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06/09/1955, por volta das 19h25 (hora do leste) / Cerca de 16 milhas náuticas ao norte de Poughkeepsie e cruzamento aéreo de Red Hook, Nova York, EUA

Vale do Hudson, Nova York, 1955: tripulantes de dois voos da Colonial Airlines veem uma chama azul explodir num clarão

O comandante do voo 14 da Colonial Airlines viu um objeto com chama de exaustão azul-esbranquiçada cruzar à frente do avião, soltar faíscas e explodir num clarão ofuscante. Tripulantes de outro voo da empresa viram o clarão, e a companhia pediu à Força Aérea que dissesse o que era.

História da investigação
Data do evento
06/09/1955, por volta das 19h25 (hora do leste)
Local
Cerca de 16 milhas náuticas ao norte de Poughkeepsie e cruzamento aéreo de Red Hook, Nova York, EUA
Tema
História da investigação
Órgãos das fontes
DOW
Documentos
1 documento · 220 páginas
Leitura
4 min

FONTES DOCUMENTAIS · DOW

O que os registros contam

Por volta das 19h25 de 6 de setembro de 1955, o voo 14 da Colonial Airlines seguia para o norte a 5.000 pés, cerca de 16 milhas náuticas ao norte do radiofarol de Poughkeepsie, no estado de Nova York. O céu estava limpo acima, com visibilidade horizontal ilimitada e uma camada de fumaça abaixo. O comandante F. W. Cushing relatou ter visto, entre meia milha e uma milha à frente e uns mil pés acima, um objeto com uma chama de exaustão azul-esbranquiçada, descendo num ângulo de 15 a 20 graus.

Em cerca de três segundos, segundo Cushing, o objeto passou de diretamente à frente para uns 100 graus à esquerda da rota, soltando muitas faíscas além da chama azul. Então explodiu “com um clarão ofuscante”, que ele calculou a meia milha ou uma milha do avião. Cushing escreveu que não conseguiu ver o que era; lembrava uma nave-foguete, admitiu que isso talvez fosse em parte imaginação e comparou o fim a fotos de um estágio que se solta de um foguete. Não viu luzes de posição de avião e disse ter certeza de que não era meteoro, estimando a velocidade em no máximo 400 a 500 milhas por hora.

Outros tripulantes viram o clarão. O comandante G. R. Janas, do voo 33, que seguia para o sul a 6.000 pés sobre o cruzamento aéreo de Red Hook, notou “um clarão brilhante acima”. Como atravessava pequenas nuvens cúmulos com as luzes da fuselagem acesas, pensou que fosse o reflexo delas e só se lembrou do fato ao ouvir o voo 14 informar Nova York. O primeiro oficial G. M. Darby, do mesmo voo, descreveu um clarão mais parecido com explosão do que com relâmpago, 10 ou 15 graus fora da rota, perto dos 6.000 pés. Cushing acrescentou que o voo 412, perto de Albany, também informou ter visto o clarão.

Em 8 de setembro, o diretor de operações de voo da empresa, J. H. O'Neill, enviou os três relatos ao chefe do Estado-Maior da Força Aérea, seguindo o procedimento de comunicação de avistamentos de interesse para a inteligência (CIRVIS). Pediu que, se possível, lhe dissessem o que era o objeto e como evitar novas ocorrências. A Marinha, pelo comando da Fronteira Marítima Leste, também encaminhou a carta à Força Aérea, lembrando que a esta cabia a responsabilidade principal pela coleta desses relatos.

A resposta da Força Aérea, de 14 de setembro, agradeceu o relato “completo e rápido” de pessoal altamente qualificado e informou que a carta tinha ido para o Centro de Inteligência Técnica Aérea para avaliação. O arquivo não traz o resultado dessa avaliação. A descrição de uma luz rápida, com faíscas, que termina num clarão, lembra a de um bólido, um meteoro muito brilhante, hipótese editorial que o próprio comandante recusou com base no que viu. O dossiê registra os relatos sem decidir entre as possibilidades.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Relatos de tripulantes de empresa privada arquivados pelo governo dos EUA; traduzidos trechos dos três relatos e da carta da empresa. A hipótese de bólido é da redação do portal, marcada como tal.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 183

