UFOeUAPARQUIVO EM PORTUGUÊS

07/01/1948 / Godman Field, Fort Knox, Kentucky, EUA; relatos no mesmo dia em outras cidades do Kentucky e do Tennessee

Godman Field, Kentucky, 1948: a torre vê um objeto brilhante e um piloto de P-51 morre ao persegui-lo

Operadores da torre e oficiais de Godman Field observaram durante mais de uma hora um objeto claro no céu, e três caças P-51 da Guarda Nacional subiram para identificá-lo. O líder da formação, Mantell, deixou de responder por rádio durante a subida; as fichas da Força Aérea registram a hipótese de falta de oxigênio e uma tentativa de explicar o objeto como Vênus ou um cometa.

Relatórios militares de 1948–1949
Data do evento
07/01/1948
Local
Godman Field, Fort Knox, Kentucky, EUA; relatos no mesmo dia em outras cidades do Kentucky e do Tennessee
Tema
Relatórios militares de 1948–1949
Órgãos das fontes
DOW
Documentos
2 documentos · 320 páginas
Leitura
5 min

FONTES DOCUMENTAIS · DOW

O que os registros contam

Por volta das 13h20 de 7 de janeiro de 1948, o sargento Cook, do gabinete do comandante, avisou o chefe dos operadores da torre de Godman Field, o sargento técnico Quinton A. Blackwell, de que a polícia militar de Fort Knox e a polícia estadual de Elizabethtown tinham notícia de um grande objeto circular, com 250 a 300 pés de diâmetro, sobre uma cidade que a ficha escreve “Mansville”. Pouco depois o objeto foi informado sobre Irvington e Owensboro. Segundo a ficha do incidente 33, Blackwell o viu pela primeira vez entre 13h45 e 13h50, ao sul do campo. A mesma ficha resume: um objeto, acima de 15 mil pés, “tremendo” em tamanho, prateado ou metálico.

Outros militares subiram à torre. O capitão Cary W. Carter, oficial de operações, chamado às 14h07 pelo tenente Orner, descreveu um objeto redondo e branco, “mais branco que as nuvens” que passavam à frente dele, visível através de nuvens cirros; observou-o de binóculo por três ou quatro minutos antes de chamar o gabinete do coronel Hix, comandante da base. O soldado Stanley Oliver, de serviço na torre, viu o objeto a sudoeste e o comparou a um cone de sorvete com o topo vermelho. O tenente-coronel E. Garrison Wood estimou que o objeto parecia ter um décimo do tamanho da Lua cheia e que, se estivesse muito longe, teria várias centenas de pés. São impressões visuais, sem medição.

Entre 14h30 e 14h40, quatro P-51 que voavam de Marietta, na Geórgia, para Standiford Field, em Louisville, passaram por Godman. Blackwell pediu ao líder, de indicativo NG 869, que tentasse identificar o objeto. Três aviões subiram; o quarto seguiu para Standiford. O líder informou o objeto “à frente e acima, ainda subindo” e, a 15 mil pés, disse que ele parecia “metálico, de tamanho tremendo”. Cinco minutos depois, os outros dois caças voltaram. Um deles, NG 800, disse que aquilo parecia o reflexo do sol na cobertura de um avião; depois retomou a busca até 33 mil pés e 100 milhas ao sul, sem ver nada.

As lembranças das mensagens de rádio não coincidem. Segundo uma folha que reúne os relatos de quatro ouvintes, o coronel Hix guardou “o objeto está a 180 milhas por hora, metade da minha velocidade”; o tenente Orner, “aproximando-me para dar uma boa olhada”; Blackwell, “acima de mim e à frente, a cerca de metade da minha velocidade”. Para o capitão Carter, o líder disse que o objeto subia “tão rápido quanto ele”, cerca de 360 milhas por hora, e que iria até 20 mil pés e abandonaria a perseguição se não chegasse mais perto. Foi, anotou a ficha, aparentemente a última palavra recebida do NG 869. Uma nota identifica o piloto como Mantell.

