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03/10/1962, cerca de 5 h 20 min de voo segundo o registro citado / Sobre o oceano Índico, depois de passar pelo sul da África, segundo a reconstrução de Schirra

Sigma 7, 1962: a “faixa de smog” marrom que Schirra viu no horizonte depois de cruzar a África

Schirra chamou de sua maior surpresa uma camada marrom-acinzentada, “cor de smog”, que ocupava todo o horizonte e escurecia as estrelas vistas através dela. Os cientistas estimaram que ela seria centenas de vezes mais brilhante que o brilho noturno comum, e a questão ficou sem resposta no documento.

Relatos de astronautas
Data do evento
03/10/1962, cerca de 5 h 20 min de voo segundo o registro citado
Local
Sobre o oceano Índico, depois de passar pelo sul da África, segundo a reconstrução de Schirra
Tema
Relatos de astronautas
Órgãos das fontes
NASA
Documentos
1 documento · 216 páginas
Leitura
4 min

FONTES DOCUMENTAIS · NASA

O que os registros contam

No mesmo debriefing de março de 1963, o presidente da sessão pediu a Schirra que falasse da “coisa peculiar” vista sobre a África. Ele disse que foi sua maior surpresa, algo de que não tinha nenhum conhecimento prévio, e que no voo chamou aquilo de brilho atmosférico por falta de nome melhor. O episódio estaria no registro por volta de 5 horas e 20 minutos de voo, e os cientistas contaram que tiveram de achá-lo no relato gravado que o próprio astronauta fez depois.

A descrição é de uma camada que cobria todo o horizonte visível, e não de uma mancha. Tinha cerca de um quarto da largura da janela, ficava mais densa no meio e tinha cor marrom-acinzentada, “cor de smog”, como a poluição de Los Angeles vista do alto ao descer de avião. Schirra evitou chamá-la de nuvem de poeira, porque isso sugeriria algo sólido: era um efeito de névoa, sem partículas visíveis. Disse tê-la visto uma única vez e que era diferente da faixa branca e suave do brilho noturno comum, que também observou.

Ao reconstruir a cena, contou que tinha passado pela costa sudeste da África, com a cabine escura e a nave à deriva, sem atitude definida. Achou ter visto luzes de cidades abaixo da camada, mas percebeu que eram constelações: estrelas abaixo da faixa. Acima dela havia mais estrelas, e através dela as estrelas apareciam, mas bem enfraquecidas. Como a nave girava livremente, não conseguiu identificar as estrelas nem confirmar a direção; achava que olhava para o norte.

Os cientistas tentaram situar o fenômeno. Winifred Cameron calculou a nave a cerca de 280 quilômetros de altura e a camada a cerca de 66, com a ressalva de que não se sabia se estava à frente ou atrás do plano da órbita. John O'Keefe contou que David Stern, do Centro Goddard, tinha previsto antes do voo que Schirra veria algo muito incomum por causa de uma forte anomalia magnética na região, e situou a observação no Atlântico Sul. A reconstrução de Schirra fala do oceano Índico, e a transcrição insere entre parênteses “Madagascar”. O local não foi resolvido.

Lawrence Dunkelman estimou que, se as estrelas apareciam enfraquecidas através da faixa, ela teria cerca de 3 ergs por centímetro quadrado por segundo, umas trezentas vezes mais brilhante que o brilho noturno comum visto de lado, e que perceber cor já exigiria de 50 a 100 vezes mais. Schirra respondeu que queria “resolver isso de vez” porque o assunto o incomodava havia muito tempo. A equipe combinou ouvir a gravação original em abril. As páginas consultadas não trazem o resultado.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Transcrição da NASA, obra do governo dos EUA: descrição e comentários traduzidos após conferência no fac-símile. Valores de altura e brilho são estimativas feitas na sessão, não medições do voo.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 145

Descrição da camada, página física 145

Era uma camada ao longo de todo o meu horizonte visível. Não era só uma mancha, em outras palavras. [...] Eu gostaria de chamá-la, Nancy, de uma cor meio de smog, com um pouco de marrom. Uma espécie de cinza amarronzado [...] Com certeza um efeito de névoa, e não de ver partículas.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
It was a layer across my whole visible horizon. It wasn't just a blob in other words. [...] I would like to refer to it, Nancy, as a little smog color, having a little brown in it. Sort of Brownish gray [...] Definitely a fog effect rather than seeing particles.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 145, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 149

Luzes de cidade que eram estrelas, página física 149

Eu disse: ah, essas cidades estão bem arrumadas como constelações. Pareciam constelações. Aí eu disse: meu Deus, são constelações. São estrelas, e isso estava abaixo do que eu, pelo menos na minha cabeça, tinha fixado como brilho atmosférico. [...] Então eu conseguia ver estrelas através desse efeito marrom, mas bem enfraquecidas por ele.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
These I said, ah, those cities are quite constellation setups. They looked like constellations. Then I said, my gosh! they are constellations. They are stars and this was below what I then, in my mind at least, had planted as airglow. [...] Then I could see through this brown effect, stars, but they were dimmed considerably by it.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 149, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 144

Previsão de David Stern, página física 144 (continuação da 143)

O'Keefe: Há uma anomalia magnética muito forte nessa região, e é aí que... Dunkelman: Acho que o fato de Schirra não ter ouvido falar disso torna a observação ainda melhor do ponto de vista científico.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. A previsão de Stern é mencionada por O'Keefe na p. 143; a nota enviada ao centro de voos tripulados não está no arquivo.

Conferir original em inglês
O'Keefe - There is a very strong magnetic anomaly in this region, and this is where ... Dunkelman - I think the fact that Schirra had not heard of this makes the observation even better scientifically.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 144, contando a capa.

TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 158

Estimativa de brilho e pedido de Schirra, página física 158

Schirra: Eu gostaria de resolver isso de vez. Isso me incomoda há muito tempo [...] Dunkelman: Não era fraca. O resultado que obtenho é de cerca de 3 ergs/cm²/s, o que é extremamente brilhante [...] É cerca de trezentas vezes mais brilhante que o brilho atmosférico noturno normal.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
Schirra - I would like to nail this one down. It has been bothering me for a long time [...] Dunkelman - It wasn't dim - the answer I get is that it is about 3 ergs/cm2/sec which is extremely bright [...] It is about three hundred times brighter than the normal airglow.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 158, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
03/10/1962 — Data do voo MA-8; o horário é dado apenas como tempo de voo aproximado (5 h 20 min), segundo o registro citado na p. 143.
Documento
12/03/1963 — Data do debriefing (p. 114).
Publicação
Não estabelecida — Publicado pela NASA no lote UAP (release 3).

Origem e divulgação

NASA, sede em Washington; transcrição distribuída por Jocelyn R. Gill · NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf

Páginas 144, 145, 149 e 158 conferidas no fac-símile; 139 a 143 e 146 a 148 lidas pelo texto extraído.

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Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • A reescuta da gravação prevista para abril de 1963 chegou a localizar a faixa e medir seu brilho?
  • A previsão de David Stern sobre a anomalia magnética foi registrada por escrito em algum outro documento?

GEOGRAFIA DO CASO

Oceano Índico ou Atlântico Sul (não resolvido)

Schirra situa a observação sobre o oceano Índico, depois do sudeste da África; O'Keefe fala em Atlântico Sul e a transcrição insere “Madagascar”. Sem ponto confiável.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf

    Páginas físicas 139 a 149 e 158: debriefing científico de Walter Schirra, 12/03/1963, trecho sobre a faixa marrom vista depois da África

    NASA · 216 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

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