29/03/1952 / Ritchie Highway, ao sul de Baltimore, Maryland, EUA
Baltimore, 1952: motorista diz que disco pairou sobre seu carro, e o passageiro desmente
Donald Stewart contou que um disco com cúpula pairou três minutos sobre seu carro na Ritchie Highway e parou o motor. A investigação da Força Aérea enviada ao FBI reúne o esboço da testemunha, uma inspeção do carro e o recuo do único outro ocupante, que disse não ter visto nada.
- Data do evento
- 29/03/1952
- Local
- Ritchie Highway, ao sul de Baltimore, Maryland, EUA
- Tema
- Arquivo do FBI
- Órgãos das fontes
- FBI
- Documentos
- 1 documento · 271 páginas
- Leitura
- 4 min
esboço de testemunha (cópia negativa)Página física 166FONTES DOCUMENTAIS · FBI
O que os registros contam
Na noite de sábado, 29 de março de 1952, Donald F. Stewart, funcionário da ferrovia Baltimore & Ohio, voltava de Glen Burnie para Baltimore pela Ritchie Highway, em Maryland. Segundo contou depois, perto de uma pista de corridas de trote, a cerca de 500 jardas do cruzamento com a US 301, viu surgir no horizonte um aparelho estranho: um disco achatado com uma cúpula no centro, uma pequena vigia e o contorno de algo parecido com uma escotilha de navio. O objeto, prateado e luminoso, com luzes fortes na borda “como tubos de neon”, teria pairado sobre o carro.
Stewart estimou o disco em pelo menos 50 pés (15 m) de diâmetro e disse que ele oscilava levemente e fazia um som de aspirador de pó. Depois de cerca de três minutos, teria virado de lado e rolado pelo céu para sudoeste, mais rápido que um jato. Ele afirmou que o motor morreu, que a fiação ficou “magnetizada” e que a pintura rachou. Contou também que levava no banco de trás uma submetralhadora Thompson, com a qual saiu do carro e deu voltas pensando se atirava. O relato chegou à Força Aérea por um locutor de rádio de Baltimore, Lou Corbin, e por um coronel reformado, Ulius L. Amoss.
O Escritório de Investigações Especiais (OSI) da Força Aérea investigou entre 10 e 12 de maio e enviou o relatório ao FBI, chamando atenção justamente para a arma. O engenheiro Ray Fox, da Westinghouse, disse ter examinado o carro com contador Geiger sem achar radioatividade nem defeito incomum; acrescentou que o carro fora repintado e que tendia a não acreditar na história. O agente anotou o mesmo sobre a pintura. O mecânico que atendia o carro descreveu apenas reparos de rotina, entre eles nos fios do gerador, e disse não saber se houve repintura.
O ponto decisivo veio do acompanhante, um estudante de 16 anos. Na primeira entrevista, ele confirmou a história. Ouvido de novo, com os pais presentes, disse que não viu nada: encontrou Stewart num ponto de ônibus em Glen Burnie, aceitou uma carona e ouviu no caminho o relato de algo visto mais cedo; Stewart teria pedido que ele confirmasse a versão porque temia não ser acreditado. O jovem disse também não ter visto arma no carro. Stewart, reentrevistado no mesmo dia, negou qualquer falsidade. Um policial e um frentista da região acharam improvável um carro ficar parado três minutos naquela via movimentada num sábado à noite sem que ninguém notasse.
O arquivo guarda ainda, em cópia negativa, as fichas das entrevistas feitas por Corbin em abril, sob o título “Project Eyeful”. Na de Stewart, a observação dura dois minutos, a altitude estimada é de 200 pés, e um Pontiac conversível amarelo que passava também teria tido o motor parado. A ficha termina com uma avaliação assinada pelas iniciais “R.F.”, que julga improvável que a testemunha tenha inventado a história e especula que o objeto fosse “nosso”. Essa avaliação contrasta com o que Fox disse ao OSI semanas depois; as páginas não confirmam se as iniciais são dele.