Relato do comandante F. W. Cushing, voo 14, primeiro e segundo parágrafos, página física 183

avistei um objeto não identificado com uma chama de exaustão azul-esbranquiçada, entre meia milha e uma milha diretamente à frente, a cerca de 1.000 pés acima da nossa posição, no que parecia ser um rumo de 200 a 210 graus, numa descida de 15 a 20 graus. Em cerca de 3 segundos o objeto passou de diretamente à nossa frente para cerca de 100 graus da nossa rota, ficando pelo través esquerdo, e então soltava muitas faíscas além da chama azul. Nesse momento, explodiu com um clarão ofuscante a, eu diria, meia milha ou uma milha da nossa posição.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
sighted an unidentified object with a blue-white exhaust flame between a half mile or mile directly ahead at approximately 1000 ft. above our position on what appeared to be about a 200-210 degree heading in about a 15-20 degree angle descent. In approximately 3 seconds the object had moved from directly in front of us to about 100 degrees from our track placing it off our left beam and was then emitting a lot of sparks as well as the blue flame. At that time, it exploded with a blinding flash within, I would say, a half mile or mile of our position.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 183, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 183

Relato de Cushing, último parágrafo, página física 183

Não acho que fosse um avião, pois não vi luzes de posição. Tenho certeza de que não era um meteoro, porque estávamos olhando naquela direção e ele simplesmente apareceu. Não havia sinal dele até chegar bem à nossa frente.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
I don't think it was an airplane as I did not observe any position lights. I feel certain that it was not a meteor as we had been looking in that direction and it just appeared. There was no trace of it until it got right in front of us.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 183, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 185

Relato do primeiro oficial G. M. Darby, voo 33, página física 185

No voo 33, sobre Red Hook, rumo sul, por volta das 19h25 (hora do leste), houve um clarão, que parecia mais uma explosão do que um relâmpago, cerca de 10 ou 15 graus fora da nossa rota, em algum ponto perto da nossa altitude de 6.000 pés.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
On Flight 33 over Red Hook southbound at approximately 1925 EST, there was a flash, which appeared more like an explosion rather than a lightning flash, approximately 10 or 15 degrees off our course at somewhere near our altitude of 6000 ft.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 185, contando a capa.

TRECHO 4 · PÁGINA FÍSICA 182

Carta da Colonial Airlines, página física 182

De acordo com o procedimento CIRVIS para comunicar avistamentos de interesse vital para a inteligência, seguem cópias de três relatórios entregues por tripulações sobre um objeto não identificado avistado em 6 de setembro de 1955. Se possível, gostaríamos muito de saber o que era o objeto e se há algum modo de evitar ocorrências futuras.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
In accordance with CIRVIS procedure for reporting vital intelligence sightings, attached are copies of three reports turned in by flight crews on an unidentified object sighted September 6, 1955. If possible, we would be very interested in knowing what the object was and if there is any way we can prevent future occurrences.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 182, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
06/09/1955 — Cerca de 19h25, hora padrão do leste (EST), segundo os três relatos.
Documento
08/09/1955 — Carta da empresa; relatos datados de 07/09/1955; resposta da Força Aérea de 14/09/1955; encaminhamento naval de 16/09/1955.
Publicação
Não estabelecida — Publicação no acervo do Departamento de Guerra sem data de lote conferida.

Origem e divulgação

Relatos de tripulantes da Colonial Airlines, Inc.; arquivados pela Diretoria de Inteligência da Força Aérea dos EUA (arquivo INT 2-2-7) · DOW-UAP-D096_Correspondence-Relating-to-Project-Blue-Book_1955.pdf

Páginas físicas 181 a 185, 187 e 190 conferidas no fac-símile. As páginas 189 a 192 são cópias dos mesmos papéis e não foram contadas como relatos adicionais.

Perguntas para continuar a investigação

  • O Centro de Inteligência Técnica Aérea chegou a uma conclusão sobre o caso, e há ficha no Projeto Blue Book?
  • Houve relatos de bólido no leste de Nova York ou na Nova Inglaterra na noite de 6 de setembro de 1955?

GEOGRAFIA DO CASO

Vale do Hudson, ao norte de Poughkeepsie e perto de Red Hook, Nova York

Referência aproximada da posição do voo 14, cerca de 16 milhas náuticas ao norte de Poughkeepsie, posicionada pela redação. Não indica a posição do objeto nem do clarão.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. DOW-UAP-D096_Correspondence-Relating-to-Project-Blue-Book_1955.pdf

    Páginas físicas 181 a 185 e 187: carta da Colonial Airlines (08/09/1955), relatos de três tripulantes (07/09/1955), resposta da Força Aérea (14/09/1955) e encaminhamento da Marinha (16/09/1955) · Página física 190: cópia do relato do capitão Cushing com a anotação manuscrita “Poughkeepsie”

    DOW · 220 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

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