20/02/1962 (voo MA-6); entrevista científica em 27/02/1962 / Órbita terrestre, nos três nasceres do sol do voo Mercury-Atlas 6
Friendship 7, 1962: John Glenn descreve “vaga-lumes” em volta da cápsula a cada nascer do sol
Uma semana depois do primeiro voo orbital americano, John Glenn descreveu a cientistas da NASA milhares de pontos amarelo-esverdeados que apareciam em volta da cápsula a cada nascer do sol. Um rascunho interno de março de 1962 concluiu que eram partículas ligadas à nave ou ao foguete, não vindas do espaço.
- Data do evento
- 20/02/1962 (voo MA-6); entrevista científica em 27/02/1962
- Local
- Órbita terrestre, nos três nasceres do sol do voo Mercury-Atlas 6
- Tema
- Relatos de astronautas
- Órgãos das fontes
- NASA
- Documentos
- 1 documento · 216 páginas
- Leitura
- 4 min
FONTES DOCUMENTAIS · NASA
O que os registros contam
O arquivo NASA-UAP-D015 reúne transcrições e papéis de trabalho dos debriefings científicos do programa Mercury. A primeira conversa é a de John Glenn, piloto da Friendship 7, com cientistas da sede da NASA. Um memorando de Maurice Dubin, de 21 de fevereiro de 1962, já pedia que Glenn detalhasse duas observações noticiadas pela imprensa: o grande número de partículas luminosas que pareciam viajar com a nave ao nascer do sol e a altura aparente do limite da atmosfera. A transcrição tem muitos trechos marcados como inaudíveis e emendas à mão.
Glenn disse ter observado as partículas “com todo o cuidado possível” por três a cinco minutos em três ocasiões. Não eram luzes fracas, como reflexos: eram tão brilhantes quanto os vaga-lumes mais fortes numa noite escura de verão, com luz constante, sem piscar, e cor amarelo-esverdeada. Estimou uma distância média de 6 a 10 pés entre elas e tamanho de pouca coisa até cerca de meia polegada. As que passavam na sombra da cápsula pareciam brancas, como pequenos flocos de neve ou fiapos de algodão.
Sobre a origem, o relato oscila. Glenn contou que primeiro pensou nas agulhas perdidas de um experimento da Força Aérea e depois em água congelada saindo da cápsula, mas que as partículas não pareciam sair dela. Chegou a virar a nave de frente para o Sol: viu menos pontos, mas eles ainda vinham na sua direção. Em outra página, porém, diz que o fenômeno parecia ter “alguma ligação com a cápsula” e não com algo vindo do espaço, com velocidade relativa de 3 a 5 milhas por hora.
As partículas surgiam com os primeiros raios de sol e sumiam aos poucos à medida que o Sol subia. Glenn procurou por elas no pôr do sol e não as viu. Na primeira vez, olhou pela janela e achou que a nave tinha saído de atitude, porque a região escura da Terra parecia um campo de estrelas; conferiu instrumentos e periscópio e não havia deriva. Um colega sugeriu uma faixa de partículas em volta do equador, hipótese que Glenn disse não ter verificado. As cópias das fotos estavam riscadas e não permitiam identificar os pontos.
Um rascunho de memorando ao diretor do Escritório de Ciências Espaciais, datado de 13 de março de 1962, cheio de emendas, analisou a descrição. Como todas as partículas se moviam com a mesma velocidade e na mesma direção, exceto as muito próximas, e o quadro se repetiu nas três órbitas, o texto concluiu que não eram partículas vindas de fora da Terra, e sim associadas à nave ou ao foguete. Sugeriu ainda fluorescência sob luz solar e repulsão elétrica perto da cápsula. É uma avaliação em rascunho, não um relatório final.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Transcrição e memorandos da NASA, obra do governo dos EUA: trechos traduzidos após conferência no fac-símile. Passagens marcadas como inaudíveis não foram reconstruídas.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 21
Descrição do brilho e da cor, página física 21
As luzes não eram luzinhas fracas, como reflexos de alguma coisa. Eram em tudo tão brilhantes quanto vaga-lumes numa noite de verão bem escura, ou mais. [...] a luz era muito estável e tinham mais ou menos a mesma cor dos vaga-lumes. Era uma cor amarelo-esverdeada ou verde-amarelada luminosa.Nota editorial: Conferido no fac-símile. A palavra “fireflies” foi acrescentada à mão sobre uma palavra riscada na primeira frase.
