08/01/1973 (debriefing); observações feitas em dezembro de 1972 / Centro de Naves Tripuladas (Manned Spacecraft Center), Houston, Texas
Houston, 1973: no debriefing científico da Apollo 17, um pesquisador fala de resultados ultravioleta que ninguém esperava
O trecho que a NASA incluiu na coleção de arquivos UAP é a fala de um cientista do espectrômetro ultravioleta da Apollo 17 diante da tripulação. O "mistério" citado é astronômico: o que mantém unido o aglomerado de galáxias de Coma e de onde vem um brilho ultravioleta difuso.
- Data do evento
- 08/01/1973 (debriefing); observações feitas em dezembro de 1972
- Local
- Centro de Naves Tripuladas (Manned Spacecraft Center), Houston, Texas
- Tema
- Relatos de astronautas
- Órgãos das fontes
- NASA
- Documentos
- 1 documento · 3 páginas
- Leitura
- 6 min
Fac-símile de capa de documentoPágina física 1FONTES DOCUMENTAIS · NASA
O que os registros contam
O arquivo tem só três páginas: a capa do documento MSC-07632, "Apollo 17 Crew Debriefing for Science", de 8 de janeiro de 1973, preparado pela Seção de Requisitos Científicos da Divisão de Ciências Planetárias e da Terra do Centro de Naves Tripuladas, em Houston, e as páginas 119 e 120 da transcrição. A ficha oficial da coleção diz que o trecho mostra Dick Henry, coinvestigador do experimento ultravioleta da Apollo 17, falando de resultados inesperados. Na capa há uma anotação à mão, "CB/R. A. Parker", e um carimbo de indexação.
A primeira página começa no meio de um raciocínio sobre o aglomerado de galáxias de Coma. Os pesquisadores suspeitavam que a massa que mantém o aglomerado unido pela gravidade pudesse estar na forma de hidrogênio ionizado. Procuraram a radiação Lyman-alfa desse hidrogênio, deslocada para o vermelho, e não encontraram nada. O limite obtido, diz Henry, exclui a hipótese de que esse hidrogênio segure o aglomerado, "o que talvez deixe um verdadeiro mistério sobre o que mantém a coisa unida". É uma questão de astrofísica, sem relação com objetos vistos pela tripulação.
O quarto ponto, segundo Henry, talvez fosse o mais interessante. A equipe apontou o espectrômetro para muitos pontos longe do plano da Via Láctea, na direção dos polos galácticos, e registrou um espectro acima da "contagem escura" do aparelho, o ruído de fundo que estava anormalmente alto. O espectro parecia o de estrelas quentes, mas não havia estrelas quentes no campo de visão. A leitura mais conservadora, disse ele, é luz de estrelas do plano da galáxia refletida por poeira interestelar; algumas características não batiam com essa ideia, e era "pelo menos possível" que fosse radiação vinda de fora da galáxia.
O quinto ponto trata do hidrogênio dentro do Sistema Solar, que brilha em Lyman-alfa ao refletir a luz do Sol. Henry cita Gary Thomas, da Universidade do Colorado, que já tinha observado o fenômeno com o satélite OGO-5 e achava que o hidrogênio vinha do espaço interestelar atravessando o Sistema Solar. A Apollo 17, diz, obteve "uma quantidade enorme de dados" para esclarecer o quadro. A página termina quando ele começa a falar do espectro da Terra visto de fora, lembrando que quem estava lá eram os astronautas.
