09/01/1948 / Em voo sobre Cartersville, Geórgia, EUA (34° 10′ N, 84° 49′ O)
Cartersville, 1948: piloto de linha aérea vê chama azul cruzar sua rota e cair
O piloto Hugh DuBose, da Eastern Air Lines, relatou uma chama azul intensa que cruzou a trajetória do avião às 23h30 e depois caiu para o chão e se apagou. Meses depois, ele sugeriu uma ligação com mortes de gado, que o Departamento de Agricultura descartou.
- Data do evento
- 09/01/1948
- Local
- Em voo sobre Cartersville, Geórgia, EUA (34° 10′ N, 84° 49′ O)
- Tema
- Relatos de 1948
- Órgãos das fontes
- Arquivo histórico · DOW
- Documentos
- 2 documentos · 388 páginas
- Leitura
- 5 min
Formulário oficialPágina física 70FONTES DOCUMENTAIS · Arquivo histórico / DOW
O que os registros contam
Às 23h30 de 9 de janeiro de 1948, em voo sobre Cartersville, na Geórgia, o piloto Hugh DuBose, identificado na ficha como da EAL, a Eastern Air Lines, viu um objeto cruzar a trajetória do avião. O caso foi registrado como incidente 121. A ficha dá a posição 34° 10′ norte e 84° 49′ oeste, altitude de 3.000 pés, velocidade de 400 milhas por hora e rumo magnético de 175 graus; não fica claro se esses números descrevem o objeto ou o próprio avião.
O que se via era só uma chama azul intensa, azul-celeste clara, de forma circular, com o quarto superior achatado, "em forma de pote". Segundo DuBose, o objeto certamente não tinha a trajetória curva de um míssil sem asas. Logo depois de cruzar seu caminho, a chama crepitou e virou imediatamente para a terra, até se apagar de todo, sem que se visse impacto. O desaparecimento foi anotado a 10 graus abaixo do horizonte.
O piloto disse que a chama não era do tipo longo, que deixa rastro: dava a impressão de se olhar por um longo tubo de escape para uma massa curta e concentrada de fogo azul. Pelo contato com pilotos da RAF na Inglaterra durante a guerra, ele passou a achar que o objeto se parecia com as "bombas voadoras", as V-1 alemãs, que aqueles pilotos perseguiam à noite. O comissário do voo, Arthur Porter, também viu a chama, mas não pôde acrescentar nada para identificá-la.
A ficha registra ainda que, em 29 de abril, DuBose contou que setenta e cinco cabeças de gado tinham morrido de doença desconhecida na fazenda de um Sr. Gordy, em Newman, na Geórgia, e mostrou preocupação com uma possível ligação com o objeto. O escritório de Atlanta da Divisão de Indústria Animal do Departamento de Agricultura informou que a doença existia havia mais de um ano e aparecia em outros pontos do país. A conclusão anotada é que não havia base aparente para a ligação.
Como hipótese editorial, não formulada no documento, uma chama breve, intensa e que despenca em direção ao solo sem som registrado é compatível com um meteoro brilhante visto de um avião à noite. A ficha, porém, não traz duração, distância nem comparação com outros relatos da mesma noite, e o piloto rejeitou expressamente a trajetória de um objeto em queda livre. O caso permanece como relato de tripulação, sem medição.