As próprias fichas guardam avaliações diferentes. Uma nota diz que Mantell aparentemente perdeu a consciência a 20 mil pés, ou continuou subindo, e caiu por falta de oxigênio, e que isso “não parece bater” com a versão de que o fenômeno seria “Vênus ou um cometa”, atribuída a um astrônomo consultado depois. Outra registra que, depois de escurecer, um objeto, “outro ou o mesmo”, apareceu a sudoeste, com cor que mudava do branco ao azul, vermelho e amarelo e uma mancha escura no centro. Em dezembro de 1948, a análise da inteligência da Força Aérea resumiu o caso como a morte de um piloto da Guarda Nacional que perseguia um objeto e sugeriu que episódios anteriores em Godman talvez também fossem observações de Vênus. O documento não fecha a questão.

Uma cronologia anexa lista relatos do mesmo dia em Elizabethtown, Lexington, Madisonville, Maysville, Irvine e Owensboro, quase todos sem descrição, um objeto de aparência de alumínio visto de manhã em Edwardsville, Illinois, e a observação de um astrônomo da Universidade Vanderbilt, de sobrenome Seyfert, que viu a sul-sudeste de Nashville, entre 16h30 e 16h45, um objeto “com um cesto preso”, deslocando-se a cerca de 10 milhas por hora a uns 25 mil pés. A lista termina com os relatos da noite em Lockbourne, Ohio. Reunir os relatos numa só rota foi decisão dos investigadores; as páginas não demonstram que se tratava de um único objeto.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Documento do governo dos EUA. Traduzidas as falas de rádio e as notas de avaliação conferidas no fac-símile; as fichas quase ilegíveis (33A, 33E, 33F) não foram usadas. Estimativas de tamanho, altura e velocidade são dos observadores ou do piloto, não medições.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 82

Mensagens do líder da formação, narrativa da torre, página física 82

A 15 mil pés, ele informou: “Objeto diretamente à frente e acima, movendo-se a cerca de metade da minha velocidade.” De novo: “Parece metálico, de tamanho tremendo.” Mais tarde ainda: “Continuo subindo; o objeto está acima e à frente, movendo-se à minha velocidade ou mais rápido; estou tentando me aproximar para ver melhor.”

Nota editorial: Conferido no fac-símile com ampliação. O texto automático da página era ilegível.

Conferir original em inglês
At 15,000 ft he reported "Object directly ahead and above and moving about half my speed." Again "it appears metallic of tremendous size." Still later "I'm still climbing - object is above and ahead moving about my speed or faster - I'm trying to close in for better look".

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 82, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 90

Nota de avaliação ao pé do relato do capitão Carter, página física 90

Aparentemente, Mantell perdeu a consciência a 20 mil pés, ou prosseguiu porque o objeto parecia mais próximo (se foi o caso), e então caiu por falta de oxigênio. Não parece bater com o relato de que o fenômeno era “Vênus ou um cometa”.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. É a única página vista em que o nome Mantell aparece.

Conferir original em inglês
Apparently, Mantell blacked out at 20,000 ft or proceeded on since the object apparently appeared closer (if such were the case) and then crashed thru lack of oxygen. Does not seem to tally with report that the phenomena was "Venus or a comet"

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 90, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 29

Resumo do caso na análise de dezembro de 1948, apêndice C, parágrafo 2k, página física 29

Em 7 de janeiro de 1948, um piloto da Guarda Nacional morreu ao tentar perseguir um objeto não identificado até 30 mil pés. Embora se presuma que esse piloto sofreu anoxia, o que resultou na queda, sua última mensagem à torre foi: “parece ser um objeto metálico... de tamanho tremendo... diretamente à frente e ligeiramente acima... estou tentando me aproximar para ver melhor.”

Nota editorial: Conferido no fac-símile. O resumo usa 30 mil pés; as fichas de janeiro falam em 20 mil pés como altitude anunciada para abandonar a perseguição.

Conferir original em inglês
On 7 January 1948, a National Guard pilot was killed while attempting to chase an unidentified object up to 30,000 feet. While it is presumed that this pilot suffered anoxia, resulting in his crash, his last message to the tower was, "it appears to be metallic object.... of tremendous size.... directly ahead and slightly above.... I am trying to close for a better look."

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 29, contando a capa.

TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 40

Frase de reavaliação após o caso de 19/08/1948, página física 40

Acredita-se que incidentes anteriores em Godman Field (ver parágrafo 2k, página 6, apêndice C) também possam ter sido observações do planeta Vênus.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. O parágrafo 2k é o resumo do caso de 7 de janeiro. A frase é uma suposição do relatório, não uma identificação demonstrada.

