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20/12/1948, 20h54 (e episódio semelhante em 13/12/1948, 21h30) / Área de Los Alamos, Novo México, EUA

Los Alamos, 1948: inspetores de segurança veem bola verde descer, seguir na horizontal e sumir sem ruído

Na noite de 20 de dezembro de 1948, dois pares de inspetores de segurança de Los Alamos viram uma bola de fogo branco-esverdeada descer e depois seguir quase na horizontal. Com os esboços deles e medições de teodolito, Lincoln LaPaz calculou uma trajetória que passava cerca de seis milhas ao norte da cidade e afirmou que não se tratava de meteorito.

Relatórios militares de 1948–1949
Data do evento
20/12/1948, 20h54 (e episódio semelhante em 13/12/1948, 21h30)
Local
Área de Los Alamos, Novo México, EUA
Tema
Relatórios militares de 1948–1949
Órgãos das fontes
DOW · DOE
Documentos
2 documentos · 141 páginas
Leitura
8 min

FONTES DOCUMENTAIS · DOW / DOE

O que os registros contam

Uma nota do resumo do OSI de abril de 1949 agrupa dois incidentes de dezembro de 1948 pelo mesmo traço incomum: observadores relataram duas luzes vermelhas seguindo a bola verde, sempre na mesma posição entre si, e uma mudança brusca de direção no plano vertical. O de 13 de dezembro, às 21h30, foi visto por um caminhoneiro e sua esposa a sudoeste de uma localidade cujo nome está cortado na cópia (provavelmente Las Vegas). O de 20 de dezembro, às 20h54, por inspetores de segurança na área de Los Alamos.

O terceiro relatório de LaPaz ao OSI, de 30 de dezembro, trata do segundo caso. Os inspetores William D. Wilson e Buford G. Truett, do Serviço de Segurança da Energia Atômica, e Clifford E. Strang e George S. Skipper, da segurança física, viram de dois pontos, a 8 milhas um do outro, uma bola 'branco-esverdeada'. Em 29 de dezembro os quatro desenharam esboços, e LaPaz e o capitão Neef fizeram medições com teodolito nos locais.

Pela reconstrução, a bola surgiu a pelo menos 10 milhas de altura, desceu num ângulo de cerca de 45 graus até uns 2,3 milhas acima do ponto de Strang e Skipper e então se nivelou, percorrendo cerca de 7,5 milhas quase na horizontal, a 3,75 a 7,5 milhas por segundo, conforme a duração adotada. O prolongamento da trajetória passava cerca de seis milhas ao norte da cidade de Los Alamos. Ninguém ouviu som, embora a distância pudesse ser de poucas milhas.

LaPaz escreveu que não hesitava em afirmar que um objeto com essa trajetória 'não era um meteorito em queda'. Ele mesmo, porém, advertiu que esse cálculo valia bem menos que o de 12 de dezembro, pela linha de base curta e pelas condições difíceis, e registrou que só Truett viu o trecho descendente. Na conferência de fevereiro de 1949, LaPaz contou que a AESS montara uma patrulha fotográfica na noite de 19; na de 20, quando a bola passou, o equipamento já tinha sido desmontado.

O relatório de LaPaz não menciona as duas luzes vermelhas nem a mudança brusca de direção descritas na nota do OSI; o 'descer e nivelar' que ele reconstrói pode ser a mesma mudança vista de outro modo, mas os documentos não dizem isso. Os depoimentos originais dos inspetores e os esboços desenhados por eles em 29 de dezembro não estão no acervo, e o episódio de 13 de dezembro só aparece nessa nota curta, sem nomes.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Traduzidas na íntegra a nota 2 (página física 77) e as duas páginas do terceiro relatório de LaPaz (78 e 79) do DOW-UAP-D017, e o trecho da transcrição de 1949 sobre a patrulha fotográfica (a página inteira está na ampliação de bolas-verdes). Partes cortadas na margem da nota 2 marcadas entre colchetes.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 77

Nota 2 do resumo do OSI de abril de 1949: incidentes de 13 e 20 de dezembro (íntegra), página física 77