O trecho foi publicado na coleção de arquivos UAP, mas não descreve luzes, objetos ou fenômenos vistos pela tripulação. Os "resultados inesperados" são dados de um instrumento científico, com hipóteses astronômicas apresentadas pelo próprio pesquisador, que dizia aguardar uma análise demorada em computador. O documento completo tem ao menos 120 páginas, mas só estas três estão no arquivo publicado. Não há gravação oficial deste debriefing na lista de áudios e vídeos da NASA publicados na mesma coleção.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Tradução integral das três páginas do arquivo (capa, página 119 e página 120 da transcrição), conferidas no fac-símile. O restante do debriefing não faz parte do PDF publicado.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 1
Capa, página física 1
CB/R. A. PARKER [à mão] | MSC-07632 | ADMINISTRAÇÃO NACIONAL DE AERONÁUTICA E ESPAÇO | * APOLLO 17: DEBRIEFING DA TRIPULAÇÃO PARA A CIÊNCIA | 8 DE JANEIRO DE 1973 | PREPARADO PELA SEÇÃO DE REQUISITOS CIENTÍFICOS, DIVISÃO DE CIÊNCIAS PLANETÁRIAS E DA TERRA | DADOS DE INDEXAÇÃO: DATA 8/1/73, ÓRGÃO MSC, Nº MSC-07632, T B, PROGRAMA APO, ASSUNTO *, SIGNATÁRIO NS, LOCAL 080-44F | CENTRO DE NAVES TRIPULADAS, HOUSTON, TEXAS | HS1-481238 [à mão]Nota editorial: Conferido no fac-símile. O texto automático tinha lido mal o carimbo de indexação ("I\JS oso-44,=:-"); os campos foram transcritos da imagem.
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CB/R. A. PARKER [handwritten] | MSC-07632 | NATIONAL AERONAUTICS AND SPACE ADMINISTRATION | * APOLLO 17 CREW DEBRIEFING FOR SCIENCE | JANUARY 8, 1973 | PREPARED BY SCIENCE REQUIREMENTS BRANCH, PLANETARY AND EARTH SCIENCES DIVISION | INDEXING DATA: DATE 1-8-73, OPR MSC, # MSC-07632, T B, PGM APO, SUBJECT *, SIGNATOR NS, LOC 080-44F | MANNED SPACECRAFT CENTER, HOUSTON, TEXAS | HS1-481238 [handwritten]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 1, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 2
Página física 2 (página 119 da transcrição), íntegra
HENRY (CONTINUAÇÃO): [...] segurando-o gravitacionalmente. Pensamos que pudesse estar na forma de hidrogênio ionizado. Procuramos a radiação Lyman-alfa, deslocada para o vermelho, desse hidrogênio ionizado, e não vimos nenhuma. Estabelecemos um limite inferior, que certamente exclui a possibilidade de o aglomerado de Coma ser mantido unido por esse hidrogênio ionizado. Acho que isso pode deixar um verdadeiro mistério sobre o que mantém a coisa unida. O quarto ponto pode acabar sendo o mais interessante de todos. Quando se olha para a Via Láctea, vê-se muito ultravioleta vindo das estrelas, mas a questão é: o que se vê quando se olha para cima, para o Polo Norte Galáctico, ou para baixo, para o Polo Sul Galáctico? Um dos resultados mais empolgantes da astronomia de raios X foi a observação, em todo o céu, de um fundo de raios X que ninguém esperava, e parte disso é o fundo de raios gama de que o Dr. Trombka falou. No ultravioleta, ninguém sabe, mas nunca se sabe até olhar. É preciso lidar com esse fundo de estrelas que sabemos que está lá. Então olhamos um grande número de pontos diferentes em altas latitudes galácticas, tanto ao norte quanto ao sul. O espectro que vemos está acima dessa contagem escura. Em outras palavras, essa corrente escura anormalmente alta de fato não interferiu nesse experimento. O espectro que vemos parece o espectro da [estrela] quenteNota editorial: Conferido no fac-símile. "We though" está assim no original (por "We thought"); mantido. A frase anterior, do início do raciocínio, está numa página que não faz parte do arquivo.
