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18/07/1963 / Washington, D.C., EUA

Washington, 1963: memorando do Conselho Espacial da Casa Branca pensa a política para um encontro com alienígenas

Um integrante do Conselho Nacional de Aeronáutica e Espaço escreveu ao Departamento de Estado sobre o que fazer caso se descobrisse uma inteligência alienígena. O texto se distancia dos defensores dos discos voadores e termina com ironia sobre o “tradicional pânico”.

História da investigação
Data do evento
18/07/1963
Local
Washington, D.C., EUA
Tema
História da investigação
Órgãos das fontes
Arquivo histórico
Documentos
1 documento · 6 páginas
Leitura
4 min

FONTES DOCUMENTAIS · Arquivo histórico

O que os registros contam

Em 18 de julho de 1963, Maxwell W. Hunter II, membro da equipe profissional do Conselho Nacional de Aeronáutica e Espaço, órgão do Gabinete Executivo do Presidente, enviou um memorando a Robert F. Packard, do Escritório de Assuntos Científicos Internacionais do Departamento de Estado. O assunto era “Reflexões sobre a questão da raça alienígena espacial”. O documento tinha a marca “somente para uso oficial”, depois riscada, e carimbos de arquivo do Departamento de Estado.

Hunter explica que, em discussões recentes, surgira de vez em quando a pergunta sobre qual política adotar se uma inteligência alienígena fosse descoberta no espaço, inclusive nas deliberações de uma tarefa identificada como “BNSP Task I”. Ele registra o consenso científico de que a chance de achar uma raça inteligente no sistema solar é desprezível e a posição dos “defensores dos discos voadores”, que veem provas esmagadoras. Diz achar difícil ficar do lado destes, mas também se incomodar com a impossibilidade quase total defendida pela maioria dos cientistas.

O memorando revê a teoria da formação de planetas, a probabilidade de vida em outros sistemas e os “canais” de Marte. Como exercício, examina a tese, atribuída a defensores dos discos, de que marcianos minerariam a Lua, e lista três fatos que, “se não estivéssemos tão seguros”, seriam tomados como indícios: gases na cratera Alphonsus, pontos quentes em varreduras infravermelhas e o fracasso das sondas lunares e planetárias. Hunter os apresenta como leituras possíveis, não como provas.

Ele divide as hipóteses em três tipos de visitantes: uma raça com voo espacial químico, como os “marcianos” imaginados; colonizadores interestelares com propulsão nuclear a metade da velocidade da luz; e uma raça mais rápida que a luz, caso a teoria de Einstein seja só uma aproximação. Diante desta última, escreve, a política “é melhor negociar rápido”. Nas conclusões, diz que a probabilidade é finita e que seria preciso saber logo de que tipo se trata, e sugere “enterrar imediatamente todas as machadinhas terrestres”.

O fecho é irônico: não haveria o que preparar, porque o único material disponível numa emergência seria a ficção científica e ninguém de peso levaria “essa bobagem” a sério antes que acontecesse; então a política seria decidida “à maneira tradicional do grande pânico”. O memorando não trata de nenhum avistamento, não apresenta evidência de visitantes e mostra como o tema chegou, em tom especulativo, a um órgão de política espacial da Presidência.

LEITURA DIRETA DO ARQUIVO

O documento, em português

Tradução de trechos selecionados do memorando de seis páginas; o restante é resumido. Carimbos e anotações manuscritas de margem não são traduzidos.

TRECHO 1 · PÁGINA FÍSICA 1

Assunto e primeiro parágrafo, página física 1

Assunto: Reflexões sobre a questão da raça alienígena espacial. Em discussões recentes surgiu de vez em quando, embora raramente, a ideia de que talvez devêssemos considerar a questão política do que fazer se uma inteligência alienígena for descoberta no espaço. Houve alguma discussão sobre isso, como o senhor se lembrará, durante as deliberações da BNSP Task I. Este memorando contém algumas reflexões avulsas sobre a questão.

Nota editorial: Conferido no fac-símile. BNSP é provavelmente a sigla de Basic National Security Policy; o documento não expande a sigla.

