberturas, empurradas para fora pelo vapor em expansão.

Nota editorial: Conferido no fac-símile (o texto automático lê “porte”; o original traz “ports”, com a última letra fraca).

Conferir original em inglês
It is considered most likely that the particles of the Glenn effect are snowflakes formed in the capsule, between the cabin bulkhead and the heat shield by the steam exhaust from the life-support system. It is suggested that they escape into space through the ports, being driven outward by the expanding vapor.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 62, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
24/05/1962 — Data impressa na p. 57 para as observações finais do voo (entre 16h47 e 17h03 UT de 24 de maio de 1962).
Documento
Não estabelecida — Rascunho sem data nem autor; menciona fotografias e registros do voo, portanto é posterior a 24/05/1962.
Publicação
Não estabelecida — Publicado pela NASA no lote UAP (release 3).

Origem e divulgação

NASA; rascunho de nota técnica sem autor identificado · NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf

Páginas 57, 60 e 62 conferidas no fac-símile; 58, 59, 61 e 63 lidas pelo texto extraído.

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Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • As fotografias de Carpenter citadas na nota, com partículas mais brilhantes que a Lua, foram publicadas?
  • Quem redigiu a nota? O texto cita J. A. O'Keefe em outra carta do mesmo arquivo como interlocutor sobre as observações de Glenn e Carpenter, mas não traz assinatura.

GEOGRAFIA DO CASO

Órbita terrestre (Aurora 7)

A nota dá coordenadas da cápsula apenas para a observação da faixa luminosa, não para as partículas.

RASTRO DOCUMENTAL

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As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf

    Páginas físicas 57 a 63: rascunho de nota sobre as observações científicas do voo MA-7 (Scott Carpenter, 24/05/1962)

    NASA · 216 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

UMA HISTÓRIA LEVA A OUTRA

Continue explorando.

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