INCIDENTES DE 13 E 20 DE DEZEMBRO DE 1948: O traço incomum desses dois incidentes é que foram relatadas duas luzes vermelhas seguindo a bola de fogo verde. Em cada caso, os observadores concordaram que as luzes de trás mantinham posição constante entre si e em relação à luz verde. Além disso, esses dois avistamentos são os únicos, entre todas as bolas de fogo verdes, em que se observou uma mudança brusca de direção no plano vertical. Um dos incidentes, o de 20 de dezembro, foi observado por inspetores do Serviço de Segurança da Energia Atômica; o outro, por um caminhoneiro e sua esposa. O de 20 de dezembro foi visto na área de Los [Alamos]; o de 13 de dezembro, a sudoeste de Las [Ve...]. NOTA 2

Nota editorial: Conferido na imagem da página física 77 do DOW-UAP-D017. A margem direita está cortada na cópia; as partes entre colchetes foram completadas pelo sentido, e o último nome ('Las V...') não pode ser lido por inteiro (provavelmente Las Vegas, Novo México). Na tabela anexa (p. 73), o incidente de 13 de dezembro está às 21h30 e o de 20 de dezembro às 20h54.

Conferir original em inglês
INCIDENTS OF 13 AND 20 DECEMBER 1948: The unusual feature of these two incidents is that there were report[ed] two red lights trailing the green fireball. In each case observers agre[ed] that the trailing lights retained a constant position with respect to ea[ch] other and to the green light. Also, these two sightings are the only tw[o of] all the green fireballs where a sharp change of direction in the vertic[al] plane was observed. One of these incidents, that of 20 December, was ob[served] by Atomic Energy Security Service Inspectors, while the other was obser[ved by a] truck driver and his wife. That of 20 December was observed in the Los [Alamos] area, while that of the 13th of December was observed southwest of Las [Ve...]. NOTE 2

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 77, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 78

Terceiro relatório de LaPaz, 30/12/1948, página 1 (íntegra), página física 78

CÓPIA. ANEXO N.º 6. Universidade do Novo México, Albuquerque. Instituto de Meteorítica. 30 de dezembro de 1948. PARA: tenente-coronel Doyle Rees, comandante do Distrito n.º 17 do Escritório de Investigações Especiais. DE: Lincoln LaPaz, diretor do Instituto de Meteorítica. Assunto: Fenômenos luminosos anômalos (terceiro relatório). No segundo relatório desta série, descreveu-se a trajetória real na atmosfera da bola de fogo verde de 12 de dezembro de 1948, 21h02 (com margem de 30 segundos). Com base em observações correspondentes feitas de uma estação perto de Starvation Peak, Novo México, e de outra perto de Los Alamos, verificou-se que essa bola apareceu perto do ponto de 35° 50' N, 106° 40' O, e desapareceu perto do ponto de 35° 45' N, 107° 05' O, percorrendo uma trajetória quase horizontal, a cerca de 10 milhas acima do nível do mar, com cerca de 25 milhas de comprimento, a aproximadamente 10 milhas por segundo. (O comprimento mínimo compatível com as observações foi de cerca de 11 milhas, com velocidade então entre 3 e 6 milhas por segundo, conforme a duração adotada.) Com base em observações correspondentes da bola de fogo branco-esverdeada de 20 de dezembro de 1948, às 20h54, feitas por dois pares de observadores de Los Alamos, foi possível agora calcular outra trajetória real aproximada. Como se vê pelos relatos originais dos inspetores da AESS William D. Wilson, Buford G. Truett e Clifford E. Strang e do inspetor de segurança física George S. Skipper, a bola de fogo de 20 de dezembro foi observada em condições menos favoráveis que a bola verde vista por cinco pessoas na noite de 12 de dezembro. Ainda assim, com base nos relatos originais desses observadores, em esboços fornecidos pelos quatro em 29 de dezembro e em medições com teodolito feitas pelo capitão M. E. Neef e pelo signatário na mesma data, nos pontos de observação (35° 48,9' N, 106° 18,4' O para Strang e Skipper; 35° 55' N, 106° 23' O para Wilson e Truett), foi possível estabelecer razoável concordância entre vários pontos da trajetória da bola vista pelos dois grupos. Por causa da linha de base muito curta (só 8 milhas) entre os dois pontos de observação e das condições difíceis em que a bola de 20 de dezembro foi vista, considero que a trajetória real derivada das observações de 20 de dezembro merece peso consideravelmente menor que a obtida das observações de 12 de dezembro. NOTA 3

Nota editorial: Conferido na imagem da página física 78 do DOW-UAP-D017 (margem direita parcialmente cortada, texto completado sem ambiguidade). Os esboços de 29 de dezembro citados não estão no acervo.