Anexo à ficha de Stewart há um esboço à mão, também em negativo, com a silhueta de um disco achatado com cúpula e anotações de que a luz “ficava enfraquecendo”, tinha cor “branca fosforescente” e era mais forte na borda. O documento não identifica quem traçou o desenho. O OSI encerrou o caso sem novas diligências. O episódio fica como relato individual, contestado pela única pessoa que, segundo o próprio Stewart, estava com ele.
LEITURA DIRETA DO ARQUIVO
O documento, em português
Documentos do governo dos EUA; traduzidos os trechos decisivos da descrição, da inspeção do carro e da retratação. O nome do acompanhante, menor de idade na época, e os endereços residenciais foram omitidos; antecedentes pessoais registrados pelo FBI e sem relação com o episódio não foram reproduzidos.
TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 157
Relatório do OSI, página física 157
Stewart descreveu o aparelho como um disco achatado com uma cúpula ou domo no centro de um dos lados.Nota editorial: Conferido no fac-símile.
Conferir original em inglês
STEWART described the aircraft as being a flat disk with a cupola or dome in the center of one side.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 157, contando a capa.
TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 158
Relatório do OSI, página física 158
NOTA DO AGENTE: uma inspeção do automóvel de Stewart revelou que ele havia sido pintado recentemente.Nota editorial: Conferido no fac-símile.
Conferir original em inglês
AGENT'S NOTE: An inspection of STEWART's automobile revealed that it had been recently painted.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 158, contando a capa.
TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 162
Relatório do OSI, página física 162
[O acompanhante] informou que não viu nada e que tinha relatado a descrição do aparelho do jeito que Stewart lhe contara.Nota editorial: Conferido no fac-símile. O nome do acompanhante, menor de idade, foi substituído entre colchetes.
Conferir original em inglês
[The companion] advised that he did not see a thing and had reported the description of the aircraft as STEWART had told him.Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 162, contando a capa.
Datas e contexto documental
- Acontecimento
- 29/03/1952 — 22h45 segundo a carta da Força Aérea (p. 152), o corpo do relatório (p. 155) e a ficha de Corbin (p. 164); a sinopse do OSI (p. 153) diz 2045 horas. O acompanhante disse que partiram de Glen Burnie por volta das 22h30.
- Documento
- 12/05/1952 — Relatório do OSI datado de 12/05/1952 (período 10 a 12/05); carta de encaminhamento ao FBI de 28/05/1952.
- Publicação
- Não estabelecida — Corbin disse que não divulgaria o caso antes do fim da investigação.
Origem e divulgação
Força Aérea dos EUA, OSI (relatório do agente Boyce Royal); cópia enviada ao FBI; fichas de entrevista de Lou Corbin anexadas · 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_6.pdf
Páginas físicas 152, 153, 157, 158, 162, 164, 165 e 166 conferidas no fac-símile; demais páginas do relatório lidas no texto extraído.
Perguntas para continuar a investigação
- As iniciais “R.F.” da avaliação da ficha de Corbin correspondem a Ray Fox?
- O motorista do Pontiac amarelo citado por Stewart chegou a ser identificado?
- Por que a sinopse do OSI registra 20h45, se o restante do relatório diz 22h45?
GEOGRAFIA DO CASO
Ritchie Highway perto da US 301, Glen Burnie, Maryland
Referência aproximada da localidade citada no documento, posicionada pela redação. Não indica o ponto exato da observação nem a posição do objeto.
RASTRO DOCUMENTAL
Volte às fontes
As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.
- 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_6.pdf
Página física 152: carta da Força Aérea a Hoover, 28/05/1952 · Páginas físicas 153 a 163: relatório do OSI, 10 a 12/05/1952 · Páginas físicas 164 a 169: fichas “Project Eyeful” das entrevistas de Lou Corbin e esboço da testemunha (cópias negativas)
FBI · 271 páginas
Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.