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LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Traduzidas na íntegra as duas páginas do caso no PDF da caixa 7 (páginas físicas 70 e 71): a lista de verificação, campo por campo, e a continuação das observações. As páginas 72 e 73 do DOW-UAP-D088 são cópia das mesmas folhas, conferidas sem texto adicional.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 70
Lista de verificação completa do incidente 121, página física 70
CONFIDENCIAL [riscado] | LISTA DE VERIFICAÇÃO - OBJETOS VOADORES NÃO IDENTIFICADOS | Incidente nº 121 | 1. Data: 9 de janeiro de 1948 | 2. Hora: 23h30 | 3. Local: Cartersville, Geórgia, 34° 10′ N, 84° 49′ O | 4. Nome do observador: Hugh DuBose | 5. Ocupação do observador: Piloto (EAL, Eastern Air Lines) | 6. Endereço do observador: não informado | 7. Local de observação: No ar | 8. Número de objetos: Um | 9. Distância do objeto ao observador: não informada | 10. Tempo à vista: não informado | 11. Altitude: 3.000 pés | 12. Velocidade: 400 milhas por hora | 13. Direção do voo: 175° magnéticos | 14. Manobras: Nenhuma | 15. Som: não informado | 16. Tamanho: não informado | 17. Cor: Clara, azul-celeste | 18. Forma: Circular, exceto pelo quarto superior, que era achatado, em forma de pote | 19. Odor detectado: não informado | 20. Construção aparente: não informada | 21. Rastros de exaustão: Nenhum | 22. Condições do tempo: não informadas | 23. Efeito sobre as nuvens: não informado | 24. Esboços ou fotografias: Nenhum | 25. Modo de desaparecimento: 10° abaixo do horizonte | 26. Observações: Quando o objeto cruzou a trajetória da testemunha, tudo o que se pôde observar foi uma chama azul intensa, de forma circular, exceto peloNota editorial: Conferido na imagem. O texto automático leu a velocidade como "},00 mph" (a ficha de leitura anterior registrou 100 mph), a longitude como "84° Lot W" e a empresa como "RAL"; a imagem mostra 400 mph, 84° 49′ W e EAL. O carimbo CONFIDENTIAL aparece riscado.
Conferir original em inglês
CONFIDENTIAL [riscado] | CHECK-LIST - UNIDENTIFIED FLYING OBJECTS | Incident # 121 | 1. Date: 9 January 1948 | 2. Time: 2330 | 3. Location: Cartersville, Georgia, 34° 10' N, 84° 49' W | 4. Name of observer: Hugh DuBose | 5. Occupation of observer: Pilot (EAL) | 6. Address of observer: N/S | 7. Place of observation: Air | 8. Number of objects: One | 9. Distance of object from observer: N/S | 10. Time in sight: N/S | 11. Altitude: 3000 feet | 12. Speed: 400 mph | 13. Direction of flight: 175° M | 14. Tactics: None | 15. Sound: N/S | 16. Size: N/S | 17. Color: Light, sky-blue | 18. Shape: Circular, except for the top quarter which was flat, pot-shaped | 19. Odor detected: N/S | 20. Apparent construction: N/S | 21. Exhaust trails: None | 22. Weather conditions: N/S | 23. Effect on clouds: N/S | 24. Sketches or photographs: None | 25. Manner of disappearance: 10° below the horizon | 26. Remarks: When object crossed the path of the witness all that could be observed was an intense blue flame, in a shape circular except forConsultar a ficha do documento ↗ · Página física 70, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 71
Continuação das observações, página física 71
quarto superior, que era achatado, em forma de pote. A testemunha afirma que o objeto definitivamente não tinha a trajetória curva de um míssil sem asas. Pouco depois de cruzar seu caminho, a chama azul crepitou e virou imediatamente em direção à terra. A chama então se apagou de todo, mas não se viu nada atingir o solo. A testemunha afirma que a chama não era do tipo longo, que deixa rastro; dava antes a impressão de se olhar por um longo tubo de escape para uma massa curta, mas concentrada, de chama azul. Disse ainda que seu contato com pilotos da RAF na Inglaterra durante a guerra o leva agora a acreditar que esse objeto se parecia com as "bombas voadoras" perseguidas à noite por aqueles pilotos da RAF. Arthur Porter, comissário deste voo de 9 de janeiro de 1948, também viu o objeto, apenas a chama, mas não pode dar outros elementos para sua identificação. O Sr. DuBose declarou em 29 de abril que setenta e cinco cabeças de gado tinham morrido de doença desconhecida na fazenda de um Sr. Gordy, em Newman, Geórgia, e mostrou preocupação com uma possível ligação entre o objeto não identificado que relatou e essa mortandade incomum entre animais sadios. No entanto, o escritório de Atlanta da Divisão de Indústria Animal do Departamento de Agricultura dos EUA informa que essa doença "desconhecida" persiste há mais de um ano e que outros casos se repetem em outras partes do país há algum tempo. Aparentemente não resta base para ligação entre o objeto relatado pelo Sr. DuBose e a morte de setenta e cinco cabeças de gado em Newman, Geórgia. [manuscrito: 48a]Nota editorial: Conferido na imagem ampliada. O nome do comissário é Arthur Porter (o texto automático e a ficha de leitura anterior tinham "Portier"). A cidade aparece datilografada como "Newman" nas duas ocorrências; mantida como está.
