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Fevereiro a abril de 1949 (estudo enviado em 07/03/1949) / Estado-Maior do Exército dos EUA, Washington, D.C.

Pentágono, 1949: a inteligência do Exército avalia os discos voadores e não confirma a tese dos mísseis russos

A pedido do setor de Planos e Operações, a Divisão de Inteligência do Exército preparou em 1949 uma avaliação curta dos discos voadores: cerca de 20% de 210 casos explicados e nenhuma evidência tangível de atividade estrangeira. Quando o radialista Walter Winchell disse que os discos eram mísseis vindos da Rússia, a inteligência respondeu que não tinha como confirmar a afirmação.

História da investigação
Data do evento
Fevereiro a abril de 1949 (estudo enviado em 07/03/1949)
Local
Estado-Maior do Exército dos EUA, Washington, D.C.
Tema
História da investigação
Órgãos das fontes
DOW
Documentos
1 documento · 25 páginas
Leitura
4 min

FONTES DOCUMENTAIS · DOW

O que os registros contam

O arquivo nasce de uma troca interna no Estado-Maior do Exército dos EUA. Segundo um memorando de 20 de abril de 1949, diversas mensagens recebidas em fevereiro sobre discos voadores levaram o setor de Planos e Operações a pedir à Divisão de Inteligência, em 24 de fevereiro, uma avaliação do fenômeno. O estudo foi enviado em 7 de março. Outro memorando explica o propósito: saber se os relatos vinham de fenômenos naturais ou se sua origem podia ser atribuída com segurança às atividades de uma potência estrangeira.

O estudo, de uma página, resume o trabalho do grupo especial do Comando de Material Aéreo em Wright-Patterson, que investigava com apoio de especialistas, entre eles os da RAND Corporation. De cerca de 210 incidentes, aproximadamente 20% tinham sido explicados, a maioria como balões meteorológicos; outros como equipamento de raios cósmicos, bólidos, meteoros e, num caso, o planeta Vênus visto de dia. Apenas dois relatos foram declarados fraude. O período investigado começa em junho de um ano cujo último dígito está ilegível na cópia.

O ponto central é outro: até então não havia evidência tangível de que algum incidente fosse obra de uma nação estrangeira, nem projetos experimentais secretos do governo americano que pudessem responder por eles. Aparelhos estrangeiros com aquele desempenho, diz o texto, desafiariam limites bem definidos da ciência aeronáutica. A Divisão de Inteligência acrescentava uma opinião própria: com dados completos, os 80% restantes poderiam ser eliminados como fenômenos naturais ou balões, e o grande número de relatos se devia sobretudo à publicidade dada aos discos.

Em 3 de abril de 1949, o comentarista Walter Winchell disse no rádio, segundo o resumo diário do Exército, que os discos voadores “nunca explicados” pelas autoridades eram agora “sabidamente” mísseis guiados lançados da Rússia, e que quem negasse estaria mentindo. O setor de Planos e Operações pediu à inteligência que verificasse a afirmação. A resposta, datada de 18 de abril, foi que não era possível confirmá-la nem saber em que se baseava, e que talvez Winchell quisesse arrancar uma declaração oficial.

O arquivo mostra como a questão circulava entre órgãos. A inteligência do Exército tratava a avaliação como provisória, prometia comunicar qualquer mudança e buscava uma posição oficial da Força Aérea, responsável pelas investigações. As páginas de boletins de rádio anexas trazem assuntos variados, como Alemanha, Grécia e o Pacto do Atlântico, e só a última menciona discos voadores. A ênfase deste estudo, sem sinal de atividade estrangeira, contrasta com a análise da Força Aérea de dezembro de 1948, que mantinha aberta a hipótese soviética.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Documento do governo dos EUA. Traduzido o essencial do estudo de avaliação (página 11) e da resposta sobre Winchell (página 16). Do boletim de rádio, traduzida só a frase de Winchell sobre discos, como citação atribuída; as demais notícias não foram usadas.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 11

Evaluation Study of Phenomenon, parágrafos 2 e 3, página física 11

De cerca de 210 incidentes, aproximadamente vinte (20) por cento foram explicados. A maioria envolvia confusão com balões meteorológicos sinóticos. Outros envolviam observações de equipamento aéreo de pesquisa de raios cósmicos, bólidos, meteoros e, num caso, a observação diurna do planeta Vênus. Apenas dois incidentes relatados foram considerados fraude. Até agora não houve evidência tangível que sustente a teoria de que algum incidente seja atribuível à atividade de uma nação estrangeira. Não há projetos experimentais altamente secretos do governo dos EUA que possam ser responsáveis.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. O texto automático da página era ilegível.

