Maio a outubro de 1946 (avaliação publicada em 09/01/1947) / Suécia, com relatos também na Finlândia, Dinamarca e Noruega
Escandinávia, 1946: a inteligência do Exército dos EUA avalia os “foguetes-fantasma”
Um boletim secreto da Divisão de Inteligência do Departamento de Guerra resumiu, em janeiro de 1947, a onda de “foguetes-fantasma” sobre a Escandinávia. A análise admitiu apenas poucos casos compatíveis com mísseis do tipo V-1 e atribuiu os relatos de grande altitude a meteoros ou fogos de artifício.
- Data do evento
- Maio a outubro de 1946 (avaliação publicada em 09/01/1947)
- Local
- Suécia, com relatos também na Finlândia, Dinamarca e Noruega
- Tema
- História da investigação
- Órgãos das fontes
- DOW
- Documentos
- 1 documento · 8 páginas
- Leitura
- 5 min
FONTES DOCUMENTAIS · DOW
O que os registros contam
Em 9 de janeiro de 1947, a Divisão de Inteligência do Estado-Maior do Departamento de Guerra dos EUA publicou o número 47 de sua Intelligence Review, um boletim secreto distribuído a comandos militares, à Marinha, ao Departamento de Estado, ao FBI e à Casa Branca. A cópia preservada leva o carimbo de recebimento de 20 de janeiro. Uma seção especial de quatro páginas trata dos “foguetes-fantasma” sobre a Escandinávia. Segundo o texto, a imprensa começou a relatar mísseis voadores no sul da Suécia no fim de maio de 1946 e lhes deu esse nome. Em junho vieram relatos da Finlândia e da Dinamarca; em julho, eles se multiplicaram na Suécia e surgiram na Noruega.
O boletim resume as descrições sem tomá-las como medições. As duas mais comuns eram “uma bola de fogo com cauda” e “um objeto brilhante em forma de charuto”. As direções cobriam todos os pontos da bússola, com leve predominância para o norte. As altitudes informadas iam da copa das árvores a 160 mil pés, estas quase só na Finlândia, e as velocidades de 65 milhas por hora a “rápido como um raio”. Alguns objetos teriam mergulhado no chão ou em lagos, ou explodido no ar, mas nenhum fragmento foi achado além de pedaços descritos como “escória não metálica”.
O único relato individual detalhado é o de um piloto da Força Aérea sueca, tratado pelo boletim como observador mais confiável que o leigo comum. Em 14 de agosto, às 10h, voando a 650 pés sobre o centro da Suécia, ele disse ter visto um objeto escuro em forma de charuto, com cerca de 50 pés de comprimento e 3 de diâmetro, 200 pés acima dele e a uns 6.500 pés de distância, a cerca de 400 milhas por hora, sem asas, leme, chama ou luz. Como o piloto afirmou que o objeto mantinha altura constante sobre o relevo, os analistas americanos disseram que isso lançava dúvida sobre todo o relato.
O texto registra também a disputa política. A imprensa escandinava, exceto a comunista, atribuiu os mísseis à União Soviética; em agosto houve censura parcial sobre locais e detalhes; a imprensa comunista ridicularizou o assunto e chegou a acusar os Estados Unidos. O Estado-Maior sueco, que pediu relatos ao público em junho, recebeu quase mil até o fim de julho. Seus porta-vozes disseram ao adido militar americano que acreditavam em foguetes lançados de Peenemünde, mas não apresentaram provas, e nenhum militar americano na Suécia viu fragmentos ou pontos de impacto. Os comunicados oficiais mudaram: em 6 de agosto, poucos casos poderiam ser meteoritos; em 10 de outubro, a grande maioria teria origem celeste.
Na conclusão, o boletim lembra que os soviéticos trabalhavam com mísseis guiados e provavelmente tinham testado o tipo V-1, e cita indícios de trabalhos em Stolp e nas ilhas bálticas de Oesel e Dago. Três observadores mencionaram ruído de motor de popa, típico do motor pulsante da V-1, e um comparou o que viu às V-1 que tinha visto sobre Londres. Para os analistas, a melhor evidência apontava apenas dois ou três incidentes reais, talvez cinco ou dez, de mísseis desse tipo em voo baixo; os de grande altitude teriam sido meteoros ou fogos de artifício. O texto sugere ainda que o Estado-Maior sueco deixou a história crescer num momento de pressão por corte de gastos militares.