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HENRY (CONT'D): gravitationally holding it together. We though it might be in the form of ionized hydrogen. We looked for Lyman-alpha radiation, red shifted from the ionized hydrogen, and we didn't see any. We set a lower limit, which certainly excludes the possibility that the Coma cluster is held together by this ionized hydrogen. I think that may leave a real mystery as to what is holding the thing together. The fourth point may turn out to be the most interesting thing of all. When you look in the Milky Way, you see a lot of UV coming from the stars, but the question is, what do you see when you look up to the North Galactic Pole or down to the South Galactic Pole. One of the most exciting results of X-ray astronomy was the fact that an X-ray background was observed over the sky that nobody had expected, and part of this is the gamma-ray background that Dr. Trombka talked about. In the UV, nobody knows, but you never know until you look. You do have to deal with this background of stars that we know is there. So we did look at a large number of different points at high galactic latitudes, both north and south. The spectrum that we see is above this dark count. In other words, this abnormally high dark current did not, in fact, interfere with that experiment. The spectrum that we see looks like the spectrum of the hotConsultar a ficha do documento ↗ · Página física 2, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 3
Página física 3 (página 120 da transcrição), íntegra
HENRY (CONTINUAÇÃO): [estrela] quente; porém, sabemos que não havia estrelas quentes no nosso campo de visão. Portanto, a interpretação mais conservadora, acho, é que o que estamos vendo é luz de estrelas quentes do plano galáctico que sobe para fora do plano e é refletida pela poeira interestelar. Há certas características do espectro, porém, que não se encaixam nessa teoria, e é pelo menos possível que isso seja radiação extragaláctica. Aguardo com muita expectativa o estudo detalhado disso em computador, mas vai levar muito tempo. Quinto ponto: a radiação Lyman-alfa do hidrogênio é um problema completamente separado, e Gary Thomas, da Universidade do Colorado, e Charles Barthum [?] observaram isso a partir do OGO-5. Obtivemos uma quantidade simplesmente enorme de dados na Apollo, que vai pôr esse quadro em ordem e esclarecê-lo consideravelmente. É hidrogênio que está dentro do nosso Sistema Solar. É luz do Sol refletida nele. O hidrogênio, pensa Gary Thomas, é hidrogênio do espaço interestelar que atravessa o Sistema Solar, e ele aguarda com grande expectativa as análises detalhadas disso. Mais uma coisa: o espectro da Terra. Fico dizendo "nós", mas quem estava lá eram esses rapazes. Olhamos a Terra de fora. Muita gente já observouNota editorial: Conferido no fac-símile. O "[?]" depois de "Charles Barthum" está no próprio original datilografado, indicando dúvida do transcritor sobre o nome; não foi corrigido. A página termina no meio da frase.
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HENRY (CONT'D): star; however, we know that there were no hot stars within our field of view. Therefore, the most conservative interpretation, I think, is that what we're seeing is light from hot stars in the galactic plane going up out of the plane and reflecting off interstellar dust. There are certain characteristics of the spectrum, though, that don't fit that theory, and it's at least possible that this is extragalactic radiation. I'm looking forward very much to the detailed computer study of this, but it's going to take a long time. Fifth point: Lyman-alpha hydrogen radiation is a completely separate problem, and Gary Thomas at the University of Colorado and Charles Barthum [?] observed this from OGO-5. We obtained just an enormous amount of data on the Apollo that's going to straighten out this picture and clarify it considerably. This is hydrogen that is inside our solar system. It's sunlight reflecting off this. The hydrogen, Gary Thomas thinks, is hydrogen from interstellar space streaming through the solar system, and he is looking forward with great anticipation to getting detailed analyses of that. One more thing: the spectrum of the Earth. I keep saying "we," but these were the guys that were there. We looked at the Earth from outside. A lot of people have observedConsultar a ficha do documento ↗ · Página física 3, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 08/01/1973 — Data do debriefing, na capa. As observações do espectrômetro foram feitas durante a missão, em dezembro de 1972.
- Documento
- 08/01/1973 — Capa do documento MSC-07632.
- Publicação
- 05/2026 — Primeira publicação da coleção de arquivos UAP (Release 1), maio de 2026.
Origem e divulgação
NASA, Centro de Naves Tripuladas, Seção de Requisitos Científicos; fala de Richard (Dick) Henry · NASA-UAP-D5-Apollo-17-Crew-Debriefing-for-Science-1973.pdf
Páginas físicas 1 a 3 conferidas no fac-símile.
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Relatos relacionados e suas diferenças
Perguntas para continuar a investigação
- Por que este trecho de astrofísica foi escolhido para a coleção de arquivos UAP, se não descreve observação da tripulação?
- O que diz o restante do debriefing científico de 8 de janeiro de 1973, que não foi publicado nesta coleção?
GEOGRAFIA DO CASO
Houston, Texas
Referência aproximada ao Centro de Naves Tripuladas, onde ocorreu o debriefing, posicionada pela redação. Não indica local de observação.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- NASA-UAP-D5-Apollo-17-Crew-Debriefing-for-Science-1973.pdf
Páginas físicas 1 a 3: capa do documento MSC-07632, de 08/01/1973, e páginas 119 e 120 da transcrição, com a fala de Richard (Dick) Henry
NASA · 3 páginas
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