Conferir original em inglês
COPY. INCLOSURE #6. The University of New Mexico, Albuquerque. Institute of Meteoritics. December 30, 1948. TO: Lt. Colonel Doyle Rees, Commanding Officer, District No. 17, Office of Special Investigations. From: Lincoln LaPaz, Director, Institute of Meteoritics. Subject: Anomalous luminous phenomena (Third Report). In the second report of this series, a description was given of the real path through the atmosphere of the green fireball of 1948, December 12, 9h 2m (plus or minus 30s). On the basis of corresponding observations made from one station near Starvation Peak, New Mexico, and a second station near Los Alamos, New Mexico, this fireball was found to have appeared near a point with the coordinates: latitude 35° 50' N, longitude 106°, 40' W, and to have disappeared near a point with the coordinates: latitude 35° 45' N, longitude 107° 05' W, traversing an almost horizontal path, at an elevation of about 10 miles above sea level, with a length of about 25 miles, at a velocity of approximately 10 miles per second. (The minimum path length consistent with the observations was found to be about 11 miles, the corresponding velocity then falling between 3 and 6 miles per second, depending on the duration adopted.) On the basis of corresponding observations of the greenish-white fireball of 1948, December 20, 8h 54m p.m. made by two pairs of Los Alamos observers, it has now become possible to work out another approximate real path. As will be apparent from the original accounts of the observations made by AESS Inspectors William D. Wilson, Buford G. Truett, Clifford E. Strang, and Physical Security Inspector George S. Skipper, the fireball of 1948, December 20 was observed under less favorable conditions than the green fireball seen by five persons on the night of December 12. However, on the basis of the original accounts of the observers named above, of sketches supplied by these four individuals on December 29 and of transit observations made by Captain M. E. Neef and the undersigned on the same date at the points of observation (viz., 35° 48'.9, 106° 18'.4 for Strang and Skipper and 35° 55', 106° 23' for Wilson and Truett), it has been possible to establish reasonable concordance between various points on the fireball path as seen by the two groups of observers. Because of the very short baseline (only 8 miles long) between the two points of observation and the difficult conditions under which the fireball of December 20 was observed, it is my opinion that the real path derived from the December 20 observations deserves considerably less weight than that obtained from the December 12 observations. NOTE 3

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 78, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 79

Terceiro relatório de LaPaz, página 2 (íntegra), página física 79

30 de dezembro de 1948. Tenente-coronel Doyle Rees, página 2. Verifica-se que a bola de fogo observada em dupla pelos Srs. Wilson, Truett, Strang e Skipper apareceu a uma altura de pelo menos 10 milhas e desceu num ângulo de cerca de 45° em relação à vertical (segundo a estimativa de Truett) até o ponto C, a apenas 2,3 milhas acima do plano horizontal que passa pelo ponto de onde Strang e Skipper observaram. Ao se aproximar do ponto C, a trajetória se nivelou, e de C até o ponto de desaparecimento, E, a bola seguiu uma trajetória quase horizontal de cerca de 7,5 milhas, com velocidade entre 3,75 e 7,5 milhas por segundo, conforme a estimativa de duração adotada. As coordenadas da projeção de C no solo são 35° 56' N, 106° 30' O, e as da projeção de E são 35° 57' N, 106° 23' O. O prolongamento para a frente do traço da bola no solo, determinado por essas projeções, passa cerca de seis milhas ao norte da cidade de Los Alamos. Note-se que o ramo descendente da trajetória foi observado só pelo inspetor Truett, mas ele tinha absoluta certeza de que sua observação desse trecho estava correta. Note-se também que nenhum som foi ouvido, embora a distância dos observadores até a bola e da bola até o solo pudesse ser de no máximo poucas milhas. Não hesito em afirmar que um objeto com a trajetória e as demais peculiaridades observadas pelos Srs. Wilson, Truett, Strang e Skipper não era um meteorito em queda.

Nota editorial: Conferido na imagem da página física 79 do DOW-UAP-D017.