O documento é uma avaliação de inteligência feita à distância, com base em relatos de terceiros, comunicados e conversas de adidos. Não traz nomes, locais nem registros de caso, e suas conclusões sobre mísseis soviéticos e sobre as intenções do governo sueco são juízos dos analistas, não fatos demonstrados na página. Uma nota de rodapé acrescenta que, em setembro e outubro, houve relatos de objetos voadores na Bélgica, Grécia, Itália, Marrocos e Áustria, em geral não confirmados e aparentemente explicáveis por meteoros, sinalizadores ou fogos de artifício.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Documento do governo dos EUA; traduzidos trechos da seção sobre os foguetes-fantasma. O sumário do boletim, os demais artigos não incluídos neste PDF e a lista de distribuição não foram traduzidos.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 3
Abertura da seção, página física 3
Mísseis voadores foram relatados pela primeira vez sobre o sul da Suécia no fim de maio de 1946 pela imprensa, que lhes deu o nome de “foguetes-fantasma”. Em junho, os mísseis também tinham sido relatados sobre a Finlândia e a Dinamarca.Nota editorial: Conferido no fac-símile.
Conferir original em inglês
Flying missiles were first reported over southern Sweden in late May 1946 by the press, which gave the missiles the name of “Ghost Rockets.” In June, the missiles also had been reported over Finland and Denmark.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 3, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 4
Relato do piloto sueco, página física 4
Em 14 de agosto, às 10h, ele voava a 650 pés sobre o centro da Suécia quando viu um objeto escuro, em forma de charuto, com cerca de 50 pés de comprimento e 3 pés de diâmetro, voando 200 pés acima dele e a aproximadamente 6.500 pés de distância, a uma velocidade estimada de 400 milhas por hora.Nota editorial: Números conferidos no fac-símile. O ano não aparece na frase; pelo contexto da seção, é 1946.
Conferir original em inglês
On 14 August, at 1000 hours, he was flying at 650 feet over central Sweden when he saw a dark, cigar-shaped object about 50 feet long and 3 feet in diameter flying 200 feet above and approximately 6,500 feet away from him at an estimated speed of 400 m. p. h.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 4, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 6
Conclusão, página física 6
A melhor evidência, no momento, é de que houve apenas 2 ou 3 incidentes reais, talvez até 5 ou 10, de mísseis do tipo V-1 em voo baixo. Os mísseis relatados em grande altitude parecem definitivamente ter sido meteoros ou fogos de artifício.Nota editorial: Conferido no fac-símile.
Conferir original em inglês
The best evidence, at present, is that there have been only 2 or 3 real incidents, perhaps as many as 5 or 10, of low-flying missiles of the V-1 type. The high-altitude missiles reported seem definitely to have been meteors or fireworks.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 6, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 05/1946 — Início da onda segundo o boletim: fim de maio de 1946. O relato do piloto é de 14 de agosto (1946, pelo contexto). Comunicados suecos citados: 06/08 e 10/10/1946.
- Documento
- 09/01/1947 — Data impressa na capa da Intelligence Review n.º 47; carimbo de recebimento de 20/01/1947.
- Publicação
- Não estabelecida — Documento divulgado pelo Departamento de Guerra no lote DOW-UAP; data de liberação não indicada nas páginas.
Origem e divulgação
Departamento de Guerra dos EUA, Divisão de Inteligência do Estado-Maior (WDGS); autoria institucional sem assinatura · DOW-UAP-D099_Intelligence-Review-of-Ghost-Rocket-Incidents_1947.pdf
Páginas físicas 1 e 3 a 6 conferidas no fac-símile; página 7 (aviso e distribuição) e 8 (folha final) consultadas no texto extraído.
Relatos relacionados e suas diferenças
Perguntas para continuar a investigação
- Os relatórios do adido militar americano em Estocolmo, que alimentaram esta avaliação, foram preservados e liberados?
- Quais foram os três observadores que falaram em ruído de motor de popa e onde estavam?
- O relato do piloto sueco de 14 de agosto consta dos arquivos da investigação sueca com mais detalhes?
GEOGRAFIA DO CASO
Suécia e demais países nórdicos
O boletim não informa locais específicos dos relatos; por isso não há ponto no mapa.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- DOW-UAP-D099_Intelligence-Review-of-Ghost-Rocket-Incidents_1947.pdf
Página física 1: capa da Intelligence Review n.º 47, Divisão de Inteligência do Departamento de Guerra, 09/01/1947 · Páginas físicas 3 a 6: seção especial “Ghost Rockets” over Scandinavia (pp. 17 a 20 do boletim)
DOW · 8 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

