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20/02/1962 (voo MA-6) / Órbita terrestre, lado noturno, voo Mercury-Atlas 6

Friendship 7, 1962: a camada de névoa acima do horizonte que apagava estrelas

John Glenn viu uma faixa de cor bege a cerca de 6 a 8 graus acima do horizonte noturno, que fazia as estrelas enfraquecerem e voltarem a brilhar ao se aproximarem do horizonte. O relato gerou memorandos na NASA e uma carta de um cientista de Los Alamos, que propôs dióxido de nitrogênio como explicação.

Relatos de astronautas
Data do evento
20/02/1962 (voo MA-6)
Local
Órbita terrestre, lado noturno, voo Mercury-Atlas 6
Tema
Relatos de astronautas
Órgãos das fontes
NASA
Documentos
1 documento · 216 páginas
Leitura
4 min
Diagrama a traço com dois arcos da superfície terrestre, uma faixa hachurada acima e setas numeradas indicando linhas de visada vertical e horizontais.diagrama científicoPágina física 41
diagrama científico · Bob E. Watt, Laboratório Científico de Los Alamos; carta arquivada pela NASA · Página física 41 do arquivo divulgado. Figura 2 da carta de 13/07/1962: curvatura da Terra, uma camada hachurada na alta atmosfera e quatro linhas de visada (vertical, horizontal a partir da superfície, tangente à camada e através dela até perto do solo). Página física 41, metade inferior. É um esquema de cálculo feito pelo autor da carta para testar a hipótese que ele próprio propunha, não uma imagem da faixa vista por Glenn. Fonte documental ↗ · Ampliar imagem ↗

FONTES DOCUMENTAIS · NASA

O que os registros contam

Na mesma entrevista em que falou dos “vaga-lumes”, John Glenn descreveu outro fenômeno inesperado do lado noturno. Acompanhava uma estrela descendo em direção ao horizonte quando ela ficou fraca, como se tivesse passado para trás da Terra, e depois voltou a brilhar mais perto do horizonte antes de sumir. Olhando com cuidado, viu uma faixa a cerca de 6 a 8 graus acima do horizonte, com 1,5 a 2 graus de largura, de cor bege, “não um branco puro”, mais sólida que a faixa do pôr do sol.

Glenn avisou que os ângulos eram estimativas feitas pela janela, não medições com transferidor. Disse também que tentou ver a faixa de brilho atmosférico com o filtro especial e não conseguiu, talvez por não estar bem adaptado ao escuro. Na conversa, um cientista comentou que várias fotos do voo mostravam uma faixa verde a 15 ou 20 graus do horizonte. Glenn respondeu que nunca a tinha visto e que imaginava ser um reflexo na janela ou na lente.

Antes da entrevista, um memorando de Maurice Dubin, de 21 de fevereiro de 1962, já observava que um limite atmosférico a 8 graus, como noticiado pela imprensa, indicaria atmosfera visível a mais de 150 quilômetros, e listava três possibilidades: espalhamento da luz pelo ar, brilho atmosférico ou poeira. O rascunho de memorando de 13 de março registrou a faixa com uma camada de névoa de cerca de 2 graus e lembrou que o cosmonauta soviético Guerman Titov também relatara uma camada alta. Recomendou novas investigações.

Em julho, depois que a revista Science publicou comentários de Glenn sobre “a camada alta”, Bob E. Watt, do Laboratório Científico de Los Alamos, escreveu a Jocelyn Gill, da NASA, propondo uma explicação: uma concentração de dióxido de nitrogênio, que absorve luz visível. A carta traz diagramas das linhas de visada através de uma camada na alta atmosfera e cálculos da absorção. Watt avisou que não era especialista em fotoquímica, concluiu que o dióxido de nitrogênio era mais provável que íons de oxigênio e disse que a cor descrita por Glenn combinava bem com essa hipótese.

