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Cerca de novembro ou dezembro de 1948 (seis meses antes das entrevistas de maio de 1949) / Lake Ariel, condado de Wayne, perto de Scranton, Pensilvânia, EUA

Lake Ariel, 1948-1949: casa pega fogo após “objeto” cair no telhado, e as cinzas vão parar no laboratório

Um engenheiro da Filadélfia mandou analisar cinzas de uma casa que, segundo o dono, pegou fogo depois que um grande objeto atingiu o telhado numa noite de tempestade perto de Scranton. A análise municipal achou minerais comuns, o FBI viu que não havia crime federal e mandou as cinzas ao seu laboratório.

Arquivo do FBI
Data do evento
Cerca de novembro ou dezembro de 1948 (seis meses antes das entrevistas de maio de 1949)
Local
Lake Ariel, condado de Wayne, perto de Scranton, Pensilvânia, EUA
Tema
Arquivo do FBI
Órgãos das fontes
FBI
Documentos
1 documento · 214 páginas
Leitura
7 min

FONTES DOCUMENTAIS · FBI

O que os registros contam

Em 21 de abril de 1949, o escritório do Fire Marshal (autoridade de prevenção de incêndios) da Filadélfia recebeu pelo correio uma amostra de cinzas com pedido de análise química. Quem mandou foi Frederic Marquardt, engenheiro de uma empresa da cidade. Na carta, ele dizia que o fogo continuara queimando por doze horas depois de a água ser jogada pela primeira vez, e que um objeto entrara pelo telhado do prédio, causara uma explosão e jogara pessoas para fora da cama. A informação de que Marquardt trabalhara para a Comissão de Energia Atômica fez o escritório avisar o FBI em 19 de maio.

O chefe interino George Kington contou ao FBI que só ao receber Marquardt soube que o incêndio fora perto de Scranton, cerca de seis meses antes, fora da jurisdição da Filadélfia, e o orientou a procurar a polícia estadual. Kington entregou a ele o resultado da análise feita pelo químico municipal, Dr. Edward Burke: a cinza continha magnésio, alumínio, ferro e cálcio na forma de silicatos, enxofre e carbonatos.

Entrevistado no trabalho, Marquardt disse que recebera as cinzas pelo correio de um amigo, Woody Shaeffer, de Lake Ariel, a cerca de uma milha ao sul de South Canaan, perto de Scranton. A casa de Shaeffer queimara uns seis meses antes, à noite, durante uma tempestade: um objeto grande teria atingido o telhado e incendiado a casa, que queimou até o chão em menos de uma hora. Marquardt não estava presente; os detalhes vinham da carta do amigo. Ele achava que a cinza podia ser de um sinalizador militar ou de um “disco voador”, e que ainda restava um alqueire dela no terreno de Lake Ariel.

As versões não batem entre si. A primeira carta falava em explosão e em fogo que durou doze horas; na entrevista, Marquardt disse não acreditar em explosão, atribuindo o estrondo ao vácuo criado quando o “míssil ou objeto” bateu no telhado, e repetiu que a massa de cinzas ficou acesa doze horas, embora a casa tenha queimado em menos de uma. Ele descartou a hipótese de meteoro com base na análise municipal. O agente anotou que Marquardt trabalhara em Oak Ridge até 1943 e que era “inteiramente racional”.

O FBI concluiu que não havia violação de lei federal e encerrou o caso, mas mandou as cinzas obtidas do Fire Marshal ao laboratório do Bureau, “para qualquer interesse ou estudo” sobre sinalizadores ou sobre a possível presença de “discos voadores”. Nenhum resultado desse exame aparece nas páginas consultadas. Como hipótese editorial, um raio numa noite de tempestade é compatível com o relato de incêndio súbito, e silicatos, carbonatos e metais comuns são esperados em cinzas de construção; nenhum dos documentos testa essa possibilidade, e ninguém ouviu o próprio Shaeffer.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

As três páginas de texto do relatório do FBI (199, 201 e 202) foram traduzidas na íntegra e conferidas no fac-símile. A página 200 é verso sem texto legível. Endereço residencial de particular omitido. Não há recorte de jornal neste caso.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 199