Conferir original em inglês
Of some 210 incidents, approximately twenty (20) per cent have been explained. The majority of these involved misidentification of synoptic weather balloons. Others involved observations of airborne cosmic ray research equipment, bolides, meteors, and in one instance, the daylight observation of the planet Venus. Only two reported incidents were determined to have been hoax. To date there has been no tangible evidence which would support a theory that any incidents are attributable to activity of a foreign nation. There are no highly secret experimental Projects of the U.S. Government that could be responsible.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 11, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 11

Estudo, último parágrafo, página física 11

A Divisão de Inteligência entende que, se houvesse dados completos, os 80% restantes dos avistamentos relatados poderiam ser eliminados como devidos a fenômenos meteorológicos naturais, balões meteorológicos domésticos e semelhantes. Acredita-se que o maior número de relatos de objetos não identificados se deva principalmente à publicidade dada aos “discos voadores” na imprensa e em alguns círculos oficiais.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. É opinião declarada da Divisão, não resultado demonstrado caso a caso.

Conferir original em inglês
The ID feels that if complete data were available the remaining 80% of the reported sightings could be eliminated as due to natural meteorological phenomena or domestic weather balloons and the like. The larger number of actual reports of unidentified objects is thought to be primarily due to the publicity given "flying saucers" in the public print and in some official circles.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 11, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 16

Resposta da inteligência sobre Winchell, comentário n.º 2, parágrafo 3, página física 16

A Divisão de Inteligência não consegue verificar a afirmação do Sr. Winchell de que “os discos voadores * * * são agora sabidamente mísseis guiados lançados da Rússia” e não tem informação sobre a base da afirmação nem sobre a “informação” em que possa ter se apoiado. É possível, porém, que o Sr. Winchell tenha divulgado a nota numa tentativa de obter alguma declaração oficial do Estabelecimento Militar Nacional sobre o assunto.

Nota editorial: Conferido no fac-símile; o documento é datado de 18/04/1949.

Conferir original em inglês
CSGID is unable to verify Mr. Winchell's statement that "flying saucers * * * are now definitely known to have been guided missiles shot all the way from Russia" and has no information as to the basis for the statement or "information" on which it may have been based. It is, however, possible that Mr. Winchell published this item in an attempt to obtain some official statement from the NME on the subject.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 16, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
07/03/1949 — Envio do estudo pela Divisão de Inteligência, segundo o memorando de 20/04/1949 (página 15). O pedido é de 24/02/1949.
Documento
18/04/1949 — Resposta sobre Winchell (página 16); o arquivo reúne documentos de 24/02 a 20/04/1949.
Publicação
Não estabelecida — Publicação no acervo do Departamento de Guerra sem data de lote conferida.

Origem e divulgação

Exército dos EUA, Estado-Maior: Divisão de Inteligência (CSGID) e setor de Planos e Operações (P&O) · DOW-UAP-D084_USArmy-Flying-Saucer-Study_1949.pdf

Páginas físicas 11, 16 e 25 conferidas no fac-símile; 7, 8, 13 e 15 lidas no texto extraído e nas notas de leitura. Páginas 20 a 24 (boletins sem tema UAP) não foram usadas.

Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • A Força Aérea respondeu ao pedido de posição oficial feito pela inteligência do Exército em abril de 1949?
  • Qual ano exato consta no início do período investigado, ilegível nesta cópia?

GEOGRAFIA DO CASO

Washington, D.C. (Estado-Maior do Exército)

Documento administrativo e de análise; não se refere a um local de observação.

RASTRO DOCUMENTAL

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As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. DOW-UAP-D084_USArmy-Flying-Saucer-Study_1949.pdf

    Páginas físicas 7, 8, 11, 13, 15 e 16: trâmite e texto da Evaluation Study of Phenomenon (Flying Saucers), fevereiro a abril de 1949 · Página física 25: Daily Radio Digest com o comentário de Walter Winchell de 03/04/1949

    DOW · 25 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

UMA HISTÓRIA LEVA A OUTRA

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Mapa antigo dos Estados Unidos e do sul do Canadá com pequenos símbolos pretos agrupados no Oregon, na Califórnia, em Ohio, no Kentucky e na costa leste, e uma legenda no canto inferior direito.mapa

História da investigação1948Estados Unidos; estudo da inteligência do Departamento da Força Aérea, com mapa de relatos até 1º/08/1948

Washington, dezembro de 1948: análise secreta da Força Aérea conclui que “algum tipo de objeto” vinha sendo visto

O estudo Analysis of Flying Object Incidents in the U.S., classificado como ultrassecreto, examinou cerca de 210 relatos e concluiu que algum tipo de objeto voador vinha sendo observado, sem conseguir dizer o que era. Entre as hipóteses, pôs lado a lado lançamentos americanos, fenômenos naturais e aeronaves estrangeiras, com ênfase numa possível origem soviética.

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