Conferir original em inglês
December 30, 1948. Lt. Col. Doyle Rees -2-. It is found that the fireball doubly observed by Messrs. Wilson, Truett, Strang, and Skipper appeared at a height of at least 10 miles and descended at an angle of about 45° to the vertical (according to Truett's estimate) to point C at an elevation of only 2.3 miles above the horizontal plane through the point from which Strang and Skipper observed. As the fireball approached the point C, its path levelled off and from C to its point of disappearance, E, the fireball followed a nearly horizontal path approximately 7.5 miles long, moving with a velocity of between 3.75 and 7.5 miles per second, depending on the duration estimate adopted. The coordinates of the projection of C on the earth are 35° 56', N, 106° 30' W, and those of the projection of E are 35° 57' N, 106° 23' W. The forward extension of the fireball's trace on the earth as determined by the above projections, passes some six miles to the north of the town of Los Alamos. It should be noted that the descending branch of the path of the fireball was observed by Inspector Truett alone, but he was absolutely certain that his observation of this portion of the path was correct. It should also be noted that no sound was heard, although the distance from the observers to the fireball and from the fireball to the earth could have been only a few miles at most. I have no hesitancy in testifying that an object possessing the path and the other peculiarities observed by Messrs. Wilson, Truett, Strang, and Skipper was not a falling meteorite.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 79, contando a capa.

TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 20

Transcrição da conferência de 16/02/1949: a patrulha fotográfica de 19 e 20 de dezembro (trecho), página física 20

Dr. LaPaz: Refiro-me à única tentativa, feita na noite de 19 de dezembro. Montamos uma patrulha fotográfica; a AESS, como os senhores devem saber, tem se interessado pelo problema. Trouxeram muitas câmeras Speed Graphic e outras e as montaram. O Sr. Maxwell, membro do grupo ...., e conseguiram, creio que na noite anterior, fotografar uma Geminídea brilhante. Mas na noite de 19 nada foi observado. Na noite seguinte, porém, a de 20, houve um incidente que acredito que poderia ter sido fotografado, mas a essa altura o equipamento fora desmontado e nada se obteve.

Nota editorial: Conferido na imagem da página física 20 do DOE-UAP-D004 (página 19 da transcrição). A página inteira está traduzida na ampliação do dossiê bolas-verdes.

Conferir original em inglês
Dr. LaPaz: I refer to the one attempt that was made on the night of December 19. We set up a photographic patrol - the AESS, as you probably know, has been interested in this problem. They brought a lot of speed graphics and so on and set them up. Mr. Maxwell, a member of the group ...., and they were able, I think the night before, to photograph a bright Geminate. But on the night of the 19th nothing was observed. The next night, however, the night of the 20th there was an incident which I believe might have been photographed, but by that time the equipment had been disbanded and nothing was obtained.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 20, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
20/12/1948 — 20h54 de 20/12/1948; o episódio semelhante de 13/12/1948 foi às 21h30, segundo a tabela do OSI.
Documento
30/12/1948 — Terceiro relatório de LaPaz; a nota 2 faz parte do resumo do OSI de 19/04/1949.
Publicação
Não estabelecida — Correspondência geral da Base Sandia, divulgada pelo Departamento de Guerra (DOW-UAP-D017).

Origem e divulgação

Instituto de Meteorítica da Universidade do Novo México (Lincoln LaPaz), para o 17º Distrito do OSI da Força Aérea; nota do OSI · DOW-UAP-D017_General_Correspondence_Of_Sandia.pdf

Páginas físicas 77 a 79 conferidas na imagem; trecho da página física 20 do DOE-UAP-D004 conferido na imagem.

Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • Os inspetores descreveram as duas luzes vermelhas nos depoimentos originais, ausentes do acervo?
  • Quem eram o caminhoneiro e a esposa que viram o episódio de 13 de dezembro, e onde exatamente?

GEOGRAFIA DO CASO

Los Alamos, Novo México

Referência aproximada a Los Alamos, posicionada pela redação. Os pontos de observação e a trajetória calculada ficam nos arredores; não indica o local exato do fenômeno.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. DOW-UAP-D017_General_Correspondence_Of_Sandia.pdf

    Páginas físicas 77 a 79: nota 2 do resumo do OSI de 19/04/1949 (incidentes de 13 e 20/12/1948) e terceiro relatório de Lincoln LaPaz (30/12/1948)

    DOW · 116 páginas
  2. DOE-UAP-D004_Los-Alamos-Conference-on-Aerial-Phenomena_1949.pdf

    Página física 20: trecho da transcrição da conferência de 16/02/1949 sobre a patrulha fotográfica de 19 e 20/12/1948

    DOE · 25 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

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