Relatório do FBI, Filadélfia, 15/06/1949, página física 199 (íntegra; endereço omitido)

Departamento Federal de Investigação. Formulário nº 1. Caso originado em Filadélfia, Pensilvânia. Arquivo nº 62-2542. Relatório feito em Filadélfia em 15/06/1949, referente a 20/05/1949, por James L. Kirkland. Título: autor desconhecido; incêndio, Scranton, Pensilvânia, data desconhecida; George Kington, comunicante. Natureza do caso: diversos, informação sobre. SÍNTESE DOS FATOS: Frederic Marquardt entregou resíduo de cinzas ao escritório do Fire Marshal da Filadélfia, que fez análise química. Marquardt opina que o fogo pode ter sido causado por sinalizador militar ou “disco voador”. DETALHES: Esta investigação se baseia numa carta do escritório do Fire Marshal da Filadélfia, de 19 de maio de 1949, informando que recebera cinzas de um certo F. Marquardt, supostamente de um incêndio que continuou queimando por doze horas, com pedido de análise química. O escritório observou que Marquardt trabalhara para a Comissão de Energia Atômica. O capitão Michael Hannan, do escritório do Fire Marshal, informou que em 21 de abril de 1949 chegou pelo correio uma amostra de cinzas com pedido de análise. Na carta de envio, Marquardt dizia que o fogo continuou queimando doze horas depois de a água ser aplicada pela primeira vez. A carta original foi examinada e dizia que um objeto entrara pelo telhado do prédio, causara uma explosão e jogara pessoas para fora da cama. O capitão Hannan tentou encontrar Marquardt em sua residência, [endereço omitido], sem sucesso. Acrescentou que o administrador do prédio comentara que Marquardt trabalhara para a Comissão de Energia Atômica. Marquardt foi então chamado por carta ao escritório do Fire Marshal. Aprovado e encaminhado por L. V. Boardman, agente especial encarregado. Cópias: 2 ao Bureau; 2 à Filadélfia.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. A anotação manuscrita “Flying Discs” no campo de síntese e os carimbos de registro foram omitidos.

Conferir original em inglês
FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION. Form No. 1. This case originated at Philadelphia, Pennsylvania. File No. 62-2542 VFH. Report made at: Philadelphia, Pa. Date when made: 6-15-49. Period for which made: 5-20-49. Report made by: James L. Kirkland. Title: UNKNOWN SUBJECT; FIRE, SCRANTON, PENNSYLVANIA, UNKNOWN DATE; GEORGE KINGTON, COMPLAINANT. Character of case: MISCELLANEOUS - INFORMATION CONCERNING. SYNOPSIS OF FACTS: FREDERIC MARQUARDT submitted ash residue to Fire Marshal's Office, Philadelphia, Pa., which made chemical analysis. MARQUARDT of opinion that fire may have been caused by military flare or "flying saucer". - C - DETAILS: This investigation is predicated upon a letter received from the office of the Fire Marshal, Philadelphia, Pennsylvania, dated May 19, 1949, advising that ashes had been received from one F. MARQUARDT, purportedly from a fire which had continued to burn for twelve hours. A chemical analysis of the ashes had been requested. The Fire Marshal's Office noted that MARQUARDT had at one time worked for the Atomic Energy Commission. Captain MICHAEL HANNAN, Fire Marshal's Office, advised that there had been received through the mail on April 21, 1949, an ash sample with a request for analysis. In the letter of transmittal, MARQUARDT had pointed out that the fire had continued to burn twelve hours after water had first been applied. The original letter of transmittal was examined and reflected that an object had entered the roof of the building, caused an explosion, and threw people out of bed. Captain HANNAN said he attempted to locate MARQUARDT at his residence, [address omitted], but had been unsuccessful. He added that at the time the building manager had commented that MARQUARDT had been employed by the Atomic Energy Commission. MARQUARDT was then requested by letter to appear at the Fire Marshal's Office. Approved and forwarded: L. V. Boardman, Special Agent in Charge. Copies: 2 - Bureau; 2 - Philadelphia.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 199, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 201