Outra leitura aparece na nota sobre o voo seguinte, de Scott Carpenter, em maio de 1962. Com um filtro, Carpenter identificou uma faixa luminosa como o brilho noturno da alta atmosfera, a cerca de 89 quilômetros. A olho, ele a estimou em 8 a 10 graus, mas medições cronometradas deram 2 a 3 graus. O autor da nota falou em uma forte ilusão que exagera ângulos perto do horizonte, “evidentemente presente também” no voo de Glenn. As duas explicações ficaram registradas lado a lado, sem conclusão no arquivo.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Documentos da NASA e carta de laboratório federal arquivada pela NASA: trechos traduzidos após conferência no fac-símile; equações e cálculos da carta não reproduzidos.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 9

Descrição de Glenn, páginas físicas 9 e 10

Eu observava uma estrela em particular e ela ficou bem fraca, e pensei: bom, está indo para trás do horizonte. Depois ela voltou a brilhar ao descer mais perto do horizonte e então sumiu. Aí, olhando com muito cuidado, pude ver que havia uma faixa que estava a uns, acho que estimamos, 6 a 8 graus acima do horizonte e tinha provavelmente um grau e meio a dois graus de largura [...] A cor parecia uma espécie de bege, uma luz bege-clara

Nota editorial: Conferido no fac-símile. “here is” foi acrescentado à mão sobre palavra riscada.

Conferir original em inglês
I was watching one particular star and it got rather dim and I thought well its going behind the horizon and then it got brighter again as it came down closer to the horizon and then went out of sight. Well then when I looked very carefully I could see here is a band that was some--I think we estimated about 6 to 8 degrees above the horizon and was probably a degree and a half to two degrees wide [...] It looked like the color of it would be sort of a buff--look like a buff light color

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 9, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 48

Conclusão da carta de Watt, página física 48

Como conclusão geral, parece-me mais provável que o NO2 seja responsável por uma camada absorvente, gerada talvez com a ajuda da difusão descendente de NO para regiões de maior pressão, que favorecem a oxidação a NO2. A cor sugerida por Glenn se encaixa muito bem, como se pode verificar rapidamente olhando através do vapor acima de ácido nítrico concentrado.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. A carta chama o NO2 de “nitrogen peroxide”, nome antigo do dióxido de nitrogênio.

Conferir original em inglês
As a general conclusion, it seems to me more likely that NO2 would be responsible for an absorbing layer, generated perhaps with the aid of downward diffusion of NO to higher pressure regions favoring oxidation to NO2. The color suggested by Glenn fits very well, as may be quickly verified by looking thru the vapor space above concentrated nitric acid.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 48, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 60

Ilusão de ângulo, página física 60

Parece, portanto, haver uma forte ilusão que exagera os ângulos perto do horizonte e que evidentemente também esteve presente no MA-6, já que o tenente-coronel Glenn também relata 7° a 8° como altura da faixa luminosa.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
It thus appears that there is a strong illusion which exaggerates angles near the horizon, and which was evidently also present in MA-6, since Lt. Col. Glenn also reports 7° to 8° as the height of the luminous band.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 60, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
20/02/1962 — Voo MA-6; a transcrição não dá o horário da observação.
Documento
13/07/1962 — Carta de Watt datada de 13/07/1962 (carimbo de recebimento de 17/07/1962). Entrevista de 27/02/1962; memorandos de 21/02 e 13/03/1962.
Publicação
Não estabelecida — Publicado pela NASA no lote UAP (release 3).

Origem e divulgação

NASA, Escritório de Ciências Espaciais; carta de Bob E. Watt, Laboratório Científico de Los Alamos (Universidade da Califórnia), arquivada pela NASA · NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf

Páginas 9, 10, 40, 41, 48 e 60 conferidas no fac-símile; 13, 15, 16, 36, 42 a 47, 50, 55, 56 e 59 lidas pelo texto extraído.

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Perguntas para continuar a investigação

  • A NASA respondeu à proposta de Watt ou incluiu a fotometria sugerida em voos seguintes?
  • A faixa verde que aparecia nas fotos de Glenn, e que ele não viu, foi explicada?

GEOGRAFIA DO CASO

Órbita terrestre (Friendship 7), lado noturno

A transcrição não associa a observação a um ponto geográfico.

RASTRO DOCUMENTAL

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As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. NASA-UAP-D015_Astronaut-Scientific-Debriefings_1962-1963.pdf

    Páginas físicas 9, 10, 13, 15 e 16: entrevista com John Glenn; 36: rascunho de memorando de 13/03/1962; 40 a 50: carta de Bob E. Watt, Los Alamos, 13/07/1962, com diagrama na p. 41; 55 e 56: memorando de Maurice Dubin; 59 e 60: nota sobre o voo MA-7

    NASA · 216 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

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