Conferir original em inglês
the top quarter which was flat, pot-shaped. The witness states that the object definitely did not have the curved trajectory of a wingless missile. Shortly after crossing his path, the blue flame sputtered and turned immediately earthward. The flame then died altogether but nothing was seen hitting the ground. Witness states that the flame was not of the long trailing type, but rather gave the impression that you were looking down a long exhaust stack at a short but concentrated mass of blue flame and further stated that his connections with RAF pilots in England during the war leads him now to believe this object looked the same as the "Buzz Bombs" chased by those RAF pilots at night. Arthur Porter, purser on this flight 9 January 48, also saw the object, the flame only, but can give no further evidence for its identification. Mr. DuBose stated on April 29 that seventy-five cattle had died of an unknown disease on the farm of a Mr. Gordy at Newman, Georgia, and expressed concern over a possible connection between the unidentified object he reported and this unusual fatality among healthy cattle. However, the Atlanta Office of the Animal Industry Division, U.S. Department of Agriculture, advises that this "unknown" disease has persisted for over a year and other cases repeated elsewhere in the country for some time back. There apparently remains no basis for connection between the object Mr. DuBose reports and the death of seventy-five cattle at Newman, Georgia. [manuscrito: 48a]Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 71, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 09/01/1948 — Às 23h30, segundo a ficha.
- Documento
- Não estabelecida — Ficha sem data; menciona declaração do piloto em 29 de abril (de 1948, pelo contexto).
- Publicação
- Não estabelecida — Divulgado nos lotes do Arquivo Nacional (caixa 7) e DOW-UAP-D088.
Origem e divulgação
Força Aérea dos EUA, Air Materiel Command (inteligência técnica, Wright-Patterson), no âmbito do Projeto Sign; fichas compiladas a partir de relatos de testemunhas e de bases aéreas · 38_143685_box7_Incident_Summaries_101-172.pdf (cópia adicional: DOW-UAP-D088_US-AirForce_Analysis-of-Flying-Objects-in-the-US_101-172.pdf)
Páginas físicas 70 e 71 (caixa 7) e 72 e 73 (DOW-UAP-D088) conferidas na imagem.
Perguntas para continuar a investigação
- Os números de altitude, velocidade e rumo da ficha se referem ao avião ou ao objeto?
- Houve outros relatos de clarão ou meteoro no norte da Geórgia naquela noite?
GEOGRAFIA DO CASO
Cartersville, Geórgia (posição de voo informada na ficha)
Ponto arredondado a partir das coordenadas da ficha (34° 10′ N, 84° 49′ O), posicionado pela redação. Indica a região do voo, não a posição do objeto.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- 38_143685_box7_Incident_Summaries_101-172.pdf
Página física 70: lista de verificação do incidente 121, 09/01/1948 · Página física 71: continuação das observações (anotação manuscrita 48a)
Arquivo histórico · 178 páginas - DOW-UAP-D088_US-AirForce_Analysis-of-Flying-Objects-in-the-US_101-172.pdf
Páginas físicas 72 e 73: segunda cópia das mesmas duas folhas (DOW-UAP-D088)
DOW · 210 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.