Conferir original em inglês
The lights were not very dim little lights as though reflections from something. They were every bit as brilliant or more so than fireflies out on a real black summer night. [...] the light was very steady and they were about the same color as fireflies. This was a luminous yellow-green or green-yellow color.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 21, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 26
Teste de virar a nave, página física 26
Eu virei a nave uma vez para ver se elas vinham na minha direção. [...] Mas elas, as que estavam lá fora, continuavam vindo na minha direção. [...] Continuavam vindo de lá de fora na minha direção, então não podiam estar saindo da cápsula.Nota editorial: Conferido no fac-símile; grafia “eminating” mantida como no original.
Conferir original em inglês
Now, I turned around once so I could see if they were coming toward me. [...] But they--the ones out here were still coming towards me. [...] They were still coming toward me from out there so they couldn't have been eminating from the capsule.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 26, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 24
Ressalva do próprio Glenn, página física 24
Certamente parece, parece haver alguma ligação com a cápsula, de algum modo, e não com algo vindo do espaço exterior.Nota editorial: Conferido no fac-símile. A frase vem logo depois de um trecho de pergunta quase todo inaudível.
Conferir original em inglês
It certainly seem--it seem to be [palavra riscada] connection with the capsule in some way and not with something coming from outer space.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 24, contando a capa.
TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 34
Conclusão do rascunho de 13/03/1962, página física 34
Apenas pelas considerações dinâmicas, pode-se afirmar que as partículas luminosas observadas pelo coronel Glenn não eram partículas extraterrestres, mas partículas associadas à nave ou ao foguete.Nota editorial: Conferido no fac-símile. “dynamic” foi escrito à mão sobre palavras riscadas; “the launching or” aparece riscado antes de “the booster”. “Extraterrestres” aqui significa vindas de fora da Terra.
Conferir original em inglês
From the dynamic considerations alone, it may be stated that the luminous particles observed by Col. Glenn were not extraterrestial particles but were particles associated with the spacecraft or the booster.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 34, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 20/02/1962 — Voo Mercury-Atlas 6. A data do voo não está impressa nas páginas usadas; o memorando de 21/02/1962 (p. 55) trata do voo recém-realizado.
- Documento
- 27/02/1962 — Data da entrevista segundo o rascunho de memorando (p. 34: “Interview (February 27)”). A transcrição em si não traz data.
- Publicação
- Não estabelecida — Publicado pela NASA no lote UAP (release 3); data exata não conferida.
Origem e divulgação
NASA, Escritório de Ciências Espaciais; transcrição de entrevista com John Glenn e rascunhos internos sem autor identificado · NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf
Páginas 21, 22, 24, 26 e 34 conferidas no fac-símile; 23, 25, 27 a 32, 35 e 55 lidas pelo texto extraído.
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Relatos relacionados e suas diferenças
- Aurora 7, 1962: Scott Carpenter bate na parede da cápsula e solta uma nuvem de partículas
- Faith 7, 1963: Gordon Cooper, um farol que parecia míssil e “vaga-lumes” saindo dos propulsores
Perguntas para continuar a investigação
- As fotografias originais da Friendship 7 mostram as partículas que as cópias de Grand Turk não permitiam ver?
- Por que Glenn só viu as partículas ao nascer do sol, e não no pôr do sol, se elas vinham da própria nave?
GEOGRAFIA DO CASO
Órbita terrestre (Friendship 7)
As observações ocorreram em três nasceres do sol em órbita; a transcrição não fixa posição geográfica.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf
Páginas físicas 21 a 32: entrevista científica com John Glenn sobre as partículas luminosas; páginas 34 e 35: rascunho de memorando da NASA de 13/03/1962; páginas 55 e 56: memorando de Maurice Dubin de 21/02/1962
NASA · 216 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.