Relatório do FBI, Filadélfia, página 2, página física 201 (íntegra)

PH 62-2542. O chefe interino George Kington informou que entrevistou Marquardt quando ele foi ao escritório, pois o capitão Hannan estava ausente. Disse que só então soube que o incêndio ocorrera perto de Scranton, Pensilvânia, cerca de seis meses antes. Por isso o escritório do Fire Marshal se retirou do caso por questão de jurisdição, e Marquardt foi orientado a levar qualquer providência à polícia estadual. Ao mesmo tempo, Kington entregou a Marquardt o resultado da análise da cinza, feita pelo Dr. Edward Burke, químico municipal, Laboratório Químico, sala 875 da Prefeitura. O relatório mostrou que a cinza continha magnésio, alumínio, ferro e cálcio na forma de silicatos, enxofre e carbonatos. Frederic Marquardt foi entrevistado no local de trabalho, a H. A. Kuljian Company, na Broad Street com Girard Avenue, Filadélfia. Disse que recebeu a amostra de cinza pelo correio de um amigo, Woody Shaeffer, de Lake Ariel, zona rural, condado de Wayne, Pensilvânia, a cerca de uma milha ao sul de South Canaan, perto de Scranton. A casa de Shaeffer queimara uns seis meses antes, à noite, durante uma tempestade; um objeto grande atingira o telhado e incendiara a casa, que queimou até o chão em menos de uma hora. Marquardt não estava presente; os detalhes vieram por carta de Shaeffer quando ele mandou a amostra para análise. Disse ser de opinião pessoal que a cinza poderia ser parte de um sinalizador militar ou de um “disco voador”. Observou que colegas de engenharia lhe disseram que uma característica de certos sinalizadores é queimar por muito tempo, e que a massa de cinzas ficou acesa por doze horas. Disse também não acreditar que tenha havido explosão; o estrondo teria sido provavelmente causado pelo vácuo criado quando o míssil ou objeto bateu no telhado. Acrescentou que resta cerca de um alqueire de cinza no terreno de Shaeffer em Lake Ariel.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. O prenome “Woody” está riscado à mão no original, mas legível. Lake Ariel é descrita apenas como zona rural (R. D.); nenhum endereço é dado.

Conferir original em inglês
PH 62-2542. Acting Chief GEORGE KINGTON advised that he had interviewed MARQUARDT at the time he came to the office since Captain HANNAN was absent at the time. He said that he then learned for the first time that the fire in question had taken place near Scranton, Pennsylvania, and had occurred about six months previously. This caused the Marshal's Office to withdraw from the case on a question of jurisdiction and MARQUARDT was advised that any further action on his part should be referred to the State Police authorities. At the same time, KINGTON furnished MARQUARDT with the results of the analysis which had been made of the ash submitted, and which analysis had been made by Dr. EDWARD BURKE, City Chemist, Chemical Laboratory, Room 875, City Hall. This report reflected that the ash contained Magnesium, Aluminum, Iron, and Calcium in the form of silicates, sulphur and carbonates. FREDERIC MARQUARDT was interviewed at his place of business, the H. A. KULJIAN COMPANY, Broad Street and Girard Avenue, Philadelphia, Pennsylvania. At this time he advised that he had received the sample of ash from a friend, WOODY SHAEFFER, Lake Ariel, R. D., Wayne County, Pennsylvania, through the mail. He said that Lake Ariel is about one mile south of South Canaan, near Scranton, Pennsylvania. He stated that SHAEFFER's house had burned about six months ago, that the fire had occurred at night during a storm and that a large object had struck the roof and ignited the house which had burned to the ground in less than an hour. He said that he had not been present during the fire but that these details had been furnished by letter from SHAEFFER at the time a sample of the ash was forwarded for analysis. He said that he was of the personal opinion that the ash might be a part of a military flare or a "flying saucer". He pointed out that he has been advised by associates in the engineering field that one of the characteristics of some types of flares is the fact that they burn for a considerable period. He stated that the mass of the ash residue had remained ignited for a period of twelve hours. He also stated that he did not think there had been an explosion but that a loud noise had probably been caused by the vacuum created as the missile or object struck the roof. He added that there remains a quantity of the ash, amounting to one bushel, at SHAEFFER's premises at Lake Ariel. - 2 -