Conferir original em inglês
It is believed that earlier incidents at Godman Field (reference paragraph 2k, page 6, Appendix C) may also have been observations of the planet Venus.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 40, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
07/01/1948 — Data das fichas 33, 33C e 33D e da nota do relatório de dezembro de 1948.
Documento
Não estabelecida — Fichas e narrativas sem data própria de redação nas páginas conferidas; a análise da inteligência da Força Aérea é de 10/12/1948.
Publicação
Não estabelecida — Publicação no acervo do Departamento de Guerra (arquivo D087) sem data de lote conferida.

Origem e divulgação

Força Aérea dos EUA; fichas do Projeto Sign (Air Materiel Command) e Divisão de Inteligência Aérea (relatório de 10/12/1948) · DOW-UAP-D087_US-AirForce_Analysis-of-Flying-Objects-in-the-US_1-100.pdf

D087, páginas físicas 81, 82, 86, 88, 90, 94 e 96 conferidas no fac-símile; 85, 87, 89 e 95 consultadas no texto extraído e na nota de leitura. D093, páginas físicas 29 e 40 conferidas no fac-símile.

Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • O relatório da investigação do acidente do P-51 foi preservado e confirma a altitude e a causa da queda?
  • Quem foi o astrônomo que propôs Vênus ou um cometa, e com que cálculos de posição?
  • O objeto visto em Nashville “com um cesto preso” tem relação com lançamentos de balões naquele dia?

GEOGRAFIA DO CASO

Godman Field, Fort Knox, Kentucky

Referência aproximada da base de onde o objeto foi observado, posicionada pela redação. Não indica a posição do objeto nem o local da queda do avião.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. DOW-UAP-D087_US-AirForce_Analysis-of-Flying-Objects-in-the-US_1-100.pdf

    Páginas físicas 81, 82, 85 a 90, 94 a 96: fichas do incidente 33 (33, 33B, 33C, 33D, 33G), narrativas da torre de Godman Field e resumo das conversas por rádio, janeiro de 1948

    DOW · 253 páginas
  2. DOW-UAP-D093_Analysis-of-Flying-Object-Incidents-in-the-US_1948.pdf

    Página física 29 (apêndice C, parágrafo 2k) e página física 40 (apêndice C, parágrafo 4b): resumo e reavaliação no relatório de 10/12/1948

    DOW · 67 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

UMA HISTÓRIA LEVA A OUTRA

Continue explorando.

Voltar ao arquivo ↗

DOW

Godman, Kentucky, agosto de 1948: objeto prateado seguido por teodolito é atribuído ao planeta Vênus

Da base de Godman viu-se um objeto esférico e prateado, estimado a 30 ou 40 mil pés, que um caça F-51 enviado de Standiford não conseguiu localizar. As leituras de teodolito tomadas minuto a minuto levaram o astrônomo-chefe da Universidade de Louisville a concluir que era o planeta Vênus.

Abrir o caso
Mapa antigo dos Estados Unidos e do sul do Canadá com pequenos símbolos pretos agrupados no Oregon, na Califórnia, em Ohio, no Kentucky e na costa leste, e uma legenda no canto inferior direito.mapa

História da investigação1948Estados Unidos; estudo da inteligência do Departamento da Força Aérea, com mapa de relatos até 1º/08/1948

Washington, dezembro de 1948: análise secreta da Força Aérea conclui que “algum tipo de objeto” vinha sendo visto

O estudo Analysis of Flying Object Incidents in the U.S., classificado como ultrassecreto, examinou cerca de 210 relatos e concluiu que algum tipo de objeto voador vinha sendo observado, sem conseguir dizer o que era. Entre as hipóteses, pôs lado a lado lançamentos americanos, fenômenos naturais e aeronaves estrangeiras, com ênfase numa possível origem soviética.

Abrir o caso

SUA ESCOLHA

Você pode navegar por todo o arquivo sem aceitar medição. O Google Analytics só carrega quando você autoriza a medição de visitas. Você pode recusar ou mudar sua escolha a qualquer momento.

Ler política de privacidade