Conferir original em inglês
SUBJECT: Thoughts on the Space Alien Race Question. During recent discussions the question has occasionally, though rarely, arisen that perhaps we should consider the policy question of what to do if an alien intelligence is discovered in space. Some discussion of this occurred, as you will recall, during deliberations on BNSP Task I. This memo contains some miscellaneous thoughts on the question.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 1, contando a capa.

TRECHO 2 · PÁGINA FÍSICA 1

Segundo parágrafo, página física 1

Os defensores dos discos voadores afirmam, é claro, que o ponto de vista científico é absurdo e que há provas esmagadoras da existência desses seres. Pessoalmente, acho difícil ficar do lado dos defensores dos discos voadores, mas a impossibilidade quase total imaginada pela maioria dos cientistas também é perturbadora.

Nota editorial: Conferido no fac-símile.

Conferir original em inglês
The flying saucer advocates claim, of course, that the scientific viewpoint is nonsense, and that there is overwhelming evidence of such beings. In my own mind, I find it difficult to side with the flying saucer advocates, but the almost total impossibility envisioned by most scientists also is disturbing.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 1, contando a capa.

TRECHO 3 · PÁGINA FÍSICA 5

Conclusões, páginas físicas 5 e 6

De todo modo, uma política de enterrar imediatamente todas as machadinhas terrestres provavelmente seria adequada. Mesmo que só encontrássemos marcianos químicos mansos, ou apenas os destroços de alguma missão de reconhecimento intragaláctica, seria boa ideia agir supondo que a raça humana finalmente teria encontrado um problema maior do que os que criou para si mesma. Provavelmente não há nada a fazer no momento para se preparar para essas possibilidades (o único material escrito sobre o assunto disponível numa emergência é a ficção científica), porque ninguém de peso vai levar essa bobagem a sério a menos que aconteça. Nesse ponto, nossa política será determinada à maneira tradicional do grande pânico.

Nota editorial: Conferido no fac-símile; “intra-glactic” está grafado assim no original.

Conferir original em inglês
In any event, a policy of the immediate burying of all Terrestrial hatchets would likely be in order. Even if we only found tame chemical Martians, or merely the debris from some intra-glactic survey mission, it would be a good idea to proceed on the assumption that the human race would finally have found a bigger problem than the ones it has created for itself. There likely is nothing to be done at the moment to prepare for these possibilities (the only body of writing on the subject available in an emergency is science fiction), because no one of consequence is going to take this rubbish seriously unless it happens. At that point, our policy will be determined in the traditional manner of grand panic.

Consultar a ficha do documento ↗ · Página física 5, contando a capa.

Datas e contexto documental

Acontecimento
Não estabelecida — Não há evento de observação; o documento é uma reflexão política.
Documento
18/07/1963 — Data datilografada no memorando.
Publicação
Não estabelecida — A página 1 traz carimbo de desclassificação da NARA; divulgação pública não comprovada nestas páginas.

Origem e divulgação

Conselho Nacional de Aeronáutica e Espaço, Gabinete Executivo do Presidente; autor Maxwell W. Hunter II; destinatário no Departamento de Estado · 59_214434_SP_16_[7.18.1963].pdf

Páginas físicas 1, 4, 5 e 6 conferidas no fac-símile; 2 e 3 lidas no texto extraído.

Perguntas para continuar a investigação

  • Houve resposta de Robert F. Packard ou outra discussão da “BNSP Task I” sobre o tema?
  • O memorando circulou além do Escritório de Assuntos Científicos Internacionais?

GEOGRAFIA DO CASO

Washington, D.C.

Referência aproximada da cidade onde o memorando foi escrito e recebido, posicionada pela redação. Não se refere a nenhum avistamento.

RASTRO DOCUMENTAL

Volte às fontes

As referências usam páginas físicas do PDF, contando a capa. Os resumos são apresentados em português; os documentos preservam seu idioma original.

  1. 59_214434_SP_16_[7.18.1963].pdf

    Páginas físicas 1 a 6: memorando de Maxwell W. Hunter II ao Departamento de Estado, 18/07/1963

    Arquivo histórico · 6 páginas

Síntese editorial baseada no fichamento do acervo, revista em 26/09/2026. Como lemos os documentos.

UMA HISTÓRIA LEVA A OUTRA

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