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 201, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 202

Relatório do FBI, Filadélfia, página 3, página física 202 (íntegra)

PH 62-2542. Marquardt informou ter trabalhado para a Comissão de Energia Atômica em Oak Ridge até 1943. Mostrou-se inteiramente racional. Descartou a teoria de que um pedaço de meteoro tivesse atingido a casa, com base na análise química do laboratório municipal. Marquardt disse que, por sugestão das autoridades municipais, escreveu a Shaeffer sugerindo que novas consultas fossem feitas à polícia estadual. Os arquivos do escritório da Filadélfia mostram que os registros do Serviço de Imigração e Naturalização foram negativos numa consulta sobre Frederic S. Marquardt (arquivo do Bureau 77-30297). Mostram também que Marquardt, por carta recebida em 14 de agosto de 1947, perguntou a este escritório qual era o pó usado para apanhar ladrões. Como não há violação indicada dentro da jurisdição do Bureau, nenhuma outra investigação está sendo feita. No entanto, o resíduo de cinzas obtido do escritório do Fire Marshal está sendo enviado ao Laboratório do Bureau para qualquer interesse ou estudo que o laboratório queira fazer sobre sinalizadores ou sobre a possibilidade da presença de “discos voadores”. ENCERRADO.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. A sigla após o nome na consulta de imigração não foi traduzida por ser código interno de arquivo.

Conferir original em inglês
PH 62-2542. MARQUARDT advised that he had been employed by the Atomic Energy Commission at Oak Ridge until 1943. He was entirely rational. He discounted the theory that a portion of a meteor had struck the house on the basis of the chemical analysis made by the City Chemical Laboratory. MARQUARDT advised that at the suggestion of the City authorities, he had written to SHAEFFER and suggested that any further inquiries be directed to the State Police. The file of the Philadelphia Office reflect that the records of Immigration and Naturalization Service were negative to an inquiry concerning FREDERIC S. MARQUARDT, OEM (Bureau File 77-30297). The files of this office likewise reflect that MARQUARDT by letter received August 14, 1947, requested of this office the identity of a powder or dust used to catch thieves. Inasmuch as there is no violation indicated within the Bureau's jurisdiction, there is no further investigation being conducted in this matter. However, the ash residue obtained from the Fire Marshal's Office is being forwarded to the Bureau Laboratory for any interest or study the Laboratory may desire to conduct relative to flares or in connection with the possibility of the presence of "flying saucers". - CLOSED - - 3 -

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 202, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
11/1948 — O relatório diz que o incêndio ocorreu “cerca de seis meses” antes das entrevistas de maio de 1949; o mês é estimativa, e a data exata é desconhecida (o título do caso diz “data desconhecida”).
Documento
15/06/1949 — Data do relatório do escritório da Filadélfia.
Publicação
Não estabelecida — Documento interno do FBI.

Origem e divulgação

FBI, escritório da Filadélfia; agente James L. Kirkland · 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_4.pdf

Páginas físicas 199 a 202 conferidas no fac-símile (200 é verso).

Relatos relacionados e suas diferenças

Perguntas para continuar a investigação

  • O Laboratório do FBI chegou a examinar as cinzas enviadas em junho de 1949?
  • Houve registro dos bombeiros ou da polícia estadual sobre o incêndio de Lake Ariel?
  • Por que a mesma massa de cinzas teria ficado acesa doze horas se a casa queimou em menos de uma?

GEOGRAFIA DO CASO

Lake Ariel, perto de Scranton, Pensilvânia

Referência aproximada à localidade citada, posicionada pela redação. Não indica o local da casa.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. 65_HS1-834228961_62-HQ-83894_Section_4.pdf

    Páginas físicas 199, 201 e 202: relatório do escritório do FBI na Filadélfia, 15/06/1949 (arquivo 62-2542)

    FBI · 214 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

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